Comício de Francisco Lopes enche Palácio de Cristal

Abrir caminho à esperança

Às mais de cinco mil pessoas que encheram o Palácio de Cristal, Francisco Lopes lembrou que «a nossa candidatura comprovou, nestes meses, que é um imperativo nacional, que é de facto a única alternativa que os trabalhadores e o povo português têm para afirmar, nestas eleições, a mudança indispensável ao País». Jerónimo de Sousa, por seu lado, apelou aos trabalhadores e ao povo para que dêem «com coragem, um passo em frente» e, pelo voto no dia 23 e pela continuação da luta, abram «caminho à esperança numa vida melhor para todos os portugueses».

Os restantes candidatos são responsáveis pela situação do País e pelo seu agravamento

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A maior iniciativa de massas até agora realizada por qualquer dos candidatos à Presidência da República ocorreu, domingo, no Porto. Como não podia deixar de ser, foi protagonizada pela candidatura que não se refugia em ambiguidades para fugir aos compromissos e responsabilidades para com a actual situação do País, e, com enorme confiança no povo e nos trabalhadores, neles assenta a sua força, dinâmica e esperança.

«Que extraordinária forma de iniciar a campanha», disse Francisco Lopes no encerramento do comício que encheu o Palácio de Cristal, expressando, com verdade, o enorme entusiasmo e alegria que envolveu a iniciativa do princípio ao fim.

De facto, se ao abandonarem o recinto os milhares de participantes regressavam a casa com revigorada determinação em tudo fazer, até ao dia 23 de Janeiro, para ampliar o apoio e garantir mais votos na candidatura de Francisco Lopes, não é menos verdade que, à chegada, dominava entre a imensa massa humana a confiança e o à-vontade próprios de quem sabe estar ao lado da única alternativa capaz de abrir «caminho à esperança numa vida melhor para todos os portugueses», como salientou, na sua intervenção, Jerónimo de Sousa (ver página 7).

Vieram de todo o Norte do País em autocarros organizados pela candidatura, mas ao contrário do que tantas vezes sobressai em acções promovidas pelas candidaturas da burguesia, os apoiantes de Francisco Lopes avançavam num passo alicerçado no esclarecimento e na razão. Sabiam ao que vinham e vieram para manifestar a vontade de tomar partido, o que não sendo novidade nas candidaturas assumidas pelos comunistas e seus aliados, não é de somenos num tempo em que se multiplicam os apelos à resignação e à desistência, lançados pelos que têm partilhado o poder e se propõem repeti-lo, eleição após eleição, ao serviço dos suspeitos do costume enganando os mesmos de sempre.

Não! Ali estava, vale a pena insistir, uma imensa multidão consciente e activa, e isso notava-se ao percorrer os grupos que se amontoavam à conversa, antes do arranque do comício, à porta do Palácio de Cristal. Predominavam os diálogos sobre o curso da campanha e os temas candentes em debate, ou, em alguns casos, a crítica assertiva à fuga aos problemas empreendida pelos demais candidatos, embaraçados em vínculos e comprometimentos para com a política de direita e suas consequências.

Acento tónico, igualmente, no muito que há a fazer, nos milhares de contactos que ainda são necessários realizar para levar a mais povo a candidatura que defende os interesses populares. Por isso se multiplicavam as trocas de impressões sobre actividades a levar a cabo, sobre a preparação das mesmas, confirmando, uma vez mais, que nesta dinâmica eleitoral colectiva todos participam assumindo-se, simultaneamente, parte das decisões e seus executores, intervenientes numa batalha onde se joga o seu destino imediato e o dos que consigo partilham as amarguras da exploração.

Assim, não é de estranhar o aplauso entusiasmado da sala quando João Torres, mandatário distrital da candidatura de Francisco Lopes e coordenador da União de Sindicatos do Porto, frisou, na intervenção inaugural, que «os órgãos de comunicação social podem apagar as acções de campanha de Francisco Lopes num canto de uma página de jornal, ou numa brevíssima notícia nas rádios e televisões. O que não podem é impedir-nos de falar com a população nas ruas, com os trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, com amigos e familiares nos cafés e em casa».

Ficou consolidada a certeza de que, se a candidatura patriótica e de esquerda tem vindo a crescer, mais se irá agigantar até à hora de depositar o voto nas urnas. Francisco Lopes não se esqueceu desse aspecto e salientou que «este comício, é, simultaneamente, a afirmação do compromisso de cada um e de todos no empenho e intervenção para a concretização dos nossos objectivos».

 

Imperativo nacional

 

«A nossa candidatura comprovou, nestes meses, que é um imperativo nacional, que é de facto a única alternativa que os trabalhadores e o povo português têm para afirmar, nestas eleições, a mudança indispensável ao País», prosseguiu Francisco Lopes.

«Portugal enfrenta hoje um dos períodos mais difíceis da sua história recente, resultado de um rumo de desastre, de abdicação da soberania nacional, de subordinação das decisões políticas aos interesses dos grupos económicos e financeiros. A opção por políticas de direita levou à estagnação económica do País, à fragilização da produção nacional, ao brutal agravamento do desemprego», acrescentou, sublinhando que «as consequências estão à vista. Ao mesmo tempo que as actividades produtivas têm um peso cada vez menor na estrutura da economia, cresce a pobreza e exclusão social, cavam-se mais fundo as assimetrias entre as regiões do País. O aparelho produtivo tem sido destruído, o País não tem produzido o que pode e não potencia a capacidade produtiva que tem».

«É – concluiu – a manutenção de uma prática que contribui para um brutal agravamento das injustiças e desigualdades sociais e para uma cada vez maior dependência face ao estrangeiro» e é «neste quadro que se realiza as eleições presidenciais» como foi no actual contexto, que «se realizou a pré-campanha eleitoral».

 

Lições a reter

 

«O que nos mostrou o período de pré-campanha?», questionou Francisco Lopes.

Passando em revista cada um dos restantes candidatos, o candidato da ruptura e da mudança considerou que «Cavaco Silva apoiado pelo PSD e CDS, pelos grupos económicos e financeiros, é um dos maiores responsáveis e protagonistas da política de direita em Portugal. Exemplo da submissão do poder político ao poder económico.

«Fala de extremismo e radicalismo» mas «haverá maior radicalismo e extremismo do que a sua prática que conduz à liquidação de Portugal como nação soberana e independente, do que a sua acção na imposição de sacrifícios ao povo português, ao serviço dos interesses, da gestão fraudulenta e criminosa, das mordomias, dos lucros e do poder dos grupos económicos e financeiros? Não há. O que ele representa, é a continuação, ainda mais gravosa, das políticas que estão a levar o País à ruína».

Já Manuel Alegre, «o candidato do PS apoiado pelo BE», continuou, tem seu percurso político marcado pela concordância «com as medidas que conduziram o País ao afundamento, do mercado único ao famigerado pacto dito de estabilidade. Os seus passos são os da política de direita. Hoje é o candidato do partido que está no Governo a fazer uma política desastrosa e que, continuamente, procura justificar. Não é alternativa, é a continuidade».

Quanto aos demais candidatos, «cada um à sua maneira, são igualmente responsáveis, com os apoios que deram e os compromissos que assumiram, pela difícil situação do País e são parte do seu agravamento».

Feito o balanço «um após outro, deram o aval a este Orçamento. Cavaco Silva apadrinhou-o, Defensor de Moura votou-o, Fernando Nobre disse que era o Orçamento possível e Manuel Alegre considerou-o um mal menor», exemplificou. Por isso, para Francisco Lopes, «todos são responsáveis pelo que está a acontecer desde o primeiro dia do ano: a recessão económica, o aumento dos preços, os cortes nos apoios sociais, os cortes nos salários e congelamento das pensões, as injustiças sociais e os privilégios aos grupos financeiros».



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