Injustiças e desastre nacional
A falência da política do Governo, na perspectiva do interesse nacional, foi um dos aspectos mais evidenciados no debate pelo Grupo Parlamentar do PCP. Durante anos a fio, o País foi sujeito à quebra do poder de compra dos salários, ao corte nas pensões de reforma, à redução do apoio aos desempregados.
E qual foi o resultado? À pergunta, respondeu o deputado comunista Francisco Lopes: «foi a estagnação, a recessão económica, a dependência externa, mais de 730 mil desempregados».
Mas há quem tenha ganho, e não foi pouco. Para esse outro lado da realidade chamou igualmente a atenção o parlamentar do PCP, lembrando, a este respeito, que «os grupos económicos e financeiros, os seus accionistas e gestores, só nos últimos seis anos – os anos dos sacrifícios, os anos do défice, os anos da crise – tiveram a acumulação de mais de 32 mil milhões de euros de lucro».
Verbas que dariam, caso não tivessem sido canalizadas para a especulação, para investir no sector produtivo e criar milhares de postos de trabalho, lembrou, antes de fazer notar que o regabofe prossegue como bem testemunha o facto de «a banca absorver mais de cinco milhões de euros de lucro por dia».
E o que faz o Governo? Em vez de atacar esta situação, «com a prestimosa ajuda do PSD», dirige a sua sanha persecutória contra os trabalhadores, os reformados, os desempregados, «todos aqueles que têm piores condições de vida, bem como às jovens gerações».
O que é inaceitável, segundo Francisco Lopes, para quem uma das medidas tomadas pelo Governo – o corte no subsídio de desemprego – constitui «uma injustiça brutal» contra os desempregados, conduzindo muitos deles à pobreza, para além de ser, denunciou, «a maior operação de sempre de baixa dos salários e precarização do trabalho, promovendo o desemprego e estimulando os despedimentos».
Por isso o PCP entende que o prosseguimento desta política não só «compromete o futuro do País» como encerra uma enorme injustiça social.
Trata-se, afinal, de dar continuidade ao «rolo de injustiças e desastre nacional». É que, como salientou o parlamentar comunista, «cada corte nos salários e pensões, cada redução nos apoios sociais, cria mais pobreza, dificuldades, falências e desemprego. E tudo para que as famílias e grupos económicos que mandam no País tenham ainda mais lucros, para que os especuladores continuem a prosperar».
Daí que o PCP entenda que o programa de combate ao défice precisa de ser derrotado, já que «cada uma das medidas é um prego no caixão com que o Governo quer enterrar o futuro do País».