Coro afinado

O deputado José Soeiro, interpelando o líder da bancada do PSD, Miguel Macedo, que momentos antes tecera duras críticas ao Governo, confrontou-o com o desfasamento entre o discurso hostil por este proferido e o apoio, de facto, à política de direita.

E lembrou, a propósito, que o Governo é o culpado pela situação que vivemos, nomeadamente pelos 730 mil desempregados, muitos deles sem direito ao respectivo subsídio, pelos dois milhões de pobres, pelo fluxo de cem mil emigrantes anuais, pelas dificuldades com que se debatem as famílias, as empresas e o País.

Daí ter questionado se a atitude do PSD, «ao deixar arrastar esta situação e dar a mão ao Governo», com os olhos postos em eleições daqui por um ano – atitude que apelidou de «calculismo político» – não está a condenar o País para uma situação que diz criticar mas que na verdade subscreve.

Miguel Macedo, na resposta, justificou a recusa da sua bancada em acompanhar a moção de censura alegando o cínico argumento de que as suas «consequências institucionais» - a queda do Governo, entenda-se – levariam a uma maior desprotecção dos já desprotegidos e a um agravamento da situação económica. Mais uma voz afinada no muito repetido coro do PS e PSD de que seria «juntar uma crise política à crise financeira e económica».



Mais artigos de: Assembleia da República

Censura e luta

A indignação e o descontentamento que grassam pelo País adquiriu sexta-feira no Parlamento uma dimensão política única através da moção de censura com a qual o PCP confrontou o Governo com a sua política anti-social e antipatriótica.

Há todas as razões para lutar

Apresentamos uma Moção de Censura ao Governo! Uma Moção de Censura cujo objectivo para lá da expressão institucional se assume essencialmente pela sua dimensão política. (…) Uma Censura ao Governo como institucionalmente é assumida mas sobretudo...

Legitimidade perdida

Reagindo às afirmações do primeiro-ministro sobre a questão da «irresponsabilidade» que estaria subjacente à apresentação da moção de censura e sobre o «papão» de uma eventual queda do Governo daí decorrente,...

Injustiças e desastre nacional

A falência da política do Governo, na perspectiva do interesse nacional, foi um dos aspectos mais evidenciados no debate pelo Grupo Parlamentar do PCP. Durante anos a fio, o País foi sujeito à quebra do poder de compra dos salários, ao corte nas pensões de reforma, à...

Irresponsável é o Governo

«Irresponsabilidade seria um partido da oposição ficar de braços cruzados perante a violência social das medidas que este Governo tenciona impor aos portugueses». Foi nestes termos que a bancada comunista ripostou à acusação de «irresponsabilidade»...

Basta de sacrifícios

Uma das linhas mais fortes da propaganda governamental é a de que a austeridade toca a todos e que os sacrifícios são para distribuir de forma equitativa. Uma redonda mentira, acusa o PCP, que demonstrou não haver justiça nas medidas e muito menos equidade na sua...

«Inevitabilidades»

A tese da «inevitabilidade», signo sob o qual o País vive há muito, tem sido uma das mais difundidas pelo PS e PSD. As políticas de direita são assim apresentadas como «inevitáveis, sem alternativas». A excepção ocorre nos ciclos eleitorais, como...