Determinação afirmada em Setúbal

Prosseguir a mobilização dos trabalhadores, para a manifestação nacional da juventude, amanhã, e para o 1.º de Maio, foi a determinação afirmada na sexta-feira, dia 19, em Setúbal, pelos participantes no plenário da União de Sindicatos. A reunião da estrutura distrital da CGTP-IN decorreu ao ar livre, no Largo da Misericórdia, de onde, no final, os representantes dos trabalhadores se deslocaram, em cordão humano, pela Avenida Luísa Todi, até ao Governo Civil, onde deixaram uma resolução a reafirmar a exigência de mudança de política, de modo a assegurar «mais emprego, mais salários, mais direitos».
Tanto nesse documento, como na intervenção inicial do coordenador da USS, Rui Paixão, membro da Comissão Executiva da CGTP-IN, como em outras intervenções sectoriais, foi salientado o valor das lutas das trabalhadoras e dos trabalhadores do distrito. Foram saudadas, por exemplo, a greve que decorria nos Transportes do Sul do Tejo e as lutas mais recentes na Administração Pública central e local, em empresas da metalurgia, química e indústrias eléctricas, na João Baltazar & Andrade. E foi vivamente aplaudido o resultado da greve de nove dias, na Limpersado, onde os trabalhadores conseguiram que lhes fossem pagos finalmente os subsídios de férias e de Natal em atraso.
A necessidade de alargar e intensificar a luta foi justificada com a grave situação social, com especial ênfase no desemprego, com mais de 44 mil inscritos nos centros de emprego do IEFP, em Janeiro. Este número representa uma taxa de 12,2 por cento e um aumento de quase dez mil desempregados, relativamente a Janeiro de 2009, a um ritmo médio de 26 pessoas por dia sem emprego.
Um alerta foi deixado para a comunicação, feita na véspera pela administração, de que a Fisipe ameaça parar a laboração a partir de 1 de Maio, alegando falta de matéria-prima. Isso seria inadmissível para o Sinquifa/CGTP-IN, recordando o dirigente deste sindicato que, em 2009, os despedimentos colectivos liquidaram 348 postos de trabalho neste sector.
Na linha das posições da CGTP-IN, o plenário distrital de sindicatos sublinhou que «não é inevitável» o caminho que o Governo aponta no seu PEC. A tentativa de exigir agora mais sacrifícios aos trabalhadores, salientaram alguns dirigentes, segue-se a um ano em que várias empresas, alegando o contexto de «crise», impuseram perdas salariais, despedimentos e suspensões do trabalho (lay-off).

Santarém

Nesse mesmo dia, em Tomar, os trabalhadores da IFM/Platex afirmaram a sua determinação de prosseguirem a luta pelo direito ao emprego e pela viabilização da empresa. Depois de se reunirem, junto às instalações da fábrica, manifestaram-se com trabalhadores de outros sectores frente ao Centro de Emprego e junto aos Paços do Concelho. Vão enviar uma carta-aberta ao Presidente da República e preparam-se para assistir à primeira reunião da assembleia de credores, a 1 de Abril, em Lisboa.
Esta jornada seguiu-se a outras acções, promovidas pela União dos Sindicatos de Santarém, nesta cidade e também em Abrantes, Torres Novas e Coruche, desde dia 11.


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