Forte greve dos ferroviários
A greve de anteontem, no sector ferroviário, por actualizações salariais dignas, registou uma forte adesão sentida pelos utentes, por todo o País. Ocorreram substituições ilegais de trabalhadores em greve.
Por aumentos dignos de salários
A meio da tarde de dia 23, a greve no sector ferroviário registava, em vários pontos do País, uma adesão muito próxima dos 90 por cento, num universo de cerca de dez mil trabalhadores das empresas CP, CP-Carga, REFER e EMEF, anunciou ao Avante!, a meio da tarde, o coordenador do Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário (SNTSF), José Manuel Oliveira.
Fortemente sentida por todo o território, a greve de 24 horas contra o congelamento dos salários que, segundo o SNTSF/CGTP-IN, «associado às medidas do PEC, significará uma redução salarial de, pelo menos, 50 euros por trabalhador», parou a quase totalidade dos comboios de passageiros e de mercadorias, fez com que muitas estações tenham encerrado ou ficado vazias e sem comboios a circular.
Pelas sete horas, a própria administração da CP teve de admitir haver muito poucos comboios em circulação, por todo o País, e os que andavam, devia-se ao cumprimento dos serviços mínimos.
Na região de Lisboa, a greve agravou-se com a paragem da Fertagus, ao início da manhã, impedindo a ligação ferroviária, na Ponte 25 de Abril, tendo a administração atribuído a responsabilidade desta paragem à REFER.
Até ás nove horas da manhã, todos os comboios de longo curso da CP estiveram parados, e nas linhas regionais a circulação foi também fortemente perturbada, anunciou o sindicato.
A meio do dia, o SNTSF revelou adesões superiores a 90 por cento na EMEF, em Guifões, no Entroncamento e no Barreiro. Na CP-Carga, no Entroncamento e na Pampilhosa, a adesão foi de 80 por cento, na EMEF, em Contumil, de 70 por cento, e na revisão de Lisboa, de 60 por cento.
Muitas bilheteiras estiveram encerradas e, nos Centros de Comando Operacional, o sindicato detectou «boas adesões», tendo aqui os trabalhadores, embora «sob protesto», assegurado uns «chamados serviços mínimos».
Nas linhas do Porto, de Sintra, do Sado e do Norte, «a CP viu-se obrigada a contratar transportes alternativos rodoviários», situação que, segundo o SNTSF, «há muito que não acontecia».
Lei da greve violada
Através de um comunicado, na véspera da greve, o SNTSF tinha alertado para a «eventualidade de as empresas poderem estar a preparar algumas medidas com vista a procurar realizar comboios sem garantias de que os mesmo possam chegar ao destino, ou através de substituição de trabalhadores em greve», comprometendo a segurança na circulação. Estes receios confirmaram-se, com maior gravidade, no Centro de Comando Operacional de Braço de Prata, onde os trabalhadores foram «expulsos» e «substituídos por quadros superiores da REFER, designadamente pelo próprio Director Geral de Engenharia e Infraestrutura, razão que levava o sindicato a ponderar se avançaria ou não com uma queixa-crime contra aquela administração, por considerar que a segurança da circulação, também «em boa parte do País», estava a fazer-se «sem o controlo dos trabalhadores habilitados».
Domingo, na CP e na REFER, as administrações entregaram, aos trabalhadores, cartas com as escalas para o cumprimento de «serviços mínimos», quando, de acordo com o Código do Trabalho, a administração apenas o podia fazer 24 horas antes da greve, na segunda-feira. Quem foi convocado «de forma ilegal» foi aconselhado a não acatar aquela «ordem ilegítima».
Situação semelhante foi detectada na linha de Sintra, onde os ferroviários de dois comboios foram substituídos por trabalhadores de estação. Aqui, o SNTSF apelou à intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho.
PCP questionou ministro
Na Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PCP, por intermédio do deputado Bruno Dias, apresentou, na tarde da greve, dois requerimentos endereçados ao ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, a propósito da substituição ilegal de trabalhadores em greve no CCO de Braço de Prata. O deputado perguntou que medidas pensava tomar o Governo para que aquela prática seja punida e não volte a repetir-se, que intervenção desenvolveria o Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres, no cumprimento das suas responsabilidades de fiscalização no sector, e se o Governo considerava que a regulamentação em vigor podia ser «desrespeitada livremente e impunemente». Noutro requerimento, endereçado ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, Bruno Dias perguntou que conhecimento tinha o Ministério sobre aquelas atitudes, que intervenção foi desenvolvida pela ACT e, se não interveio, quais as causas dessa não intervenção.
Fortemente sentida por todo o território, a greve de 24 horas contra o congelamento dos salários que, segundo o SNTSF/CGTP-IN, «associado às medidas do PEC, significará uma redução salarial de, pelo menos, 50 euros por trabalhador», parou a quase totalidade dos comboios de passageiros e de mercadorias, fez com que muitas estações tenham encerrado ou ficado vazias e sem comboios a circular.
Pelas sete horas, a própria administração da CP teve de admitir haver muito poucos comboios em circulação, por todo o País, e os que andavam, devia-se ao cumprimento dos serviços mínimos.
Na região de Lisboa, a greve agravou-se com a paragem da Fertagus, ao início da manhã, impedindo a ligação ferroviária, na Ponte 25 de Abril, tendo a administração atribuído a responsabilidade desta paragem à REFER.
Até ás nove horas da manhã, todos os comboios de longo curso da CP estiveram parados, e nas linhas regionais a circulação foi também fortemente perturbada, anunciou o sindicato.
A meio do dia, o SNTSF revelou adesões superiores a 90 por cento na EMEF, em Guifões, no Entroncamento e no Barreiro. Na CP-Carga, no Entroncamento e na Pampilhosa, a adesão foi de 80 por cento, na EMEF, em Contumil, de 70 por cento, e na revisão de Lisboa, de 60 por cento.
Muitas bilheteiras estiveram encerradas e, nos Centros de Comando Operacional, o sindicato detectou «boas adesões», tendo aqui os trabalhadores, embora «sob protesto», assegurado uns «chamados serviços mínimos».
Nas linhas do Porto, de Sintra, do Sado e do Norte, «a CP viu-se obrigada a contratar transportes alternativos rodoviários», situação que, segundo o SNTSF, «há muito que não acontecia».
Lei da greve violada
Através de um comunicado, na véspera da greve, o SNTSF tinha alertado para a «eventualidade de as empresas poderem estar a preparar algumas medidas com vista a procurar realizar comboios sem garantias de que os mesmo possam chegar ao destino, ou através de substituição de trabalhadores em greve», comprometendo a segurança na circulação. Estes receios confirmaram-se, com maior gravidade, no Centro de Comando Operacional de Braço de Prata, onde os trabalhadores foram «expulsos» e «substituídos por quadros superiores da REFER, designadamente pelo próprio Director Geral de Engenharia e Infraestrutura, razão que levava o sindicato a ponderar se avançaria ou não com uma queixa-crime contra aquela administração, por considerar que a segurança da circulação, também «em boa parte do País», estava a fazer-se «sem o controlo dos trabalhadores habilitados».
Domingo, na CP e na REFER, as administrações entregaram, aos trabalhadores, cartas com as escalas para o cumprimento de «serviços mínimos», quando, de acordo com o Código do Trabalho, a administração apenas o podia fazer 24 horas antes da greve, na segunda-feira. Quem foi convocado «de forma ilegal» foi aconselhado a não acatar aquela «ordem ilegítima».
Situação semelhante foi detectada na linha de Sintra, onde os ferroviários de dois comboios foram substituídos por trabalhadores de estação. Aqui, o SNTSF apelou à intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho.
PCP questionou ministro
Na Assembleia da República, o Grupo Parlamentar do PCP, por intermédio do deputado Bruno Dias, apresentou, na tarde da greve, dois requerimentos endereçados ao ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, a propósito da substituição ilegal de trabalhadores em greve no CCO de Braço de Prata. O deputado perguntou que medidas pensava tomar o Governo para que aquela prática seja punida e não volte a repetir-se, que intervenção desenvolveria o Instituto da Mobilidade e Transportes Terrestres, no cumprimento das suas responsabilidades de fiscalização no sector, e se o Governo considerava que a regulamentação em vigor podia ser «desrespeitada livremente e impunemente». Noutro requerimento, endereçado ao Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, Bruno Dias perguntou que conhecimento tinha o Ministério sobre aquelas atitudes, que intervenção foi desenvolvida pela ACT e, se não interveio, quais as causas dessa não intervenção.