Por uma política ao serviço dos portugueses
A «Voz do Operário», em Lisboa, acolheu, quinta-feira, um jantar de apoiantes da CDU, onde participaram Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, João Ferreira, candidato ao Parlamento Europeu (PE), e Rúben de Carvalho, cabeça de lista à Câmara de Lisboa.
Na sessão, onde compareceram largas centenas de pessoas, Jerónimo de Sousa lembrou que «as próximas eleições [dia 7 de Junho, para o PE] são a oportunidade que não pode ser desperdiçada de transformar a luta em votos contra o desemprego, os baixos salários e pensões, o encerramento de empresas, contra o encerramento dos serviços públicos, a destruição da saúde e da educação públicas, contra o encerramento dos serviços públicos, da ruína dos pequenos empresários».
Afirmar a CDU como a grande força de esquerda
«As próximas eleições são a oportunidade de todos aqueles que percorreram os caminhos da luta, que desceram as avenidas e encheram as praças, lutaram nas suas empresas e nos locais de trabalho para travar a ofensiva do Governo PS contra os direitos sociais e laborais dos trabalhadores e do povo de dizeram “Não”, condenando nas urnas a sua política de desastre nacional», frisou o Secretário-geral do PCP, lembrando que os dias que se aproximam «têm de ser para nós tempos de mobilização e de grande empenho para afirmar a CDU como a grande força de esquerda, imprescindível na luta e na promoção de um novo rumo para a União Europeia e para Portugal».
Neste sentido, apelou à participação de todos para a Marcha da CDU, já no dia 23 de Maio, em Lisboa. Ali, adiantou Jerónimo de Sousa, «estará a força da construção, da esperança e alternativa e da confiança de que é possível uma vida melhor, mas também a expressão do protesto contra a crise e todas as injustiças».
«A 23 de Maio desfilarão, estamos certos, não apenas os activistas da CDU, mas muitos e muitos outros portugueses que se sentem atingidos no quotidiano das suas vidas pela desastrosa política do actual Governo e aos quais daqui apelo para que se integrem nesta grande marcha contra a política de direita e cujo êxito contribuirá para ampliar e afirmar o grande movimento de exigência de ruptura e mudança que a actual situação do País mais do que nunca exige», afirmou.
A crise não é para todos
Na sua intervenção, o Secretário-geral do PCP criticou ainda os dois em empréstimos que a Caixa Geral de Depósitos fez ao Banco Finantia, no valor de 200 milhões de euros, exactamente a verba que o Governo retira no Orçamento para os desempregados.«Estamos em crise, mas a crise não é para todos. Dizem que é preciso fazer sacrifícios, mas há quem nunca os faça e ante viva à custa de quem os faz», lamentou, dando conta dos lucros do primeiro trimestre dos quatro primeiros bancos privados.
«Em três meses, nestes quatro bancos, os lucros atingiram 400 milhões de euros, isto é, 4,4 milhões por dia. Continua o sorvedouro da restante economia e das famílias, uns e outros cada vez mais endividados e sem alternativa. E quanto à justiça tributária vemos que os grandes processos relativos aos crimes de colarinho branco e à evasão fiscal se perdem no tempo acabando com o pagamento de umas multazinhas», criticou, lembrando que, há dias, o PS rejeitou uma proposta do PCP «no sentido de que a casos mais graves de crime financeiro, designadamente na banca, passasse a poder ser aplicada pena de prisão, e não apenas de multa».
Insensível política de direita
Jerónimo de Sousa alertou, por outro lado, para o aumento do número de desempregados no País que, segundo a última previsão da própria Comissão Europeia, é de 100 mil mais em relação a 2008.
«O Governo continua a recusar alterações nas regras do subsídio de desemprego, penalizando e marginalizando cerca de metade dos desempregados, particularmente os jovens que, sujeitos a uma crescente precariedade, têm sérias dificuldades em preencher os actuais requisitos do subsídio de desemprego e que cada vez mais são postos à margem por esta insensível política de direita», acusou.E para ultrapassar a situação, disse, basta que o Executivo PS «assuma, finalmente, a proposta do PCP, minorando assim o sofrimento de muitos milhares de desempregados».
Crise é fonte de ensinamento
Relativamente ao recente pedido de renacionalização, por parte da Associação Empresarial de Portugal, da COSEC, uma seguradora de créditos destinada a garantir às empresas nacionais o apoio à gestão e ao controlo dos seus créditos no mercado de exportação e que tinha sido privatizada, o Secretário-geral do PCP interrogou: «Porque será que os industriais da exportação fizeram tal pedido? Porque são uns perigosos revolucionários?».
«Este pedido dos industriais só vem mostrar a razão do PCP que há muito tem assinalado a contradição entre o interesse geral e nacional e o interesse privado ou de grupo», explicou Jerónimo de Sousa, acentuando que «é interessante ver agora os campeões do liberalismo, os campeões das privatizações, encolhidos que nem ratos perante a renacionalização de uma empresa básica e estratégica». «Mas não temos ilusões, logo que a economia de casino seja reposta haverá quem peça de novo a privatização com o estafado argumento de que o Estado não tem vocação e a factura de todos estes desmandos será passada aos mesmos do costume», disse ainda.
Páginas cheias de nada
Na ocasião, referindo-se ao «manifesto eleitoral» do PS, Jerónimo de Sousa alertou, entre outros, para a «manutenção do Pacto de Estabilidade», a «continuidade da PAC», o «apoio à Política Comum das Pescas», a «defesa da liberalização do comércio mundial», a «resposta à crise com o estafado discurso da regulação», a «defesa da liberalização dos serviços públicos», a «apaixonada defesa do Tratado de Lisboa», o «fim do direito de veto no Conselho», o «fim das presidências rotativas», a «aposta na militarização da União Europeia».
«O programa do PS é o repositório de tudo o que já foi feito e que está na origem da crise em que Portugal e a Europa estão mergulhados», denunciou o dirigente comunista, exigindo a «ruptura com a política de direita» e uma «política alternativa, condição indispensável para a alternativa política».
O Secretário-geral do PCP comentou, de igual forma, o interesse «dos grandes senhores do dinheiro» em refazer o Bloco Central, juntando PS e PSD no governo, «de preferência com o CDS, como é o desejo dos que falam em nome desses interesses».
«Tinham feito projectos para mil anos, mas sentem que o que é seguro já não é seguro e aí estão à cautela a tomar medidas, porque o que receiam verdadeiramente é a possibilidade da ruptura e da mudança», afirmou, frisando que essa mesma «mudança» «será tanto mais próxima e possível, quanto maior força tiver a CDU – a força mais coerente e consequente da esquerda portuguesa. A única força cujo o reforço eleitoral e político pode pôr fim à alternância sem alternativa dos que têm governado Portugal.»
João Ferreira
Levar a luta até ao voto
João Ferreira, numa intervenção repleta de confiança, salientou que «é difícil apagar a onda de entusiasmo» que a campanha da CDU «se está a transformar». «Por mais que alguns se esforcem, é difícil calar a nossa voz», afirmou, sublinhando que «o País não pode esperar mais. Não se pode confiar nos partidos que ao longo de mais de 30 anos nos governaram e que, em Portugal ou na União Europeia, têm contribuído para hipotecar o nosso futuro colectivo.»
Só a CDU, segundo o candidato ao Parlamento Europeu (PE), tem propostas que consubstanciam um projecto para um Portugal com futuro e para um outro rumo para a Europa.
«Ninguém estará em melhores condições para em Portugal e no PE levar por diante uma verdadeira alternativa política. Encaramos a nossa candidatura como intérpretes da luta do nosso povo, com o qual aprendemos e procuraremos, no PE, dar continuidade a um trabalho que respeita e responde às suas aspirações, ao mesmo tempo que estimula e apoia as suas lutas. Sempre no interesse do nosso povo e do País», prometeu.
Relativamente aos outros partidos, nomeadamente PS, PSD e CDS, João Ferreira acusou-os e «continuarem a fazer o que têm feito desde sempre, subservientes às grandes potências e aos seus grupos económicos e contra os interesses de quem trabalha».
O número dois da CDU, criticou, de igual forma, o BE. «Um voto no BE seria, previsivelmente, a olhar para o que o actual deputado [Miguel Portas] não fez durante cinco anos, apenas multiplicar por dois o muito pouco que foi feito», destacou João Ferreira, acrescentando: «Seria um voto num europeísmo – assim auto-proclamado – de contornos indefinidos e confusos, sem alternativa à UE do grande capital».
Dai a importância do voto na CDU, a «única alternativa credível; uma alternativa de futuro para a construção de um Portugal de progresso e justiça social numa outra Europa de cooperação e paz. A força que pode abrir um caminho de esperança numa vida melhor e num Portugal com futuro para todos, e em particular, para os trabalhadores e as novas gerações».
Rúben de Carvalho
«O PS não fez obra»
Por seu lado, Rúben de Carvalho, candidato da CDU à Câmara de Lisboa, acusou António Costa de fazer campanha eleitoral com meios da autarquia. «Para o PS, na Câmara de Lisboa, a campanha eleitoral já começou e isso já se nota, e com os dinheiros da Câmara», denunciou, acrescentando: «O PS não fez obra, não corrigiu, não planificou, não resolveu problemas, não correspondeu às necessidades e anseios imperiosos da cidade, não resolveu o essencial da situação financeira e patrimonial, enquanto manteve as cedências à especulação imobiliária».
Neste sentido, apelou à participação de todos para a Marcha da CDU, já no dia 23 de Maio, em Lisboa. Ali, adiantou Jerónimo de Sousa, «estará a força da construção, da esperança e alternativa e da confiança de que é possível uma vida melhor, mas também a expressão do protesto contra a crise e todas as injustiças».
«A 23 de Maio desfilarão, estamos certos, não apenas os activistas da CDU, mas muitos e muitos outros portugueses que se sentem atingidos no quotidiano das suas vidas pela desastrosa política do actual Governo e aos quais daqui apelo para que se integrem nesta grande marcha contra a política de direita e cujo êxito contribuirá para ampliar e afirmar o grande movimento de exigência de ruptura e mudança que a actual situação do País mais do que nunca exige», afirmou.
A crise não é para todos
Na sua intervenção, o Secretário-geral do PCP criticou ainda os dois em empréstimos que a Caixa Geral de Depósitos fez ao Banco Finantia, no valor de 200 milhões de euros, exactamente a verba que o Governo retira no Orçamento para os desempregados.«Estamos em crise, mas a crise não é para todos. Dizem que é preciso fazer sacrifícios, mas há quem nunca os faça e ante viva à custa de quem os faz», lamentou, dando conta dos lucros do primeiro trimestre dos quatro primeiros bancos privados.
«Em três meses, nestes quatro bancos, os lucros atingiram 400 milhões de euros, isto é, 4,4 milhões por dia. Continua o sorvedouro da restante economia e das famílias, uns e outros cada vez mais endividados e sem alternativa. E quanto à justiça tributária vemos que os grandes processos relativos aos crimes de colarinho branco e à evasão fiscal se perdem no tempo acabando com o pagamento de umas multazinhas», criticou, lembrando que, há dias, o PS rejeitou uma proposta do PCP «no sentido de que a casos mais graves de crime financeiro, designadamente na banca, passasse a poder ser aplicada pena de prisão, e não apenas de multa».
Insensível política de direita
Jerónimo de Sousa alertou, por outro lado, para o aumento do número de desempregados no País que, segundo a última previsão da própria Comissão Europeia, é de 100 mil mais em relação a 2008.
«O Governo continua a recusar alterações nas regras do subsídio de desemprego, penalizando e marginalizando cerca de metade dos desempregados, particularmente os jovens que, sujeitos a uma crescente precariedade, têm sérias dificuldades em preencher os actuais requisitos do subsídio de desemprego e que cada vez mais são postos à margem por esta insensível política de direita», acusou.E para ultrapassar a situação, disse, basta que o Executivo PS «assuma, finalmente, a proposta do PCP, minorando assim o sofrimento de muitos milhares de desempregados».
Crise é fonte de ensinamento
Relativamente ao recente pedido de renacionalização, por parte da Associação Empresarial de Portugal, da COSEC, uma seguradora de créditos destinada a garantir às empresas nacionais o apoio à gestão e ao controlo dos seus créditos no mercado de exportação e que tinha sido privatizada, o Secretário-geral do PCP interrogou: «Porque será que os industriais da exportação fizeram tal pedido? Porque são uns perigosos revolucionários?».
«Este pedido dos industriais só vem mostrar a razão do PCP que há muito tem assinalado a contradição entre o interesse geral e nacional e o interesse privado ou de grupo», explicou Jerónimo de Sousa, acentuando que «é interessante ver agora os campeões do liberalismo, os campeões das privatizações, encolhidos que nem ratos perante a renacionalização de uma empresa básica e estratégica». «Mas não temos ilusões, logo que a economia de casino seja reposta haverá quem peça de novo a privatização com o estafado argumento de que o Estado não tem vocação e a factura de todos estes desmandos será passada aos mesmos do costume», disse ainda.
Páginas cheias de nada
Na ocasião, referindo-se ao «manifesto eleitoral» do PS, Jerónimo de Sousa alertou, entre outros, para a «manutenção do Pacto de Estabilidade», a «continuidade da PAC», o «apoio à Política Comum das Pescas», a «defesa da liberalização do comércio mundial», a «resposta à crise com o estafado discurso da regulação», a «defesa da liberalização dos serviços públicos», a «apaixonada defesa do Tratado de Lisboa», o «fim do direito de veto no Conselho», o «fim das presidências rotativas», a «aposta na militarização da União Europeia».
«O programa do PS é o repositório de tudo o que já foi feito e que está na origem da crise em que Portugal e a Europa estão mergulhados», denunciou o dirigente comunista, exigindo a «ruptura com a política de direita» e uma «política alternativa, condição indispensável para a alternativa política».
O Secretário-geral do PCP comentou, de igual forma, o interesse «dos grandes senhores do dinheiro» em refazer o Bloco Central, juntando PS e PSD no governo, «de preferência com o CDS, como é o desejo dos que falam em nome desses interesses».
«Tinham feito projectos para mil anos, mas sentem que o que é seguro já não é seguro e aí estão à cautela a tomar medidas, porque o que receiam verdadeiramente é a possibilidade da ruptura e da mudança», afirmou, frisando que essa mesma «mudança» «será tanto mais próxima e possível, quanto maior força tiver a CDU – a força mais coerente e consequente da esquerda portuguesa. A única força cujo o reforço eleitoral e político pode pôr fim à alternância sem alternativa dos que têm governado Portugal.»
João Ferreira
Levar a luta até ao voto
João Ferreira, numa intervenção repleta de confiança, salientou que «é difícil apagar a onda de entusiasmo» que a campanha da CDU «se está a transformar». «Por mais que alguns se esforcem, é difícil calar a nossa voz», afirmou, sublinhando que «o País não pode esperar mais. Não se pode confiar nos partidos que ao longo de mais de 30 anos nos governaram e que, em Portugal ou na União Europeia, têm contribuído para hipotecar o nosso futuro colectivo.»
Só a CDU, segundo o candidato ao Parlamento Europeu (PE), tem propostas que consubstanciam um projecto para um Portugal com futuro e para um outro rumo para a Europa.
«Ninguém estará em melhores condições para em Portugal e no PE levar por diante uma verdadeira alternativa política. Encaramos a nossa candidatura como intérpretes da luta do nosso povo, com o qual aprendemos e procuraremos, no PE, dar continuidade a um trabalho que respeita e responde às suas aspirações, ao mesmo tempo que estimula e apoia as suas lutas. Sempre no interesse do nosso povo e do País», prometeu.
Relativamente aos outros partidos, nomeadamente PS, PSD e CDS, João Ferreira acusou-os e «continuarem a fazer o que têm feito desde sempre, subservientes às grandes potências e aos seus grupos económicos e contra os interesses de quem trabalha».
O número dois da CDU, criticou, de igual forma, o BE. «Um voto no BE seria, previsivelmente, a olhar para o que o actual deputado [Miguel Portas] não fez durante cinco anos, apenas multiplicar por dois o muito pouco que foi feito», destacou João Ferreira, acrescentando: «Seria um voto num europeísmo – assim auto-proclamado – de contornos indefinidos e confusos, sem alternativa à UE do grande capital».
Dai a importância do voto na CDU, a «única alternativa credível; uma alternativa de futuro para a construção de um Portugal de progresso e justiça social numa outra Europa de cooperação e paz. A força que pode abrir um caminho de esperança numa vida melhor e num Portugal com futuro para todos, e em particular, para os trabalhadores e as novas gerações».
Rúben de Carvalho
«O PS não fez obra»
Por seu lado, Rúben de Carvalho, candidato da CDU à Câmara de Lisboa, acusou António Costa de fazer campanha eleitoral com meios da autarquia. «Para o PS, na Câmara de Lisboa, a campanha eleitoral já começou e isso já se nota, e com os dinheiros da Câmara», denunciou, acrescentando: «O PS não fez obra, não corrigiu, não planificou, não resolveu problemas, não correspondeu às necessidades e anseios imperiosos da cidade, não resolveu o essencial da situação financeira e patrimonial, enquanto manteve as cedências à especulação imobiliária».