O retrato da falsidade
A recente edição do programa «Prós e contras» da RTP, com os cabeças de lista dos partidos com assento no Parlamento Europeu (PE), deu o mote para aquilo que se pode esperar da campanha eleitoral que se avizinha. Aí vieram à tona as velhas tácticas das classes dominantes e dos seus representantes, os quais recorreram às maiores falsidades e mistificações, dando o dito por não dito e o feito por não feito para manter o seu poder. Vendo e escutando os cabeças de lista do PS, PSD e CDS/PP, fica-se com a impressão de não terem estado por cá ou, se estiveram, nada tiveram que ver com as políticas que eles mesmo têm apoiado ou executado. Acusam-se de responsabilidades que, na verdade, são partilhadas, o que não deixa de ser o retrato mais fiel desta alternância sem alternativa. Na oposição ou no governo, com mais ou menos deputados no PE, o que esta gente quer é seguir pelo mesmo caminho que a sua opção de classe, ao serviço dos grandes grupos económicos e financeiros, impele. Foi também interessante ver o cabeça de lista do BE branquear Manuel Alegre e sua «autonomia de voto» na Assembleia da República, como se, afinal, ele não fosse deputado do PS no parlamento, dirigente desse mesmo partido há dezenas de anos e portanto responsável pelas políticas que estão na origem da crise.
Um dos temas em discussão era a «crise» e as eleições para o PE. Com o desplante que caracteriza os partidos da política de direita, todos eles procuraram atirar para um canto as responsabilidades que nela têm, como se o problema tivesse nascido por geração espontânea. Mas a paternidade da dita «crise» é cada vez mais evidente. Quando a cabeça de lista da CDU acusou as políticas que PS, PSD e CDS/PP têm desenvolvido ou apoiado em Portugal e na UE de estarem na origem da «crise»; quando acusou estes partidos de terem apoiado, entre outras, as principais políticas neoliberais do Pacto de Estabilidade, da liberalização e privatização dos serviços públicos essenciais como a segurança social, a energia, os transportes, os serviços postais, a liberalização do comércio internacional, o ataque aos direitos dos trabalhadores, à contratação colectiva e à acção sindical, a tentativa de aumentar os horários de trabalho e de os adaptar aos interesses do patronato, a apresentadora fez eco dos deputados do PS no PE presentes na sala, que os telespectadores não podiam ouvir, os quais acusavam a cabeça de lista da CDU de não estar a dizer a «verdade».
Todavia, logo na sessão plenária do PE que se iniciou no dia seguinte, os deputados do PS encarregaram-se de demonstrar quem afinal estava a mentir. O PE concluía a última fase do processo de liberalização do mercado do gás e da electricidade e, como em etapas anteriores do processo, os deputados do PS, acompanhados pelos do PSD e CDS/PP votaram favoravelmente. O seu voto favorável não é um voto sem efeito ou abstracto, como por vezes querem fazer crer. É uma opção clara e concreta por uma política que aliena parte da nossa soberania energética, que abre ainda mais o mercado nacional à entrada de empresas estrangeiras e ao aumento dos preços, quando em Portugal as famílias e as micro e PME continuam a pagar preços muito superiores aos praticados, em média, nos países da UE.
Esta sessão plenária não se ficou por aqui no evidenciar das responsabilidades destes partidos. O PE aprovou em primeira leitura a proposta de directiva relativa à «aplicação dos direitos dos doentes nos cuidados de saúde transfronteiriços». A União Europeia não tem ainda competências para regular as questões relacionadas com os cuidados de saúde e pretende com esta proposta subtrair competências dos Estados e ao mesmo tempo alargar o campo de aplicação do mercado interno, ou seja a concorrência, aos cuidados de saúde, liberalizando e mercantilizando a saúde.
Estes não foram actos isolados. Pelo contrário. Esta é a marca destes partidos: prometer uma coisa e fazer o oposto. Esta acção tem contado com o beneplácito da comunicação social dominante que, claramente, não denúncia estas incoerências, apesar dessa informação lhe ser enviada, e ignora as propostas alternativas que temos apresentado. A campanha eleitoral que se avizinha exige de todos os militantes do Partido e activistas da CDU um grande empenhamento na informação, denúncia e mobilização para a luta da crescente massa de descontentes que, confiamos, a 7 de Junho, engrossarão as fileiras da CDU.
Um dos temas em discussão era a «crise» e as eleições para o PE. Com o desplante que caracteriza os partidos da política de direita, todos eles procuraram atirar para um canto as responsabilidades que nela têm, como se o problema tivesse nascido por geração espontânea. Mas a paternidade da dita «crise» é cada vez mais evidente. Quando a cabeça de lista da CDU acusou as políticas que PS, PSD e CDS/PP têm desenvolvido ou apoiado em Portugal e na UE de estarem na origem da «crise»; quando acusou estes partidos de terem apoiado, entre outras, as principais políticas neoliberais do Pacto de Estabilidade, da liberalização e privatização dos serviços públicos essenciais como a segurança social, a energia, os transportes, os serviços postais, a liberalização do comércio internacional, o ataque aos direitos dos trabalhadores, à contratação colectiva e à acção sindical, a tentativa de aumentar os horários de trabalho e de os adaptar aos interesses do patronato, a apresentadora fez eco dos deputados do PS no PE presentes na sala, que os telespectadores não podiam ouvir, os quais acusavam a cabeça de lista da CDU de não estar a dizer a «verdade».
Todavia, logo na sessão plenária do PE que se iniciou no dia seguinte, os deputados do PS encarregaram-se de demonstrar quem afinal estava a mentir. O PE concluía a última fase do processo de liberalização do mercado do gás e da electricidade e, como em etapas anteriores do processo, os deputados do PS, acompanhados pelos do PSD e CDS/PP votaram favoravelmente. O seu voto favorável não é um voto sem efeito ou abstracto, como por vezes querem fazer crer. É uma opção clara e concreta por uma política que aliena parte da nossa soberania energética, que abre ainda mais o mercado nacional à entrada de empresas estrangeiras e ao aumento dos preços, quando em Portugal as famílias e as micro e PME continuam a pagar preços muito superiores aos praticados, em média, nos países da UE.
Esta sessão plenária não se ficou por aqui no evidenciar das responsabilidades destes partidos. O PE aprovou em primeira leitura a proposta de directiva relativa à «aplicação dos direitos dos doentes nos cuidados de saúde transfronteiriços». A União Europeia não tem ainda competências para regular as questões relacionadas com os cuidados de saúde e pretende com esta proposta subtrair competências dos Estados e ao mesmo tempo alargar o campo de aplicação do mercado interno, ou seja a concorrência, aos cuidados de saúde, liberalizando e mercantilizando a saúde.
Estes não foram actos isolados. Pelo contrário. Esta é a marca destes partidos: prometer uma coisa e fazer o oposto. Esta acção tem contado com o beneplácito da comunicação social dominante que, claramente, não denúncia estas incoerências, apesar dessa informação lhe ser enviada, e ignora as propostas alternativas que temos apresentado. A campanha eleitoral que se avizinha exige de todos os militantes do Partido e activistas da CDU um grande empenhamento na informação, denúncia e mobilização para a luta da crescente massa de descontentes que, confiamos, a 7 de Junho, engrossarão as fileiras da CDU.