Ânimo para o combate!
Num ano em que se exigirá uma «mobilização total da organização», o PCP assinalou o seu aniversário no Alentejo com um grande almoço em Castro Verde, com mais de 1300 pessoas.
Algumas organizações duplicaram a meta de participação
O pavilhão desportivo de Castro Verde, onde se realizou o almoço comemorativo do 88.º aniversário do Partido, estava preparado para receber mais de 1200 convivas. Mas, como sempre acontece nestas ocasiões, acabaram por aparecer mais, que resolveram à última da hora juntar-se ao convívio.
E ninguém ficou sem almoçar, graças ao recurso a umas quantas mesas suplementares montadas nos poucos recantos ainda livres e a um espontâneo mas muito eficaz sistema de rotação – enquanto uns iam terminando a refeição e dirigindo-se para a fila do café, logo outros ocupavam o seu lugar para, também eles, poderem almoçar.
No final do almoço, que deixou todos visivelmente agradados, seguiu-se o comício, realizado na rua, ao lado do pavilhão. Antes das intervenções, a música de intervenção, com alguns temas de Zeca Afonso e outras canções do 25 de Abril, que emocionou os mais velhos e entusiasmou também os mais novos – e tantos que eram...
Depois de Carina Castro, da JCP, e de Miguel Madeira, da Direcção Regional do Alentejo e do Comité Central (ver caixa), coube a Jerónimo de Sousa tomar a palavra para destacar o momento especial em que se comemoram os 88 anos do Partido: «um momento alto e de grande afirmação e vigor da luta dos trabalhadores, dos agricultores, dos jovens e do povo português.» Todos eles, prosseguiu, com a sua «disponibilidade e presença combativa», rompem com o «conformismo e a resignação que os poderes dominantes querem impor no País» e «não se rendem à inevitabilidade de verem as suas vidas piorar a cada dia que passa».
Para o Secretário-geral do PCP, trata-se de um momento de «grandes lutas que revigoram a esperança e a confiança numa vida melhor». Uma busca que, garantiu, «esteve e está sempre presente na luta dos comunistas portugueses».
Quando o dirigente comunistas declarou que o PCP era um partido «preparado para enfrentar os mais exigentes desafios», os participantes no comício entusiasmaram-se, confirmando as suas palavras. Em seguida, destacou um: «Desafios como o que acabámos de lançar com a convocação para o dia 23 de Maio próximo de uma grande Marcha de protesto, ruptura e confiança a realizar em Lisboa e que será uma grande manifestação de oposição à política de direita.» Os punhos ergueram-se, como que dizendo «presente!»
Governo agrava crise
Nos primeiros meses do ano, segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, contam-se mais 53 mil desempregados. Para Jerónimo de Sousa, isto mostra a «incapacidade do Governo para conter a crise». Entretanto, realçou, o Governo «continua a rejeitar teimosamente a proposta do PCP de alteração das regras de atribuição do subsídio de desemprego».
O saldo de quatro anos de Governo do PS passa ainda pelos ataques «sem precedentes» aos direitos sociais e laborais dos trabalhadores da administração pública e do sector privado; pelo agravamento dos défices estruturais do País; pelo abandono do sector agrícola; pela destruição de serviços públicos, nomeadamente de educação e saúde; pela ofensiva contra a Segurança Social pública, universal e solidária, com a drástica redução das reformas e pensões.
Assim, concluiu o Secretário-geral do PCP, o que o Governo tem a apresentar na hora do balanço «é um País em recessão, mais dependente e endividado e, particularmente, mais injusto». A desculpa com a crise do capitalismo internacional não colhe, pois «quem o ouve falar até poderá pensar que este PS de José Sócrates não tem nada a ver com estas políticas a favor do grande capital financeiro e dos grandes monopólios que estão na origem da crise». Lembrando as terríveis consequências da crise para muitos milhares de portugueses, Jerónimo de Sousa acusou o Governo de apenas ter ajudado com milhões os bancos e as grandes empresas.
Este ano, lembrou, «vai exigir de todos nós uma grande disponibilidade, um grande esforço, uma grande dedicação para responder com êxito às solicitações». Pela frente, prosseguiu, há três actos eleitorais, a mobilização e dinamização da luta de massas, o reforço do Partido. Tudo isto exige, garantiu, a «total mobilização das potencialidades da organização» partidária.
Terra de luta
A luta percorre o País e também se tem intensificado no Alentejo, salientou, na sua intervenção, Miguel Madeira. O responsável pela Direcção da Organização Regional de Beja do PCP, falando em nome das quatro organizações do Partido no Alentejo, expressou a solidariedade dos comunistas aos trabalhadores das Pirites Alentejanas, da Tyco, do Parque Industrial de Vendas Novas, da Administração Pública central e local, do sector corticeiro, das rochas ornamentais, bem como aos de outros sectores.
Sobre as eleições, o dirigente comunista considerou-as «um momento e uma oportunidade para condenar nas urnas as opções políticas do PS». Mas, ao mesmo tempo, podem e devem constituir «um ponto de reencontro com o PCP e a CDU de todos quantos em cada dia e nas pequenas e grandes lutas, no Alentejo e no País, se opõem e querem romper com a política de direita».
«Que podem o PS e a direita continuar a oferecer ao nosso povo, ao povo alentejano? Falsas promessas? Expectativas defraudadas? Mais injustiças e desigualdades? Mais desemprego e precariedade? Mais pobreza e miséria? Ataques à segurança social pública, universal e solidária? Destruição do aparelho produtivo e da actividade agrícola? Encerramento de escolas, maternidades, e centros de saúde?»
Antes, já Carina Castro, do Secretariado e da Comissão Política da JCP, tinha salientado a situação da juventude no Alentejo. Como no País, marcada pelo desemprego, pela precariedade, pela crescente elitização do ensino, pelas barreiras no acesso à habitação...
No Ensino Secundário, há escolas degradadas e sem condições (a de Alcácer do Sal é conhecida por «Bósnia») e estudantes que ficam fora de casa entre as 6 da manhã e as 20 devido à escassez de transportes. No Ensino Superior, há cantinas que não servem jantares e residências sem água quente. Em ambos os casos, há também as políticas nacionais – elitizadoras e privatizadoras. Caso particularmente revelador é a presença, no Conselho Geral da Universidade de Évora, de «notáveis» como Américo Amorim, Rui Nabeiro ou Adriano Moreira.
Em ambos os sectores, a luta também se travou no Alentejo, destacou a jovem comunista.
E ninguém ficou sem almoçar, graças ao recurso a umas quantas mesas suplementares montadas nos poucos recantos ainda livres e a um espontâneo mas muito eficaz sistema de rotação – enquanto uns iam terminando a refeição e dirigindo-se para a fila do café, logo outros ocupavam o seu lugar para, também eles, poderem almoçar.
No final do almoço, que deixou todos visivelmente agradados, seguiu-se o comício, realizado na rua, ao lado do pavilhão. Antes das intervenções, a música de intervenção, com alguns temas de Zeca Afonso e outras canções do 25 de Abril, que emocionou os mais velhos e entusiasmou também os mais novos – e tantos que eram...
Depois de Carina Castro, da JCP, e de Miguel Madeira, da Direcção Regional do Alentejo e do Comité Central (ver caixa), coube a Jerónimo de Sousa tomar a palavra para destacar o momento especial em que se comemoram os 88 anos do Partido: «um momento alto e de grande afirmação e vigor da luta dos trabalhadores, dos agricultores, dos jovens e do povo português.» Todos eles, prosseguiu, com a sua «disponibilidade e presença combativa», rompem com o «conformismo e a resignação que os poderes dominantes querem impor no País» e «não se rendem à inevitabilidade de verem as suas vidas piorar a cada dia que passa».
Para o Secretário-geral do PCP, trata-se de um momento de «grandes lutas que revigoram a esperança e a confiança numa vida melhor». Uma busca que, garantiu, «esteve e está sempre presente na luta dos comunistas portugueses».
Quando o dirigente comunistas declarou que o PCP era um partido «preparado para enfrentar os mais exigentes desafios», os participantes no comício entusiasmaram-se, confirmando as suas palavras. Em seguida, destacou um: «Desafios como o que acabámos de lançar com a convocação para o dia 23 de Maio próximo de uma grande Marcha de protesto, ruptura e confiança a realizar em Lisboa e que será uma grande manifestação de oposição à política de direita.» Os punhos ergueram-se, como que dizendo «presente!»
Governo agrava crise
Nos primeiros meses do ano, segundo dados do Instituto de Emprego e Formação Profissional, contam-se mais 53 mil desempregados. Para Jerónimo de Sousa, isto mostra a «incapacidade do Governo para conter a crise». Entretanto, realçou, o Governo «continua a rejeitar teimosamente a proposta do PCP de alteração das regras de atribuição do subsídio de desemprego».
O saldo de quatro anos de Governo do PS passa ainda pelos ataques «sem precedentes» aos direitos sociais e laborais dos trabalhadores da administração pública e do sector privado; pelo agravamento dos défices estruturais do País; pelo abandono do sector agrícola; pela destruição de serviços públicos, nomeadamente de educação e saúde; pela ofensiva contra a Segurança Social pública, universal e solidária, com a drástica redução das reformas e pensões.
Assim, concluiu o Secretário-geral do PCP, o que o Governo tem a apresentar na hora do balanço «é um País em recessão, mais dependente e endividado e, particularmente, mais injusto». A desculpa com a crise do capitalismo internacional não colhe, pois «quem o ouve falar até poderá pensar que este PS de José Sócrates não tem nada a ver com estas políticas a favor do grande capital financeiro e dos grandes monopólios que estão na origem da crise». Lembrando as terríveis consequências da crise para muitos milhares de portugueses, Jerónimo de Sousa acusou o Governo de apenas ter ajudado com milhões os bancos e as grandes empresas.
Este ano, lembrou, «vai exigir de todos nós uma grande disponibilidade, um grande esforço, uma grande dedicação para responder com êxito às solicitações». Pela frente, prosseguiu, há três actos eleitorais, a mobilização e dinamização da luta de massas, o reforço do Partido. Tudo isto exige, garantiu, a «total mobilização das potencialidades da organização» partidária.
Terra de luta
A luta percorre o País e também se tem intensificado no Alentejo, salientou, na sua intervenção, Miguel Madeira. O responsável pela Direcção da Organização Regional de Beja do PCP, falando em nome das quatro organizações do Partido no Alentejo, expressou a solidariedade dos comunistas aos trabalhadores das Pirites Alentejanas, da Tyco, do Parque Industrial de Vendas Novas, da Administração Pública central e local, do sector corticeiro, das rochas ornamentais, bem como aos de outros sectores.
Sobre as eleições, o dirigente comunista considerou-as «um momento e uma oportunidade para condenar nas urnas as opções políticas do PS». Mas, ao mesmo tempo, podem e devem constituir «um ponto de reencontro com o PCP e a CDU de todos quantos em cada dia e nas pequenas e grandes lutas, no Alentejo e no País, se opõem e querem romper com a política de direita».
«Que podem o PS e a direita continuar a oferecer ao nosso povo, ao povo alentejano? Falsas promessas? Expectativas defraudadas? Mais injustiças e desigualdades? Mais desemprego e precariedade? Mais pobreza e miséria? Ataques à segurança social pública, universal e solidária? Destruição do aparelho produtivo e da actividade agrícola? Encerramento de escolas, maternidades, e centros de saúde?»
Antes, já Carina Castro, do Secretariado e da Comissão Política da JCP, tinha salientado a situação da juventude no Alentejo. Como no País, marcada pelo desemprego, pela precariedade, pela crescente elitização do ensino, pelas barreiras no acesso à habitação...
No Ensino Secundário, há escolas degradadas e sem condições (a de Alcácer do Sal é conhecida por «Bósnia») e estudantes que ficam fora de casa entre as 6 da manhã e as 20 devido à escassez de transportes. No Ensino Superior, há cantinas que não servem jantares e residências sem água quente. Em ambos os casos, há também as políticas nacionais – elitizadoras e privatizadoras. Caso particularmente revelador é a presença, no Conselho Geral da Universidade de Évora, de «notáveis» como Américo Amorim, Rui Nabeiro ou Adriano Moreira.
Em ambos os sectores, a luta também se travou no Alentejo, destacou a jovem comunista.