População contra a privatização da água
Uma grande maioria dos portugueses (69%) é contrária à privatização ou gestão privada dos serviços de abastecimento de água e saneamento, e defende a sua manutenção sob gestão municipal, concluiu a primeira sondagem feita em Portugal sobre esta matéria, encomendada pelo STAL/CGTP-IN à Marktest.
Para 99 por cento dos inquiridos a água deve ser assegurada a todos
A sondagem demonstrou claramente que cerca de três quartos da população discordam da privatização do sector da água e saneamento e da retirada da sua gestão às autarquias, de forma fundamentada, numa altura em que o Governo PS prossegue com a anterior politica de direita, tentando transformar a água e os serviços públicos a ela relacionados em mercadorias como as demais.
«São indicações muito valiosas, resultantes de um estudo de uma entidade independente, que reforçam a argumentação do STAL na luta em defesa da água pública, contra o negócio da sua privatização, e dos serviços de abastecimento e saneamento», considerou o presidente do sindicato, Francisco Braz, na conferência de imprensa que, ignorada por toda a comunicação social, salvo o e a Lusa, teve lugar, dia 5, na sede nacional do sindicato.
Ao apresentar detalhadamente os resultados da sondagem que inequivocamente confirma o repúdio do povo português pela privatização da água e dos serviços públicos a ela associados, o doutor Carlos Esteves, em representação da entidade que efectuou a sondagem, salientou, em síntese, que todos os resultados do questionário, efectuado em território nacional durante os dias 6 e 15 de Janeiro, resultaram da recolha das opiniões da população a perguntas «abertas, espontâneas, e sem qualquer pré-definição das respostas».
Como explicou Francisco Braz,com este apurar de opiniões, o sindicato pretendeu não só determinar a opinião da população sobre os processos de privatização e da retirada das correspondentes competências aos municípios, mas também medir o grau de cobertura e satisfação com os serviços púbicos existentes nesta área, identificando os critérios mais importantes, para os utentes, quanto à gestão destes serviços.
Os portugueses afirmaram inequivocamente que a água, saneamento e resíduos sólidos são direitos sociais e humanos que não podem ser reduzidos à mera lógica do lucro e expressam a sua confiança nas autarquias enquanto órgãos democráticos para continuarem a assegurar aqueles serviços.
As preocupações ambientais também tiveram importante significado entre os entrevistados. Uma expressiva maioria de inquiridos (86,7%) considerou que a protecção do ambiente constitui uma característica «importante» ou «muito importante» da gestão dos serviços públicos. Seguem-se como critério prioritários a «qualidade» (85,9%); a «universalidade do acesso» (83,5%); «boas condições de trabalho dos funcionários» (81,9%); «participação dos cidadãos» (80%); e «transparência das decisões» (72,6%).
Não à privatização!
Estabelecendo uma relação entre a garantia deste direito e a gestão pública do serviço, uma clara maioria (69%) recusa que os serviços de abastecimento de água e saneamento sejam privatizados, geridos por empresas privadas. Dos que assim responderam, 88,2 por cento valorizam o facto de que «a água é de todos», 83,2 que se trata de «um serviço público essencial» e 77,4 por cento considera que a privatização compromete «o acesso à água por pessoas de menores rendimentos». Registaram-se resultados igualmente significativos sobre outras consequências da privatização: «os preços aumentam mais do que o esperado» (72,3%); «os direitos dos trabalhadores diminuem» (66,3%); «a qualidade do serviço diminui (65,3%); «os lucros passarão a estar em primeiro lugar (62,1%).
Quase todas as repostas, 99 por cento, consideraram que «o acesso à água é um direito que deve ser assegurado a todas as pessoas independentemente da sua condição económica e social e da região onde habitem».
Gestão pública é melhor
A sondagem revelou que a maioria da população está satisfeita ou muito satisfeita com os serviços prestados. Numa escala de zero a dez, as classificações médias mais elevadas foram atribuídas aos serviços de água, designadamente relativos à «continuidade do fornecimento de água» (8.0) e à «qualidade da água distribuída»(7.4). No primeiro critério, 36,2 por cento declararam-se «satisfeitos» e 40,6 «muito satisfeitos», enquanto no segundo critério, 40,4 por cento estão «satisfeitos», e 30,5 por cento «muito satisfeitos».
A «facilidade de contacto» proporcionada pelas autarquias foi também apreciada na sondagem obtendo uma classificação média de 6.4 valores, notando-se uma menor satisfação com «o tipo de informação fornecida pelos serviços» (5.9), com a higiene dos contentores (5.6) e com os «valores facturados» (5.5).
Os números
Uma maior atenção dada pelas autarquias às necessidades da população foi o argumento mais invocado para a não retirada de competências. Vejamos agora as respostas destas face ao problema:
«Na sua opinião o abastecimento de água e tratamento de esgotos deve ser privatizado (geridos por empresas privadas?)»
Sim – 31%
Não - 69%
«Concorda com a retirada de competências às Câmaras Municipais?»
Sim – 20,6%
Não – 79,4%
«Porque não concorda com a retirada de competências aos municípios?»
- As Câmaras estão mais atentas às necessidades da população - 25,2%
- Os serviços fornecidos pelas autarquias são bons - 11%
- Os preços vão aumentar – 10,5%
- Deve continuar a ser um serviço público – 10,5%
- Os serviços são melhor geridos localmente – 10,1%
- Não sabe/não responde – 11,9%
Ficha técnica
Com explicou o responsável da Marktest, entre os dias 6 e 15 de Janeiro foram entrevistadas 801 pessoas, com 25 ou mais anos, de ambos os sexos, residentes em Portugal continental. A sondagem tem uma margem de erro em torno dos 3.46%, e um grau de confiança de 95 por cento.
«São indicações muito valiosas, resultantes de um estudo de uma entidade independente, que reforçam a argumentação do STAL na luta em defesa da água pública, contra o negócio da sua privatização, e dos serviços de abastecimento e saneamento», considerou o presidente do sindicato, Francisco Braz, na conferência de imprensa que, ignorada por toda a comunicação social, salvo o e a Lusa, teve lugar, dia 5, na sede nacional do sindicato.
Ao apresentar detalhadamente os resultados da sondagem que inequivocamente confirma o repúdio do povo português pela privatização da água e dos serviços públicos a ela associados, o doutor Carlos Esteves, em representação da entidade que efectuou a sondagem, salientou, em síntese, que todos os resultados do questionário, efectuado em território nacional durante os dias 6 e 15 de Janeiro, resultaram da recolha das opiniões da população a perguntas «abertas, espontâneas, e sem qualquer pré-definição das respostas».
Como explicou Francisco Braz,com este apurar de opiniões, o sindicato pretendeu não só determinar a opinião da população sobre os processos de privatização e da retirada das correspondentes competências aos municípios, mas também medir o grau de cobertura e satisfação com os serviços púbicos existentes nesta área, identificando os critérios mais importantes, para os utentes, quanto à gestão destes serviços.
Os portugueses afirmaram inequivocamente que a água, saneamento e resíduos sólidos são direitos sociais e humanos que não podem ser reduzidos à mera lógica do lucro e expressam a sua confiança nas autarquias enquanto órgãos democráticos para continuarem a assegurar aqueles serviços.
As preocupações ambientais também tiveram importante significado entre os entrevistados. Uma expressiva maioria de inquiridos (86,7%) considerou que a protecção do ambiente constitui uma característica «importante» ou «muito importante» da gestão dos serviços públicos. Seguem-se como critério prioritários a «qualidade» (85,9%); a «universalidade do acesso» (83,5%); «boas condições de trabalho dos funcionários» (81,9%); «participação dos cidadãos» (80%); e «transparência das decisões» (72,6%).
Não à privatização!
Estabelecendo uma relação entre a garantia deste direito e a gestão pública do serviço, uma clara maioria (69%) recusa que os serviços de abastecimento de água e saneamento sejam privatizados, geridos por empresas privadas. Dos que assim responderam, 88,2 por cento valorizam o facto de que «a água é de todos», 83,2 que se trata de «um serviço público essencial» e 77,4 por cento considera que a privatização compromete «o acesso à água por pessoas de menores rendimentos». Registaram-se resultados igualmente significativos sobre outras consequências da privatização: «os preços aumentam mais do que o esperado» (72,3%); «os direitos dos trabalhadores diminuem» (66,3%); «a qualidade do serviço diminui (65,3%); «os lucros passarão a estar em primeiro lugar (62,1%).
Quase todas as repostas, 99 por cento, consideraram que «o acesso à água é um direito que deve ser assegurado a todas as pessoas independentemente da sua condição económica e social e da região onde habitem».
Gestão pública é melhor
A sondagem revelou que a maioria da população está satisfeita ou muito satisfeita com os serviços prestados. Numa escala de zero a dez, as classificações médias mais elevadas foram atribuídas aos serviços de água, designadamente relativos à «continuidade do fornecimento de água» (8.0) e à «qualidade da água distribuída»(7.4). No primeiro critério, 36,2 por cento declararam-se «satisfeitos» e 40,6 «muito satisfeitos», enquanto no segundo critério, 40,4 por cento estão «satisfeitos», e 30,5 por cento «muito satisfeitos».
A «facilidade de contacto» proporcionada pelas autarquias foi também apreciada na sondagem obtendo uma classificação média de 6.4 valores, notando-se uma menor satisfação com «o tipo de informação fornecida pelos serviços» (5.9), com a higiene dos contentores (5.6) e com os «valores facturados» (5.5).
Os números
Uma maior atenção dada pelas autarquias às necessidades da população foi o argumento mais invocado para a não retirada de competências. Vejamos agora as respostas destas face ao problema:
«Na sua opinião o abastecimento de água e tratamento de esgotos deve ser privatizado (geridos por empresas privadas?)»
Sim – 31%
Não - 69%
«Concorda com a retirada de competências às Câmaras Municipais?»
Sim – 20,6%
Não – 79,4%
«Porque não concorda com a retirada de competências aos municípios?»
- As Câmaras estão mais atentas às necessidades da população - 25,2%
- Os serviços fornecidos pelas autarquias são bons - 11%
- Os preços vão aumentar – 10,5%
- Deve continuar a ser um serviço público – 10,5%
- Os serviços são melhor geridos localmente – 10,1%
- Não sabe/não responde – 11,9%
Ficha técnica
Com explicou o responsável da Marktest, entre os dias 6 e 15 de Janeiro foram entrevistadas 801 pessoas, com 25 ou mais anos, de ambos os sexos, residentes em Portugal continental. A sondagem tem uma margem de erro em torno dos 3.46%, e um grau de confiança de 95 por cento.