Professores reforçaram a unidade
Mais de dez mil professores cumpriram uma marcante jornada de luta, formando um longo cordão humano de protesto, que ligou, dia 7, o Ministério da Educação à Assembleia da República, em Lisboa.
«O ME vai arrepender-se de não ter negociado alternativas»
«Os professores sairão novamente à rua, talvez muito mais cedo e em momento mais incómodo do que o Governo gostaria», avisou o secretário-geral da Fenprof e porta-voz da Plataforma Sindical de Professores, Mário Nogueira, na intervenção que encerrou a acção.
«Nunca nenhum cordão humano de protesto tinha conseguido encher de manifestantes, no final da acção, este largo diante das escadarias da Assembleia da República», salientou Mário Nogueira, congratulando os docentes pelo sucesso da luta que, durante o percurso e em São Bento, exigiram a demissão da equipa ministerial da Educação e também de todo o Governo PS, cujos representantes foram sendo colectivamente vaiados, sempre que foram recordados nas intervenções.
Provenientes de todas as regiões, ao início da tarde os professores dividiram-se por três locais de concentração, a partir dos quais se uniram, completando ininterruptamente o cordão humano, do Ministério da Educação (ME) até São Bento. Outro ponto de concentração da acção foi a rotunda do Marquês, e um terceiro, o Largo do Rato.
No ME, uma delegação sindical entregou ao chefe de gabinete do secretário de Estado, Jorge Pedreira, uma carta com as reivindicações dos docentes, posteriormente também entregue aos grupos parlamentares e deposta na residência oficial do primeiro-ministro, onde não esteve nenhum representante de José sócrates para receber o documento.
O grupo parlamentar do PCP foi o primeiro a iniciar os encontros com as delegações sindicais, através dos deputados Bernardino Soares e Miguel Tiago.
Antecedendo a intervenção de Mário Nogueira, representantes de todos os sindicatos da Plataforma também se congratularam com o sucesso do maior cordão humano de protesto de sempre, feito por professores, em Portugal.
Levar a luta até ao voto
«Talvez não seja possível forçar este Governo a resolver os problemas, mas, se em vésperas de eleições, os partidos políticos se comprometerem com as nossas propostas, talvez nos ajudem a decidir onde votar», afirmou Mário Nogueira, salientando que «o voto deve ser entregue a quem assuma compromissos e tenha propostas concretas para resolver os problemas».
Embora tenha recordado que a luta também continua no plano jurídico, o dirigente sindical considerou que «não será o recurso aos tribunais a solucionar os problemas, porque só na luta e na acção, nos locais de trabalho, no esclarecimento, no debate e na discussão é que poderemos vencer».
Prevendo que possam surgir acusações aos professores, por a sua luta poder vir a coincidir com o fim do ano lectivo ou com o período eleitoral, o dirigente sindical lembrou que os professores deram «todas as oportunidades para o ME resolver todos os problemas, nas negociações, mas a tutela deitou fora a oportunidade e vai arrepender-se de não ter negociado», garantiu.
«Se a luta continua, ela deve-se à falta de abertura do Ministério da Educação para negociar, durante as reuniões», considerou Mário Nogueira. Nas reuniões respeitantes à avaliação de desempenho, «a ministra Maria de Lurdes Rodrigues disse que a reunião era de agenda aberta, mas as decisões já estavam tomadas», recordou.
Nas quatro reuniões subordinadas à revisão do Estatuto da Carreira Docente, «o ME reafirmou que não abre mão da divisão da profissão em duas categorias, não deixa cair a prova de ingresso, não abdica das quotas na avaliação e é incapaz de apresentar uma proposta concreta de avaliação de desempenho, ao contrário do que fizeram as organizações sindicais».
Travar a avaliação
No propósito de bloquear o modelo de avaliação de desempenho contestado pela quase totalidade dos professores, a Fenprof entregou, terça-feira, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, a quarta providência cautelar com o mesmo objectivo. A segunda foi entregue dia 5, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra, e a terceira, no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, no dia seguinte, tendo a primeira chegado, na semana anterior, ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa. A Fenprof pretende, assim, anular a decisão do ME de impedir o acesso à progressão na carreira aos docentes que não entregaram os seus objectivos individuais, em todos os casos em que os conselhos executivos decidam não fixar tais objectivos.
«Nunca nenhum cordão humano de protesto tinha conseguido encher de manifestantes, no final da acção, este largo diante das escadarias da Assembleia da República», salientou Mário Nogueira, congratulando os docentes pelo sucesso da luta que, durante o percurso e em São Bento, exigiram a demissão da equipa ministerial da Educação e também de todo o Governo PS, cujos representantes foram sendo colectivamente vaiados, sempre que foram recordados nas intervenções.
Provenientes de todas as regiões, ao início da tarde os professores dividiram-se por três locais de concentração, a partir dos quais se uniram, completando ininterruptamente o cordão humano, do Ministério da Educação (ME) até São Bento. Outro ponto de concentração da acção foi a rotunda do Marquês, e um terceiro, o Largo do Rato.
No ME, uma delegação sindical entregou ao chefe de gabinete do secretário de Estado, Jorge Pedreira, uma carta com as reivindicações dos docentes, posteriormente também entregue aos grupos parlamentares e deposta na residência oficial do primeiro-ministro, onde não esteve nenhum representante de José sócrates para receber o documento.
O grupo parlamentar do PCP foi o primeiro a iniciar os encontros com as delegações sindicais, através dos deputados Bernardino Soares e Miguel Tiago.
Antecedendo a intervenção de Mário Nogueira, representantes de todos os sindicatos da Plataforma também se congratularam com o sucesso do maior cordão humano de protesto de sempre, feito por professores, em Portugal.
Levar a luta até ao voto
«Talvez não seja possível forçar este Governo a resolver os problemas, mas, se em vésperas de eleições, os partidos políticos se comprometerem com as nossas propostas, talvez nos ajudem a decidir onde votar», afirmou Mário Nogueira, salientando que «o voto deve ser entregue a quem assuma compromissos e tenha propostas concretas para resolver os problemas».
Embora tenha recordado que a luta também continua no plano jurídico, o dirigente sindical considerou que «não será o recurso aos tribunais a solucionar os problemas, porque só na luta e na acção, nos locais de trabalho, no esclarecimento, no debate e na discussão é que poderemos vencer».
Prevendo que possam surgir acusações aos professores, por a sua luta poder vir a coincidir com o fim do ano lectivo ou com o período eleitoral, o dirigente sindical lembrou que os professores deram «todas as oportunidades para o ME resolver todos os problemas, nas negociações, mas a tutela deitou fora a oportunidade e vai arrepender-se de não ter negociado», garantiu.
«Se a luta continua, ela deve-se à falta de abertura do Ministério da Educação para negociar, durante as reuniões», considerou Mário Nogueira. Nas reuniões respeitantes à avaliação de desempenho, «a ministra Maria de Lurdes Rodrigues disse que a reunião era de agenda aberta, mas as decisões já estavam tomadas», recordou.
Nas quatro reuniões subordinadas à revisão do Estatuto da Carreira Docente, «o ME reafirmou que não abre mão da divisão da profissão em duas categorias, não deixa cair a prova de ingresso, não abdica das quotas na avaliação e é incapaz de apresentar uma proposta concreta de avaliação de desempenho, ao contrário do que fizeram as organizações sindicais».
Travar a avaliação
No propósito de bloquear o modelo de avaliação de desempenho contestado pela quase totalidade dos professores, a Fenprof entregou, terça-feira, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, a quarta providência cautelar com o mesmo objectivo. A segunda foi entregue dia 5, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra, e a terceira, no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, no dia seguinte, tendo a primeira chegado, na semana anterior, ao Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa. A Fenprof pretende, assim, anular a decisão do ME de impedir o acesso à progressão na carreira aos docentes que não entregaram os seus objectivos individuais, em todos os casos em que os conselhos executivos decidam não fixar tais objectivos.