A actividade do PCP no Parlamento Europeu
Estamos a cerca de três meses das eleições para o Parlamento Europeu que se vão realizar num dos mais importantes momentos da luta de classes em Portugal e na própria União Europeia, quando cresce o descontentamento dos trabalhadores e das populações contra as consequências das políticas que promoveram as liberalizações e privatizações de sectores estratégicos e de serviços públicos, que desvalorizaram o trabalho, que intensificaram a exploração, que multiplicaram lucros e fortunas, agravaram desigualdades sociais e territoriais e aumentaram o desemprego e a pobreza.
Foi contra essas políticas que lutámos no Parlamento Europeu, dando voz às justas aspirações dos trabalhadores, sempre numa ligação estreita com a realidade do País e o nosso trabalho colectivo, as preocupações, os problemas de 1300 intervenções, cerca de 700 perguntas, dezenas de resoluções, relatórios e pareceres e centenas de propostas. As diversas organizações e sectores de actividade em Portugal sabem que, quando precisam que os seus problemas e dificuldades sejam levantados em Bruxelas ou Estrasburgo, contam com os dois deputados do PCP no Parlamento Europeu, eleitos na lista da CDU.
Numa ligação estreita com as organizações do PCP, ao longo destes cinco anos, percorremos diversas vezes o País, realizámos muitas centenas de reuniões e visitas com trabalhadores, agricultores e pescadores, industriais e comerciantes, tomámos conhecimento dos diferentes problemas que enfrentam as populações do interior e do litoral, no Continente e nas Regiões Autónomas, denunciámos a burocracia e as desigualdades na distribuição dos fundos comunitários, as dificuldades do acesso ao crédito dos micro, pequenos e médios empresários, os problemas das indústrias tradicionais resultantes da liberalização do comércio internacional, as consequências desastrosas das políticas monetárias que servem os interesses dos países mais ricos, mas foram um desastre para a nossa frágil estrutura produtiva.
Estivemos na primeira linha do combate contra a dita constituição europeia e o projecto de Tratado de Lisboa que se lhe seguiu, multiplicámos debates pelo País fora, realizámos iniciativas públicas para assinalar os 20 anos da adesão, insistimos na exigência do cumprimento da promessa eleitoral que PS e PSD fizeram, prometendo um referendo que, depois, rejeitaram, com medo do resultado.
Este trabalho ímpar que realizámos, útil para o País, para os trabalhadores, para a generalidade dos portugueses, é uma contribuição importante na batalha eleitoral que temos pela frente. Na nossa intervenção parlamentar esteve presente a exigência de apoios para ultrapassar rapidamente dependências e atrasos de Portugal, seja na produção agrícola, energética e tecnológica, seja para superar os atrasos em níveis de escolaridade, formação e investigação científica, na luta que desenvolvemos pela aprovação de projectos inovadores e estratégicos nas áreas da ciência, investigação e energia solar.
Hoje é mais visível que as vitórias que os governos portugueses apregoam e de que os deputados do PS; PSD e CDS se vangloriam são, afinal, derrotas, que os agricultores denunciam, que os pescadores sentem com a perda da soberania nas nossas águas, que os trabalhadores e as populações conhecem com o trabalho precário, o crescimento do desemprego, o ataque aos serviços públicos e as maiores desigualdades sociais. É nas políticas da União Europeia que é maior e mais profunda a convergência de políticas de PS, PSD e CDS/PP.(...)
A crise do capitalismo
(...) Tentando esconder o sol com uma peneira, os responsáveis pelas políticas que conduziram às inevitáveis crises que o capitalismo gera, multiplicam reuniões e cimeiras, falam da refundação do sistema, mas não beliscam os instrumentos que garantem a concentração e centralização da riqueza criada pelos trabalhadores cuja exploração querem aumentar, cá como lá.
As pequenas e grandes lutas que se multiplicam pelo País na defesa da produção, do emprego com direitos, do pagamento de salários em atraso, da manutenção de serviços públicos como a Saúde e a Educação, contra o desemprego e contra os ataques às liberdades, demonstram que os trabalhadores e as populações querem outra política e estão na luta pelas mudanças que se impõem. É essa luta que temos de ajudar a ir até ao voto na CDU para conseguir dar a resposta que urge na defesa dos ideais de Abril e na retoma das conquistas da revolução dos cravos, na luta que precisa de continuar depois das eleições, mas que se pode fazer em melhores condições.
Foi o desenvolvimento de lutas laborais importantes, de utentes de serviços públicos, dos professores e educadores, além dos votos negativos em três referendos nacionais, que dificultou a velocidade acelerada do projecto de aprofundamento da integração capitalista da União Europeia. Por isso, dizemos que é necessário dar toda a atenção ao que se passa no Parlamento Europeu.
No seio do Grupo da Esquerda Unitária Europeia lutamos pela ruptura com estas políticas, dizendo não à União Europeia dos directórios das grandes potências, rejeitando o reforço e a crescente intervenção militar, cada vez mais aliada aos EUA e à NATO. Recusamos a Europa fortaleza da vergonhosa directiva do retorno e do inadmissível pacto da imigração, a Europa do capital e do grande patronato europeu.
Agora, na preparação das eleições para o Parlamento Europeu, em 7 de Junho, temos oportunidade de reforçar a mobilização por uma política alternativa.
Estou convicta, que vamos lutar, todos em conjunto, pela ruptura com estas políticas e pelo reforço da participação da CDU no Parlamento Europeu, porque é útil para o País, porque é possível outra Europa de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos, sem abdicar da capacidade de Portugal defender os seus interesses vitais, do nosso povo decidir do seu destino colectivo, da sua forma de viver.
Queremos uma Europa apostada nos respeito dos direitos dos povos de todo o mundo, que reconheça a Palestina e os direitos do seu povo tão martirizado. Queremos o fim da ocupação do Iraque e do Afeganistão.
Aqui fica o enorme desafio de fazer destes meses que antecedem as eleições um tempo de protesto contra as políticas que conduziram Portugal e a União Europeia à situação que se vive, um tempo de luta pelas rupturas que se impõem, um tempo de divulgação das propostas alternativas que defendemos.
Aqui fica também todo o empenhamento, coragem e confiança de que juntos vamos prosseguir estas lutas, na convicção profunda de que é possível reforçar a mobilização, a participação nas eleições e o voto na CDU de quem está a ser vítima destas políticas, de quem anseia por uma vida melhor, pela justiça social, pela defesa dos interesses portugueses, pela igualdade, pela paz e democracia participativa, pelas conquistas da revolução de Abril.
Todos juntos vamos conseguir mais votos, mais deputados, mais autarcas da CDU, porque isso é essencial para a defesa da liberdade, da democracia, dos direitos dos trabalhadores, do progresso social, da solidariedade, de Portugal com futuro, de outra Europa e da paz no mundo.
● Ilda Figueiredo
Foi contra essas políticas que lutámos no Parlamento Europeu, dando voz às justas aspirações dos trabalhadores, sempre numa ligação estreita com a realidade do País e o nosso trabalho colectivo, as preocupações, os problemas de 1300 intervenções, cerca de 700 perguntas, dezenas de resoluções, relatórios e pareceres e centenas de propostas. As diversas organizações e sectores de actividade em Portugal sabem que, quando precisam que os seus problemas e dificuldades sejam levantados em Bruxelas ou Estrasburgo, contam com os dois deputados do PCP no Parlamento Europeu, eleitos na lista da CDU.
Numa ligação estreita com as organizações do PCP, ao longo destes cinco anos, percorremos diversas vezes o País, realizámos muitas centenas de reuniões e visitas com trabalhadores, agricultores e pescadores, industriais e comerciantes, tomámos conhecimento dos diferentes problemas que enfrentam as populações do interior e do litoral, no Continente e nas Regiões Autónomas, denunciámos a burocracia e as desigualdades na distribuição dos fundos comunitários, as dificuldades do acesso ao crédito dos micro, pequenos e médios empresários, os problemas das indústrias tradicionais resultantes da liberalização do comércio internacional, as consequências desastrosas das políticas monetárias que servem os interesses dos países mais ricos, mas foram um desastre para a nossa frágil estrutura produtiva.
Estivemos na primeira linha do combate contra a dita constituição europeia e o projecto de Tratado de Lisboa que se lhe seguiu, multiplicámos debates pelo País fora, realizámos iniciativas públicas para assinalar os 20 anos da adesão, insistimos na exigência do cumprimento da promessa eleitoral que PS e PSD fizeram, prometendo um referendo que, depois, rejeitaram, com medo do resultado.
Este trabalho ímpar que realizámos, útil para o País, para os trabalhadores, para a generalidade dos portugueses, é uma contribuição importante na batalha eleitoral que temos pela frente. Na nossa intervenção parlamentar esteve presente a exigência de apoios para ultrapassar rapidamente dependências e atrasos de Portugal, seja na produção agrícola, energética e tecnológica, seja para superar os atrasos em níveis de escolaridade, formação e investigação científica, na luta que desenvolvemos pela aprovação de projectos inovadores e estratégicos nas áreas da ciência, investigação e energia solar.
Hoje é mais visível que as vitórias que os governos portugueses apregoam e de que os deputados do PS; PSD e CDS se vangloriam são, afinal, derrotas, que os agricultores denunciam, que os pescadores sentem com a perda da soberania nas nossas águas, que os trabalhadores e as populações conhecem com o trabalho precário, o crescimento do desemprego, o ataque aos serviços públicos e as maiores desigualdades sociais. É nas políticas da União Europeia que é maior e mais profunda a convergência de políticas de PS, PSD e CDS/PP.(...)
A crise do capitalismo
(...) Tentando esconder o sol com uma peneira, os responsáveis pelas políticas que conduziram às inevitáveis crises que o capitalismo gera, multiplicam reuniões e cimeiras, falam da refundação do sistema, mas não beliscam os instrumentos que garantem a concentração e centralização da riqueza criada pelos trabalhadores cuja exploração querem aumentar, cá como lá.
As pequenas e grandes lutas que se multiplicam pelo País na defesa da produção, do emprego com direitos, do pagamento de salários em atraso, da manutenção de serviços públicos como a Saúde e a Educação, contra o desemprego e contra os ataques às liberdades, demonstram que os trabalhadores e as populações querem outra política e estão na luta pelas mudanças que se impõem. É essa luta que temos de ajudar a ir até ao voto na CDU para conseguir dar a resposta que urge na defesa dos ideais de Abril e na retoma das conquistas da revolução dos cravos, na luta que precisa de continuar depois das eleições, mas que se pode fazer em melhores condições.
Foi o desenvolvimento de lutas laborais importantes, de utentes de serviços públicos, dos professores e educadores, além dos votos negativos em três referendos nacionais, que dificultou a velocidade acelerada do projecto de aprofundamento da integração capitalista da União Europeia. Por isso, dizemos que é necessário dar toda a atenção ao que se passa no Parlamento Europeu.
No seio do Grupo da Esquerda Unitária Europeia lutamos pela ruptura com estas políticas, dizendo não à União Europeia dos directórios das grandes potências, rejeitando o reforço e a crescente intervenção militar, cada vez mais aliada aos EUA e à NATO. Recusamos a Europa fortaleza da vergonhosa directiva do retorno e do inadmissível pacto da imigração, a Europa do capital e do grande patronato europeu.
Agora, na preparação das eleições para o Parlamento Europeu, em 7 de Junho, temos oportunidade de reforçar a mobilização por uma política alternativa.
Estou convicta, que vamos lutar, todos em conjunto, pela ruptura com estas políticas e pelo reforço da participação da CDU no Parlamento Europeu, porque é útil para o País, porque é possível outra Europa de cooperação entre Estados soberanos e iguais em direitos, sem abdicar da capacidade de Portugal defender os seus interesses vitais, do nosso povo decidir do seu destino colectivo, da sua forma de viver.
Queremos uma Europa apostada nos respeito dos direitos dos povos de todo o mundo, que reconheça a Palestina e os direitos do seu povo tão martirizado. Queremos o fim da ocupação do Iraque e do Afeganistão.
Aqui fica o enorme desafio de fazer destes meses que antecedem as eleições um tempo de protesto contra as políticas que conduziram Portugal e a União Europeia à situação que se vive, um tempo de luta pelas rupturas que se impõem, um tempo de divulgação das propostas alternativas que defendemos.
Aqui fica também todo o empenhamento, coragem e confiança de que juntos vamos prosseguir estas lutas, na convicção profunda de que é possível reforçar a mobilização, a participação nas eleições e o voto na CDU de quem está a ser vítima destas políticas, de quem anseia por uma vida melhor, pela justiça social, pela defesa dos interesses portugueses, pela igualdade, pela paz e democracia participativa, pelas conquistas da revolução de Abril.
Todos juntos vamos conseguir mais votos, mais deputados, mais autarcas da CDU, porque isso é essencial para a defesa da liberdade, da democracia, dos direitos dos trabalhadores, do progresso social, da solidariedade, de Portugal com futuro, de outra Europa e da paz no mundo.
● Ilda Figueiredo