A ruptura com a política de direita – a alternância e a ilusão de soluções inconsequentes

O agravamento da crise do capitalismo, o rumo de 32 anos de política de direita da responsabilidade do PS, PSD e CDS-PP e as suas profundas consequências no plano económico, social e político, marcam a realidade dos tempos que vivemos.
Tempos exigentes em que prossegue a ofensiva daqueles que, a pretexto da crise, atacam os direitos dos trabalhadores, degradam as condições de vida e limitam as liberdades democráticas. As classes dominantes e o poder político que as serve, mudando alguns ingredientes, insistem nas mesmas receitas de sempre, com uma política de classe ao serviço dos seus privilégios e que se opõe e espezinha os interesses dos trabalhadores, do povo e do País. Antes invocaram o défice, agora invocam a crise, amanhã, se tiverem oportunidade, voltam a invocar o défice, sempre para agravar a exploração, as desigualdades e injustiças sociais, num rumo que compromete o futuro e empurra o País para o declínio.
Os responsáveis pelo que se está a passar no mundo e pela situação do País não têm mais nada para propor que não seja a continuação das receitas da exploração e da crise.
Neste ano em que se assinala o 35.º aniversário da Revolução de Abril, coloca-se como nunca, desde esses tempos de alegria, esperança e avanço, a necessidade da ruptura com a política de direita, a valorização das realizações, do projecto e dos valores de Abril, a luta por profundas transformações sociais, a construção duma sociedade nova.
É necessário um grande movimento de ruptura e de mudança, que assenta na ampliação da luta de massas e no fortalecimento do PCP e dos seus aliados, como elemento essencial para a convergência de todas as forças sociais e políticas que querem a ruptura com esta política e um novo caminho para Portugal.
A crítica, a indignação, o protesto, a luta, deverão estar associados às propostas, ao projecto, à confiança e à esperança, traduzidos na força da consigna «Sim, é possível uma vida melhor!».

Descontentamento crescente

As derrotas ideológicas do capital e dos seus defensores patentes na profundidade da crise do capitalismo, o descontentamento que cresce, o pressentimento que têm de que reais e profundas mudanças podem ocorrer, estão na base do desenvolvimento de uma intensa ofensiva de condicionamento e manipulação que procura limitar a expressão do protesto, a exigência de mudança e a afirmação consequente de uma opção política alternativa.
Durante muitos anos basearam-se na ideia da alternância no Governo entre PS e PSD, mudando siglas e caras mas continuando sempre a mesma política que conduziu à situação em que o País se encontra. Hoje continuam a recorrer a este estafado mecanismo de embuste mas, face às dificuldades do PSD, juntam-lhes elementos complementares.
Propalam a ideia que a situação de crise justificaria a necessidade do Governo PS e da maioria absoluta em nome duma falsa concepção de estabilidade, quando todos estamos a ver que a maioria absoluta significou a fragilização do País e a instabilidade de milhões de portugueses e das suas vidas.
Promovem ilusões e caminhos inconsequentes, favorecendo todos os que de facto não ponham em causa a política de direita, utilizando siglas partidárias existentes, lançando novas e tendo outras de reserva.
Por um lado destacam o CDS-PP, procuram fazer esquecer o seu envolvimento com o PSD em governos desastrosos, os sucessivos escândalos em que está envolvido e apoiam a sua acção populista.
Por outro lado, o BE é tratado como isco que freneticamente alimentam e a que dão lustro, pois pelo menos sempre pode servir para impedir que o apoio ao PCP e à CDU cresça com a dimensão que a situação propicia. Compreende-se que assim actuem, pois o BE é uma força política marcada pela inconsistência e inconstância e inconsequência, por uma oposição de palavras, gesticulação e radicalismo encenados, pelo sectarismo e iniciativas de divisão camuflados de frases de convergência, pelo federalismo e abdicação dos interesses nacionais, pela ausência de projecto autárquico bem patente nos ziguezagues de Lisboa e no atoleiro de Salvaterra de Magos.
Ao mesmo tempo procuram veicular a ideia da resignação, da desistência, do desânimo para levar os mais atingidos pela política de direita, aqueles que mais dificuldades têm nas suas vidas a desmobilização social e política e para a abstenção eleitoral.
Como nos últimos 33 anos, procuram todas as derivas e ilusões para dificultar a ruptura com a política de direita, para condicionar a acção de massas e evitar a opção pelo PCP e pela CDU. Mas a realidade é o que é, a situação exige cada vez mais uma profunda e urgente mudança de rumo. Não há campanhas que possam impedir o protesto e a luta.
E aí temos a grande manifestação convocada pela CGTP IN para 13 de Março, em Lisboa. Primeira grande acção no quadro de agravamento da crise e que marca o arranque de uma fase da luta de massas no nosso País.
E aí temos o PCP e os seus aliados como força essencial e indispensável para que se concretize a ruptura e a mudança que Portugal precisa.

A força da luta

O PCP e a CDU marcam a diferença na sociedade portuguesa. Tivemos razão nos alertas sobre as consequências da política de direita. Temos razão hoje no que denunciamos e no que propomos. Somos a verdadeira oposição a esta política e a este Governo, oposição nas palavras e na acção, somos portadores do projecto indispensável ao futuro do País. Somos a força que o Governo mais teme, porque capaz de o derrotar e à sua política, de acabar com a maioria absoluta que tanto mal trouxe aos portugueses.
O PCP, a CDU representam a seriedade, a verdade, uma forma diferente de estar nos órgãos de poder. O trabalho, a honestidade, a competência, a força de luta, da construção e da esperança. A garantia duma acção de defesa dos interesses nacionais.
Nestes tempos de insegurança e incerteza, aqueles que apoiam o PCP e a CDU têm a segurança e a certeza de que esse apoio contribuirá, seja qual for a situação, para dar força à defesa dos interesses dos trabalhadores, dos reformados, dos jovens, dos pequenos e médios empresários, do povo português.
O PCP é a grande força da liberdade e da democracia. O partido que defende a convergência de todos os que querem a ruptura com a política de direita e que expressa essa convergência no plano eleitoral no alargado e dinâmico espaço da CDU, com o Partido Ecologista «Os Verdes», a Intervenção Democrática e dezenas de milhares de cidadãos sem filiação partidária.
A nossa força é força da organização, da militância, da ligação às massas, da mobilização e da luta, do nosso ideal e projecto transformador, contra o capitalismo, por uma democracia avançada e pelo socialismo. A situação exige um Partido preparado para tudo, exige e cria condições para um PCP mais forte.
É assim que pensamos, é assim que agimos.
Avançamos conscientes dos obstáculos, avançamos com confiança, conquistando apoio a apoio, conquistando voto a voto para o reforço eleitoral da CDU, avançamos com esta grande força militante por uma vida melhor, por um Portugal com futuro e, sempre, sempre por uma sociedade mais justa.

● Francisco Lopes


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