A dinâmica das eleições locais
Uma das mais decisivas questões a que teremos de dar resposta nestas três batalhas eleitorais que enfrentaremos em escassos quatro meses é a de conseguir que a dinâmica própria das eleições locais seja um elemento de mobilização e de afirmação da CDU para as eleições para o Parlamento Europeu e para a Assembleia da República.
É verdade que as atenções mediáticas estarão mais voltadas para as eleições legislativas e para um ou outro concelho, em que se procurará alimentar uma falsa bipolarização.
Mas a tendência natural será a de que as organizações locais do Partido dêem mais atenção às autárquicas do que às outras. O processo de preparação das listas, da recolha de apoios e de fundos, de elaboração dos presta contas e dos programas eleitorais, exigem muito empenho e capacidade de direcção das organizações locais do Partido. A questão não está – nem poderia estar – em desvalorizar ou contrariar esta dinâmica e este trabalho. A questão está, isso sim, em potenciá-la e fazê-la desaguar na dinâmica das legislativas e do Parlamento Europeu.
Para as campanhas de massas, de esclarecimento, de proximidade e de participação popular que precisamos de construir, o número e a diversidade de pessoas e de sectores que envolvemos nas eleições locais serão uma força preciosa para o trabalho profundo e diversificado que queremos alcançar.
A base organizada de dezenas de milhares de candidatos, do Partido, dos Verdes, da ID, milhares de independentes, tem uma extraordinária capacidade de mobilização, de esclarecimento e de contacto, cujas potencialidades estão longe de estar esgotadas. Um exemplo: em 2005, com a CDU a concorrer a metade das freguesias do País, alcançou-se para as assembleias de freguesia mais 60 mil votos do que os alcançados para todas as câmaras. O objectivo, assumido no XVII Congresso, de apresentar listas a todos os órgãos municipais e de concorrer a um número superior de freguesias do que concorremos em 2005 (ou seja, mais de 2200) é de uma enorme exigência mas repleto de potencialidades.
Estes candidatos constituem uma base essencial para uma presença activa e organizada da CDU que não alcançamos de outra forma. Para potenciar esta força, está colocado pelo Comité Central do Partido o objectivo de termos até ao final da primeira quinzena de Maio concluídas ou muito adiantadas pelo menos 75 por cento das listas para os órgãos municipais e de freguesia. É um esforço grande, que envolve um atento papel de direcção dos organismos do Partido para elaborar listas e para fornecer para as chamadas zonas difíceis as candidaturas de milhares de camaradas e amigos que se disponibilizam para viabilizar mais listas a mais freguesias.
Alargar a CDU
As eleições locais oferecem possibilidades de alargamento unitário da CDU sem paralelo nos outros processos. Os apoios prestados à CDU por pessoas do movimento operário e sindical, do movimento associativo e cooperativo, de sectores da cultura, do desporto, da intelectualidade, de gente descontente com outros partidos, de pessoas que se destacaram nas lutas locais, o envolvimento de mulheres e jovens, atingem nas eleições autárquicas uma profundidade que não podemos subavaliar.
Está colocada a perspectiva da realização, entre 6 e 16 de Maio, de uma grande acção nacional da CDU. Beneficiando dos avanços em matéria de formação de listas e do envolvimento de todas estas pessoas, propõe-se que esta grande acção nacional seja suportada em sessões, convívios, encontros, ou outro tipo de iniciativas, que permitam a agregação destes milhares de candidatos e apoiantes. Pretende-se que esta acção nacional projecte a CDU no maior número possível de freguesias e concelhos, somando todas as forças e vontades daqueles que, seja por ligação à sua terra ou por qualquer outra razão, estão comprometidos com a CDU. Falamos da possibilidade de envolver, nestes dez dias, dezenas de milhares de pessoas a discutir, a programar, a projectar força e apoio à CDU. Uma força e um apoio que não ficará confinado à discussão de cada freguesia, mas que procuraremos irradiar em crescendo para as três batalhas eleitorais.
A reconhecida capacidade dos comunistas e da CDU na gestão autárquica é um património que devemos valorizar muito. Mais de 30 anos de uma distintiva qualidade na intervenção e gestão em centenas de autarquias, na defesa intransigente dos interesses populares, no extraordinário manancial de propostas e soluções para os problemas, nas provas dadas diariamente, nas realizações deste mandato que termina em Outubro, reside um capital de prestígio, de reconhecimento, de capacidade de planear o território, de inovação, de respeito pelos direitos dos trabalhadores, de melhoria da vida das populações, que devemos projectar para as outras batalhas. Insistir na ideia: confiam em nós para as autarquias, reconhecem na CDU a força de confiança, de luta, de progresso... Então que confiem igualmente nas outras eleições.
Um Partido de projecto
É indispensável no quadro deste carácter integrado que queremos dar às três batalhas eleitorais que se continue a dar resposta às especificidades de cada uma delas. A realização tão próxima destes três actos coloca à evidência a necessidade de articular as propostas que apresentaremos. Somos um Partido de projecto, com propostas aprofundadas no XVIII Congresso, na Conferência sobre Questões Económicas e Sociais, em centenas de projectos-lei, documentos, reivindicações. Perante os problemas dos trabalhadores e das populações, há que dinamizar a luta de massas, denunciar as injustiças, relacionar as questões locais com as grandes temáticas nacionais e internacionais. Há que colher elementos do riquíssimo conhecimento e experiência que são património das organizações locais do Partido para os somar e fazer convergir para as outras eleições. Se o problema ou a reivindicação é laboral, ambiental, de um serviço público, há que fazer a proposta adequada a cada eleição. Há que insistir numa ideia força: nas autarquias, na Assembleia da República, no Parlamento Europeu, a CDU é a força de combate e proposta para uma vida melhor.
O reforço do nosso Partido tem de ser uma preocupação sempre presente neste gigantesco trabalho eleitoral, procurando que daqui resulte mais organização em mais bairros, freguesias e concelhos do nosso País, que se reforce o Partido nas empresas e nos locais de trabalho. É necessário que sejamos audazes no recrutamento e na responsabilização de quadros, que sejamos capazes de transformar as realidades, as dificuldades do nosso povo, que vamos conhecer mais profundamente nesta campanha, em mais prestígio e em mais enraizamento do PCP junto dos trabalhadores e das populações.
Serão nove meses muito exigentes. Mas estamos certos que será na CDU que poderá confluir a força de todos os que acreditam e lutam por uma vida melhor.
● Margarida Botelho
É verdade que as atenções mediáticas estarão mais voltadas para as eleições legislativas e para um ou outro concelho, em que se procurará alimentar uma falsa bipolarização.
Mas a tendência natural será a de que as organizações locais do Partido dêem mais atenção às autárquicas do que às outras. O processo de preparação das listas, da recolha de apoios e de fundos, de elaboração dos presta contas e dos programas eleitorais, exigem muito empenho e capacidade de direcção das organizações locais do Partido. A questão não está – nem poderia estar – em desvalorizar ou contrariar esta dinâmica e este trabalho. A questão está, isso sim, em potenciá-la e fazê-la desaguar na dinâmica das legislativas e do Parlamento Europeu.
Para as campanhas de massas, de esclarecimento, de proximidade e de participação popular que precisamos de construir, o número e a diversidade de pessoas e de sectores que envolvemos nas eleições locais serão uma força preciosa para o trabalho profundo e diversificado que queremos alcançar.
A base organizada de dezenas de milhares de candidatos, do Partido, dos Verdes, da ID, milhares de independentes, tem uma extraordinária capacidade de mobilização, de esclarecimento e de contacto, cujas potencialidades estão longe de estar esgotadas. Um exemplo: em 2005, com a CDU a concorrer a metade das freguesias do País, alcançou-se para as assembleias de freguesia mais 60 mil votos do que os alcançados para todas as câmaras. O objectivo, assumido no XVII Congresso, de apresentar listas a todos os órgãos municipais e de concorrer a um número superior de freguesias do que concorremos em 2005 (ou seja, mais de 2200) é de uma enorme exigência mas repleto de potencialidades.
Estes candidatos constituem uma base essencial para uma presença activa e organizada da CDU que não alcançamos de outra forma. Para potenciar esta força, está colocado pelo Comité Central do Partido o objectivo de termos até ao final da primeira quinzena de Maio concluídas ou muito adiantadas pelo menos 75 por cento das listas para os órgãos municipais e de freguesia. É um esforço grande, que envolve um atento papel de direcção dos organismos do Partido para elaborar listas e para fornecer para as chamadas zonas difíceis as candidaturas de milhares de camaradas e amigos que se disponibilizam para viabilizar mais listas a mais freguesias.
Alargar a CDU
As eleições locais oferecem possibilidades de alargamento unitário da CDU sem paralelo nos outros processos. Os apoios prestados à CDU por pessoas do movimento operário e sindical, do movimento associativo e cooperativo, de sectores da cultura, do desporto, da intelectualidade, de gente descontente com outros partidos, de pessoas que se destacaram nas lutas locais, o envolvimento de mulheres e jovens, atingem nas eleições autárquicas uma profundidade que não podemos subavaliar.
Está colocada a perspectiva da realização, entre 6 e 16 de Maio, de uma grande acção nacional da CDU. Beneficiando dos avanços em matéria de formação de listas e do envolvimento de todas estas pessoas, propõe-se que esta grande acção nacional seja suportada em sessões, convívios, encontros, ou outro tipo de iniciativas, que permitam a agregação destes milhares de candidatos e apoiantes. Pretende-se que esta acção nacional projecte a CDU no maior número possível de freguesias e concelhos, somando todas as forças e vontades daqueles que, seja por ligação à sua terra ou por qualquer outra razão, estão comprometidos com a CDU. Falamos da possibilidade de envolver, nestes dez dias, dezenas de milhares de pessoas a discutir, a programar, a projectar força e apoio à CDU. Uma força e um apoio que não ficará confinado à discussão de cada freguesia, mas que procuraremos irradiar em crescendo para as três batalhas eleitorais.
A reconhecida capacidade dos comunistas e da CDU na gestão autárquica é um património que devemos valorizar muito. Mais de 30 anos de uma distintiva qualidade na intervenção e gestão em centenas de autarquias, na defesa intransigente dos interesses populares, no extraordinário manancial de propostas e soluções para os problemas, nas provas dadas diariamente, nas realizações deste mandato que termina em Outubro, reside um capital de prestígio, de reconhecimento, de capacidade de planear o território, de inovação, de respeito pelos direitos dos trabalhadores, de melhoria da vida das populações, que devemos projectar para as outras batalhas. Insistir na ideia: confiam em nós para as autarquias, reconhecem na CDU a força de confiança, de luta, de progresso... Então que confiem igualmente nas outras eleições.
Um Partido de projecto
É indispensável no quadro deste carácter integrado que queremos dar às três batalhas eleitorais que se continue a dar resposta às especificidades de cada uma delas. A realização tão próxima destes três actos coloca à evidência a necessidade de articular as propostas que apresentaremos. Somos um Partido de projecto, com propostas aprofundadas no XVIII Congresso, na Conferência sobre Questões Económicas e Sociais, em centenas de projectos-lei, documentos, reivindicações. Perante os problemas dos trabalhadores e das populações, há que dinamizar a luta de massas, denunciar as injustiças, relacionar as questões locais com as grandes temáticas nacionais e internacionais. Há que colher elementos do riquíssimo conhecimento e experiência que são património das organizações locais do Partido para os somar e fazer convergir para as outras eleições. Se o problema ou a reivindicação é laboral, ambiental, de um serviço público, há que fazer a proposta adequada a cada eleição. Há que insistir numa ideia força: nas autarquias, na Assembleia da República, no Parlamento Europeu, a CDU é a força de combate e proposta para uma vida melhor.
O reforço do nosso Partido tem de ser uma preocupação sempre presente neste gigantesco trabalho eleitoral, procurando que daqui resulte mais organização em mais bairros, freguesias e concelhos do nosso País, que se reforce o Partido nas empresas e nos locais de trabalho. É necessário que sejamos audazes no recrutamento e na responsabilização de quadros, que sejamos capazes de transformar as realidades, as dificuldades do nosso povo, que vamos conhecer mais profundamente nesta campanha, em mais prestígio e em mais enraizamento do PCP junto dos trabalhadores e das populações.
Serão nove meses muito exigentes. Mas estamos certos que será na CDU que poderá confluir a força de todos os que acreditam e lutam por uma vida melhor.
● Margarida Botelho