Queremos um mundo novo a sério!

«É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma» tem sido o lema dos sistemas de monopartidarismo bicéfalo. A tarefa de afirmar que tudo está a correr bem cabe aos que ainda ocupam o posto de presidente do conselho de Administração dos interesses da burguesia (CEO's como é moderno escrever), e a tarefa de protagonizar a «mudança» cabe aos que aguardam a sua vez. Assim vão canalizando os descontentamentos para dentro do sistema, mantendo intocável o poder ditatorial da classe burguesa.
O aprofundar da crise geral do capitalismo, o incontornável fardo das consequências reais das políticas sobre os trabalhadores e os povos, tornam muito difícil manter este pacífico jogo. Sinal disso mesmo são as «eleições» nos EUA, em que a administração Bush é sacrificada aos supremos interesses da ditadura. A escolha hoje é entre um «Obama pela Mudança» e um Mcain para «mudar a forma como o Governo faz praticamente tudo». O cenário apresentado ao eleitor é de que a «Mudança» está garantida, é só escolher o rosto dessa «Mudança».
Por cá, é o actual CEO de Portugal que antecipadamente avança com o lema da sua recandidatura - «Força da Mudança». E dos bolsos dos que precisam que nada mude escorrem milhões para que a «boa nova» iluda as massas.
Mas a crise não está só a obrigar os CEO da classe burguesa a mudarem o seu marketing eleitoral. Na medida em que os limites do capitalismo ficam expostos e se afirma o socialismo como alternativa, aparecem os defensores das «terceiras vias», de uma nova «Mudança» que colocará no lugar do capitalismo... «outro capitalismo», o capitalismo utópico. Em Portugal, esse lugar é ocupado por todos os que alegremente afirmam desejar uma alternativa de esquerda, mas sem assumir o combate decidido e a ruptura com a política de direita, sem assumirem que «para que NÃO fique tudo na mesma» é preciso retirar à burguesia o poder político e usá-lo contra o seu poder económico.
E se o próprio sistema assume a necessidade da mudança, é porque há espaço para provocar rupturas. Como ironizava Aleixo: «Vós que lá do vosso império, prometeis um mundo novo, calai-vos, que pode o povo, querer um mundo novo a sério.»


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