Com a luta «Isto vai meus amigos, isto vai»
À beira de entramos em 2008, fomos «presenteados» pelo Governo do PS e seus apaniguados da «Europa connosco» com um Tratado que antes foi Constituição, depois Tratado Reformador e agora simplesmente Tratado.
2007 fica marcado por um enorme caudal de lutas exigindo uma nova política
Como diz o nosso povo «muda-se o nome mas as moscas são as mesmas». Ao fim e ao cabo tudo isto serve para, exortando o sentimento nacional, criando a falsa ideia de que o Tratado agora assinado trará coisas muitas boas para o país e os portugueses, escancararam completamente a porta aos interesses do capital financeiro e das multinacionais que comandam a Europa dos 27.
Afinal cabe perguntar, ao fim de tantos anos de estarmos na «Europa connosco», como a baptizou Mário Soares em 1976, o que é que Portugal e os portugueses designadamente aqueles que vivem do seu trabalho e das suas reformas beneficiaram?
Com objectividade, muito pouco ou nada.
Os milhões dos fundos comunitários recebidos pelos sucessivos governos foram instrumento não para o desenvolvimento e modernização da estrutura produtiva do País, não para uma real formação dos trabalhadores, mas sim para encher os bolsos de alguns, para destruir grande parte da nossa pesca e agricultura e para fazer show-off em diversas áreas.
Na verdade, ao fim de todos estes anos, Portugal está mais dependente e os portugueses mais pobres.
Aumentou o défice alimentar, energético, tecnológico (apesar de Sócrates andar a «vender» computadores) e industrial, aumentou o número de pobres, aumentou o desemprego atingindo níveis nunca antes observados, a precariedade, apresentada como uma modernidade vinda da «Europa connosco», alastrou, atingindo um em cada quatro trabalhadores; milhares de micro e pequenos empresários e agricultores faliram; e, em nome do Pacto de Estabilidade e Crescimento (imposto pela tal Europa) e da redução do défice público, degradam-se e privatizam-se os serviços públicos e as funções sociais do Estado; tentam impor a flexigurança (aumento das condições de exploração dos trabalhadores) que, apesar de ser apresentada como nova, é tão velha como o capitalismo.
E como se tudo isto não bastasse, em nome da resposta global da Europa (acenando com o combate à hegemonia da economia norte americana e ao terrorismo) retiram-nos cada vez mais fatias importantes da nossa soberania e independência nacionais, afinam a máquina de guerra e os mecanismos securitários, decretando a partir de Bruxelas as medidas decididas pelo directório das grandes potências capitalistas.
Reforça-se a luta e o Partido
Na sua obra «Sobre a bandeira dos Estados Unidos da Europa», escrita em 1915, Lénine caracterizou no quadro do desenvolvimento do capitalismo na sua fase imperialista o que significava os Estados Unidos da Europa. Na verdade (confirmando a teoria de Lénine), o grande capital multinacional e transnacional, constrói hoje uma Europa de classe para servir os seus interesses exploradores e de partilha de mercados recorrendo para isso à guerra, a sofisticados mecanismos de domínio do poder político e a dirigentes políticos sempre dispostos a trair os interesses dos seus povos.
O «porreiro, pá» de Sócrates a Durão Barroso, aquando da cimeira de 18 de Outubro, tem exactamente esse significado, porque quem defende os interesses do País e do povo não pode considerar «porreiro» uma coisa que entra em conflito aberto com o texto constitucional e com os interesses do povo português.
É aliás sintomático o facto de Luís Filipe Menezes, na sua fingida linha de oposição ao Governo, venha em síntese dizer que o exercício da presidência da UE, por José Sócrates e o Governo, prestigiaram Portugal e que o Tratado assinado no dia 13 de Dezembro constitui uma grande vitória.
Importaria perguntar: vitória de quem? Mas não o fazemos porque a resposta é óbvia. De facto foi, até agora, e sublinhamos até agora uma vitória do grande capital.
Não é por acaso que os arautos da democracia espalhados pela Europa, como ao que tudo indica o PS e o PSD já de forma clara, vêem na consulta popular aos povos sobre o Tratado um instrumento dispensável, pois como diz o outro elemento da família (Durão Barroso) todas as formas são democráticas e, acrescentamos nós, tentando interpretar o real significado das palavras, desde que não ponham em causa os interesses dos ricos e poderosos da «Europa connosco».
O seguro morreu de velho e o capital aprendeu com as derrotas infligidas nos referendos pelos povos da França e da Holanda aquando do chamado «Tratado Constitucional».
Mas os povos, com base na sua luta em resultado do conflito de classes à escala de cada país e do mundo, também aprendem e sabem que não há outro caminho que não seja o da luta.
Lutando em cada país contra as tentativas dos seus governos de imporem soluções autocráticas que visam diminuir os seus direitos políticos, económicos e sociais, os trabalhadores e os povos têm vindo assumir uma atitude de recusa clara a esta Europa do capital.
Estando este ano de 2007 a findar, importa lembrar o enorme caudal de lutas de resistência ofensiva no nosso país entre outras as manifestações de 2 de Março e 18 de Outubro a Greve Geral de 30 de Maio e, mais recentemente, a grande greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública, que reclamando melhores salários e condições de vida e de trabalho, o fim do ataque aos serviços públicos e das privatizações, exigem uma nova política e um novo rumo para o País.
Quando o novo ano se aproxima, importa afirmar a importância decisiva do reforço do nosso Partido, em particular nas empresas e locais de trabalho, para que a luta que vamos continuar a travar tenha melhores condições de se desenvolver.
Parafrasendo o poeta, com a luta «Isto vai meus amigos, isto vai».
Afinal cabe perguntar, ao fim de tantos anos de estarmos na «Europa connosco», como a baptizou Mário Soares em 1976, o que é que Portugal e os portugueses designadamente aqueles que vivem do seu trabalho e das suas reformas beneficiaram?
Com objectividade, muito pouco ou nada.
Os milhões dos fundos comunitários recebidos pelos sucessivos governos foram instrumento não para o desenvolvimento e modernização da estrutura produtiva do País, não para uma real formação dos trabalhadores, mas sim para encher os bolsos de alguns, para destruir grande parte da nossa pesca e agricultura e para fazer show-off em diversas áreas.
Na verdade, ao fim de todos estes anos, Portugal está mais dependente e os portugueses mais pobres.
Aumentou o défice alimentar, energético, tecnológico (apesar de Sócrates andar a «vender» computadores) e industrial, aumentou o número de pobres, aumentou o desemprego atingindo níveis nunca antes observados, a precariedade, apresentada como uma modernidade vinda da «Europa connosco», alastrou, atingindo um em cada quatro trabalhadores; milhares de micro e pequenos empresários e agricultores faliram; e, em nome do Pacto de Estabilidade e Crescimento (imposto pela tal Europa) e da redução do défice público, degradam-se e privatizam-se os serviços públicos e as funções sociais do Estado; tentam impor a flexigurança (aumento das condições de exploração dos trabalhadores) que, apesar de ser apresentada como nova, é tão velha como o capitalismo.
E como se tudo isto não bastasse, em nome da resposta global da Europa (acenando com o combate à hegemonia da economia norte americana e ao terrorismo) retiram-nos cada vez mais fatias importantes da nossa soberania e independência nacionais, afinam a máquina de guerra e os mecanismos securitários, decretando a partir de Bruxelas as medidas decididas pelo directório das grandes potências capitalistas.
Reforça-se a luta e o Partido
Na sua obra «Sobre a bandeira dos Estados Unidos da Europa», escrita em 1915, Lénine caracterizou no quadro do desenvolvimento do capitalismo na sua fase imperialista o que significava os Estados Unidos da Europa. Na verdade (confirmando a teoria de Lénine), o grande capital multinacional e transnacional, constrói hoje uma Europa de classe para servir os seus interesses exploradores e de partilha de mercados recorrendo para isso à guerra, a sofisticados mecanismos de domínio do poder político e a dirigentes políticos sempre dispostos a trair os interesses dos seus povos.
O «porreiro, pá» de Sócrates a Durão Barroso, aquando da cimeira de 18 de Outubro, tem exactamente esse significado, porque quem defende os interesses do País e do povo não pode considerar «porreiro» uma coisa que entra em conflito aberto com o texto constitucional e com os interesses do povo português.
É aliás sintomático o facto de Luís Filipe Menezes, na sua fingida linha de oposição ao Governo, venha em síntese dizer que o exercício da presidência da UE, por José Sócrates e o Governo, prestigiaram Portugal e que o Tratado assinado no dia 13 de Dezembro constitui uma grande vitória.
Importaria perguntar: vitória de quem? Mas não o fazemos porque a resposta é óbvia. De facto foi, até agora, e sublinhamos até agora uma vitória do grande capital.
Não é por acaso que os arautos da democracia espalhados pela Europa, como ao que tudo indica o PS e o PSD já de forma clara, vêem na consulta popular aos povos sobre o Tratado um instrumento dispensável, pois como diz o outro elemento da família (Durão Barroso) todas as formas são democráticas e, acrescentamos nós, tentando interpretar o real significado das palavras, desde que não ponham em causa os interesses dos ricos e poderosos da «Europa connosco».
O seguro morreu de velho e o capital aprendeu com as derrotas infligidas nos referendos pelos povos da França e da Holanda aquando do chamado «Tratado Constitucional».
Mas os povos, com base na sua luta em resultado do conflito de classes à escala de cada país e do mundo, também aprendem e sabem que não há outro caminho que não seja o da luta.
Lutando em cada país contra as tentativas dos seus governos de imporem soluções autocráticas que visam diminuir os seus direitos políticos, económicos e sociais, os trabalhadores e os povos têm vindo assumir uma atitude de recusa clara a esta Europa do capital.
Estando este ano de 2007 a findar, importa lembrar o enorme caudal de lutas de resistência ofensiva no nosso país entre outras as manifestações de 2 de Março e 18 de Outubro a Greve Geral de 30 de Maio e, mais recentemente, a grande greve nacional dos trabalhadores da Administração Pública, que reclamando melhores salários e condições de vida e de trabalho, o fim do ataque aos serviços públicos e das privatizações, exigem uma nova política e um novo rumo para o País.
Quando o novo ano se aproxima, importa afirmar a importância decisiva do reforço do nosso Partido, em particular nas empresas e locais de trabalho, para que a luta que vamos continuar a travar tenha melhores condições de se desenvolver.
Parafrasendo o poeta, com a luta «Isto vai meus amigos, isto vai».