PIDDAC 2008

Assimetrias agravam-se

O PIDDAC 2008 continua a suscitar o repúdio das várias organizações do PCP, que, indignadas com as verbas exíguas que ele contempla para as respectivas regiões, vão apresentar um conjunto de propostas a inserir nesse documento.

O desinvestimento público agravará inevitavelmente a crise que já assola algumas regiões

A Direcção da Organização Sub-Regional do Vale do Sousa e Baixo Tâmega do PCP diz, por exemplo, que o Governo discrimina no PIDDAC o Interior do Distrito do Porto – oito dos seus concelhos recebem menos de 7 milhões de euros –, que sofre relativamente a 2007, um corte de verbas na ordem dos 42%, como, aliás, tem vindo a acontecer desde 2002.
Esta organização do PCP discorda, pois, inteiramente da proposta de PIDDAC, que preconiza um desinvestimento que inevitavelmente vai agravar a séria crise que já assola a região, onde o desemprego já ultrapassa os 20 mil, a emigração aumenta assustadoramente e a pobreza atinge níveis extremos. Enfim, um «escândalo», que apenas serve para aumentar as assimetrias e discriminações «numa tendência insustentável», acusam os comunistas do Vale do Sousa e Baixo Tâmega.

Castelo Branco

Após uma primeira avaliação, também a Direcção da Organização Regional de Castelo Branco considera que o PIDDAC 2008 «agrava ainda mais as assimetrias regionais», numa lógica «de desinvestimento no interior, de ausência e ocultação dos grandes investimentos, de desvalorização da transparência e controlo democráticos e de instituição generalizada dos “sacos azuis”».
A propósito, a DORCB lembra que o desemprego no distrito – cerca de 20% – é quase o dobro da taxa nacional em sentido lato e a precariedade, sempre a crescer, abrange já cerca de 25% dos trabalhadores por conta de outrem. O distrito está ainda a ser «imolado» com a desqualificação, destruição e privatização gradual de serviços e funções sociais do Estado.

Viana do Castelo

Para a Direcção da Organização Regional de Viana do Castelo, a proposta de PIDDAC é «uma afronta» ao distrito, na medida em que a verba de cerca de 28 milhões de euros que lhe é atribuída (0,77% do total nacional) «fica muito aquém das suas necessidades.
De facto, pelo quarto ano consecutivo Viana do Castelo é o distrito que menos investimento público tem inscrito no PIDDAC, apesar de representar 2,4% do território nacional e da sua população. Ou seja, desde 2001, em oito anos portanto, Viana do Castelo recebe menos 75% do que então recebia, mantendo-se como a região portuguesa e europeia com mais carências a nível de infra estruturas e desenvolvimento social.

Aveiro

De corte idêntico (mais de 50%) queixa-se também a Direcção da Organização Regional de Aveiro, para quem esta opção do Governo, associada a um nível de execução muito reduzido, vai resultar «na paralisação quase total do investimento público» na região. O que é tanto mais grave quanto no ano passado ano o distrito havia já sofrido um corte de 41%.
A DORAV considera, pois, que esta proposta de PIDDAC «é absolutamente escandalosa» e «despreza os interesses e as gentes» de Aveiro, particularmente as mais desfavorecidas. Apresentou, entretanto, ao seu Grupo Parlamentar um conjunto de 34 propostas de alteração a introduzir no documento, propostas que constituem aspirações há muito sentidas pelas populações, embora não alterem o seu sentido negativo.

Santa Maria da Feira

A exiguidade das verbas (cerca de 800.000 euros) e dos projectos (4) inscritos no PIDDAC 2008 para o Concelho de Santa Maria da Feira é uma afronta e um repetido adiar de soluções, acusa a Comissão Concelhia do PCP, tendo em conta os grandes problemas estruturais do concelho, nomeadamente a nível de Ensino Secundário, que não é contemplado, como contempladas não são também obras como as novas instalações para a PSP ou o Centro Coordenador de Transportes.
Entretanto, a Concelhia do PCP regista com preocupação o agravamento dos problemas laborais, em especial no sector corticeiro, onde várias empresas – Facol, Edmundo Alves Ferreira ou Empresa Industrial de Paços de Brandão, nomeadamente – vivem «processos conturbados e de grande instabilidade».


Mais artigos de: PCP

Por uma nova política

Mais de 1250 delegados, eleitos em mais de 450 assembleias plenárias, vão levar, no dia 24 e 25 de Novembro, à Conferência Nacional do PCP sobre Questões Económicas e sociais, a sua análise à realidade sócio-económica do País e as propostas dos comunistas para uma nova política.

Cresce o desemprego

O auditório do IPJ em Santarém, foi pequeno para acolher os mais de 200 participantes do encontro promovido pela Direcção Regional do partido, no âmbito da preparação da Conferência Nacional.Este encontro, que teve a participação de Bernardino Soares, da Comissão Política, culminou um intenso trabalho preparatório, que...

Basta de obediência cega!

No âmbito da Conferência Nacional do PCP, também a Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP diz ser possível uma outra alternativa para o distrito, através de um modelo de desenvolvimento que assente num sector produtivo de perfil mais exigente, dinâmico, sustentado, gerador de emprego e respeitador dos direitos...

Queixas sucedem-se

As queixas sobre o funcionamento das várias unidades de saúde surgem de todos os cantos e recantos do País. Por exemplo, a Direcção da Organização Regional de Vila Real do PCP está preocupada com as ameaças que pairam sobre SAPs e Serviços de Urgência do distrito, que em muitos casos são «a única forma de acesso a...

Faltam escolas

O deputado do PCP Bruno Dias reuniu, no passado dia 5, na Quinta do Conde, com o Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas da Quinta do Conde, com a Direcção e técnicos do Centro Comunitário e com a Direcção dos Centros de Saúde dos Concelhos de Seixal e Sesimbra.Na primeira reunião, o deputado tomou conhecimento da...

Governo favorece capital financeiro e imobiliário

No âmbito da Conferência Nacional sobre Questões Económicas e Sociais, realizou-se, anteontem, em Lisboa, um debate sobre a «Habitação em Portugal hoje – A visão e as propostas do PCP». No final, depois de várias intervenções temáticas, Jerónimo de Sousa acusou os sucessivos governos do PS e do PSD, «com ou sem outros arranjos partidários», de promoverem o «endividamento das famílias» e aumentar a sua «dependência financeira face ao exterior».

Portugal arrasta-se para o «abismo»

Porque é «necessário» e «urgente» uma nova política, que assegure a qualidade de vida da população, o PCP apresentou, terça-feira, um conjunto de medidas com o objectivo de melhorar a habitação em Portugal.