A alternativa é o socialismo
Vivemos um tempo de enganos em que as palavras são úteis para iludir – assim começou Sérgio Ribeiro a introdução ao debate «Desenvolvimento económico no actual contexto internacional», que na tarde de domingo, dia 9, reuniu no palco da Cidade Internacional Altamiro Borges, do PC do Brasil; Anatoly Lokot, do PC da Federação Russa, e Qu Qingshan, do PC da China.
Sublinhando a diferença entre crescimento e desenvolvimento económico, Sérgio Ribeiro lembrou que para o capitalismo o que está em causa é a apropriação da riqueza produzida pelos que trabalham e também pelos que já trabalharam, enquanto para os comunistas o importante é que a riqueza sirva para benefício e satisfação das necessidades dos povos. E porque o capitalismo não é o fim da História, ao contrário do que nos procuram fazer crer, por todo o mundo continua a luta pela alternativa – o socialismo – que não tem data marcada nos calendários, mas que terá «de ser a tempo» para a própria sobrevivência da humanidade.
O testemunho dado pelos participantes no debate deixou claro como são complexos e diversificados os caminhos para o socialismo. Falando do Brasil, Altamiro Borges lembrou que no país que é a 10.ª economia a nível mundial subsistem desequilíbrios abismais, com uma minoria acumulando cada vez mais riqueza e 52 milhões de pessoas a viver na miséria. Apontando o dedo ao «tsunami neoliberal que na década de 90 destruiu o Estado brasileiro» ao levar a cabo «privatizações ao preço de banana» que entregaram os sectores estratégicos da economia aos privados, levaram à total desregulamentação do capital financeiro e a um brutal processo de regressão nos direitos do trabalho, Borges considerou que com a vitória do governo Lula se abriram perspectivas para inverter a situação, mas alertou que «a revolução não está na ordem do dia». O desafio, disse, é recuperar o papel do Estado, ampliar a democracia, conseguir que haja mais protagonismo social, pois só haverá desenvolvimento se se conseguir romper com o neoliberalismo.
A experiência chinesa
Da China, Qu Qingshan trouxe os resultados das políticas que vêm sendo desenvolvidas desde 1978 e dos grandes êxitos alcançados em termos de crescimento económico:
Em menos de 30 anos, o PIB per capita passou de menos de 300 dólares para 2042 dólares em 2006, passando do 10.º para o 4.º lugar a nível mundial; a taxa anual de crescimento ultrapassou os 9%; a população em situação de extrema pobreza baixou de 125 milhões em 1985 para 21,48 milhões em 2006.
Mas Qu Qingshan não iludiu as contradições e desafios que resultam da opção «um país, dois sistemas»: aumento das disparidades entre as zonas urbanas e rurais; atrasos significativos em sectores como a educação, cultura, saneamento, entre muitos outros.
«A China é ainda um país em desenvolvimento», disse, sublinhando que «estamos e vamos continuar a estar durante um longo período na etapa primária do socialismo». Para o responsável chinês, é importante consolidar os resultados nesta fase, pois a experiência mostra que, se isso acontecer, o «desenvolvimento económico e social vai continuar», caso contrário, as «contradições sociais serão mais graves e o desenvolvimento económico e social estagnará».
O Partido Comunista da China, que no próximo dia 15 de Outubro realiza o seu XVII Congresso, considera que crescimento económico não é sinónimo de desenvolvimento económico, tal como este não garante por si só o progresso social. Assim traçou como objectivo o desenvolvimento harmonioso da sociedade socialista, que implica a crescente afectação de recursos para a satisfação das necessidades do povo e garantia de permanente estabilidade.
Com uma visão crítica da globalização – os benefícios estão concentrados em poucos países, aumentando o fosso entre ricos e pobres – o PCC advoga que é necessária uma nova ordem política e económica a nível internacional que seja garante da paz no mundo.
Capitalismo das cavernas impera na Rússia
«O desmantelamento da URSS e a subsequente realização na Rússia do projecto de reformas liberais, determinaram a transformação da Rússia de superpotência socialista mundial num país miserável de um capitalismo das cavernas». As palavras são de Anatoly Lokot, do PC da Federação Russa, que ilustrou com dados a negra realidade que hoje se vive no país.
Nos últimos 15 anos, a Rússia acedeu aos lugares cimeiros da nível mundial do número de pobres e indigentes: 10% da população sobrevive com menos de 50 rublos/dia (cerca de 2 dólares): 48% da população tem um rendimento diário de 2 a 4 dólares; quase 40% dos russos pobres são trabalhadores no activo.
Em resultado das privatizações de rapina, milhares de empresas fecharam e o desemprego disparou em grande escala, afirmou Anatoly Lokot, sublinhando que também «o campo russo está a morrer», o que faz com que o país tenha agora de importar cerca de 40% dos produtos agrícolas para a satisfação das suas necessidades alimentares, quando tradicionalmente era não só auto-suficiente como ainda excedentário neste domínio.
Esta realidade coexiste com o crescimento do PIB (7% ao ano), mas a riqueza está a ser acumulada nas mãos de uns poucos, sendo cada vez maior o fosso que separa os 10% mais ricos dos 10% mais pobres. Sem a resolução destas contradições, que o mesmo é dizer «a oposição de interesses do trabalho e do capital parasitário», a Rússia «não tem perspectivas no plano económico e na arena internacional», sublinhou Lokot, dizendo que a solução «passa pelo caminho do desenvolvimento socialista».
Sublinhando a diferença entre crescimento e desenvolvimento económico, Sérgio Ribeiro lembrou que para o capitalismo o que está em causa é a apropriação da riqueza produzida pelos que trabalham e também pelos que já trabalharam, enquanto para os comunistas o importante é que a riqueza sirva para benefício e satisfação das necessidades dos povos. E porque o capitalismo não é o fim da História, ao contrário do que nos procuram fazer crer, por todo o mundo continua a luta pela alternativa – o socialismo – que não tem data marcada nos calendários, mas que terá «de ser a tempo» para a própria sobrevivência da humanidade.
O testemunho dado pelos participantes no debate deixou claro como são complexos e diversificados os caminhos para o socialismo. Falando do Brasil, Altamiro Borges lembrou que no país que é a 10.ª economia a nível mundial subsistem desequilíbrios abismais, com uma minoria acumulando cada vez mais riqueza e 52 milhões de pessoas a viver na miséria. Apontando o dedo ao «tsunami neoliberal que na década de 90 destruiu o Estado brasileiro» ao levar a cabo «privatizações ao preço de banana» que entregaram os sectores estratégicos da economia aos privados, levaram à total desregulamentação do capital financeiro e a um brutal processo de regressão nos direitos do trabalho, Borges considerou que com a vitória do governo Lula se abriram perspectivas para inverter a situação, mas alertou que «a revolução não está na ordem do dia». O desafio, disse, é recuperar o papel do Estado, ampliar a democracia, conseguir que haja mais protagonismo social, pois só haverá desenvolvimento se se conseguir romper com o neoliberalismo.
A experiência chinesa
Da China, Qu Qingshan trouxe os resultados das políticas que vêm sendo desenvolvidas desde 1978 e dos grandes êxitos alcançados em termos de crescimento económico:
Em menos de 30 anos, o PIB per capita passou de menos de 300 dólares para 2042 dólares em 2006, passando do 10.º para o 4.º lugar a nível mundial; a taxa anual de crescimento ultrapassou os 9%; a população em situação de extrema pobreza baixou de 125 milhões em 1985 para 21,48 milhões em 2006.
Mas Qu Qingshan não iludiu as contradições e desafios que resultam da opção «um país, dois sistemas»: aumento das disparidades entre as zonas urbanas e rurais; atrasos significativos em sectores como a educação, cultura, saneamento, entre muitos outros.
«A China é ainda um país em desenvolvimento», disse, sublinhando que «estamos e vamos continuar a estar durante um longo período na etapa primária do socialismo». Para o responsável chinês, é importante consolidar os resultados nesta fase, pois a experiência mostra que, se isso acontecer, o «desenvolvimento económico e social vai continuar», caso contrário, as «contradições sociais serão mais graves e o desenvolvimento económico e social estagnará».
O Partido Comunista da China, que no próximo dia 15 de Outubro realiza o seu XVII Congresso, considera que crescimento económico não é sinónimo de desenvolvimento económico, tal como este não garante por si só o progresso social. Assim traçou como objectivo o desenvolvimento harmonioso da sociedade socialista, que implica a crescente afectação de recursos para a satisfação das necessidades do povo e garantia de permanente estabilidade.
Com uma visão crítica da globalização – os benefícios estão concentrados em poucos países, aumentando o fosso entre ricos e pobres – o PCC advoga que é necessária uma nova ordem política e económica a nível internacional que seja garante da paz no mundo.
Capitalismo das cavernas impera na Rússia
«O desmantelamento da URSS e a subsequente realização na Rússia do projecto de reformas liberais, determinaram a transformação da Rússia de superpotência socialista mundial num país miserável de um capitalismo das cavernas». As palavras são de Anatoly Lokot, do PC da Federação Russa, que ilustrou com dados a negra realidade que hoje se vive no país.
Nos últimos 15 anos, a Rússia acedeu aos lugares cimeiros da nível mundial do número de pobres e indigentes: 10% da população sobrevive com menos de 50 rublos/dia (cerca de 2 dólares): 48% da população tem um rendimento diário de 2 a 4 dólares; quase 40% dos russos pobres são trabalhadores no activo.
Em resultado das privatizações de rapina, milhares de empresas fecharam e o desemprego disparou em grande escala, afirmou Anatoly Lokot, sublinhando que também «o campo russo está a morrer», o que faz com que o país tenha agora de importar cerca de 40% dos produtos agrícolas para a satisfação das suas necessidades alimentares, quando tradicionalmente era não só auto-suficiente como ainda excedentário neste domínio.
Esta realidade coexiste com o crescimento do PIB (7% ao ano), mas a riqueza está a ser acumulada nas mãos de uns poucos, sendo cada vez maior o fosso que separa os 10% mais ricos dos 10% mais pobres. Sem a resolução destas contradições, que o mesmo é dizer «a oposição de interesses do trabalho e do capital parasitário», a Rússia «não tem perspectivas no plano económico e na arena internacional», sublinhou Lokot, dizendo que a solução «passa pelo caminho do desenvolvimento socialista».