Aprender sempre!
Indiferentes à hora – cedo na manhã ou já com a noite alta – ou ao que acontecia nesse momento num qualquer outro local da Atalaia, foram muitos os que visitaram a Festa do Livro, ponto de visita obrigatório para muitos milhares de visitantes da Festa do Avante!. Uns iam em busca «daquele» livro ou «daquele» autor, enquanto outros se deixavam surpreender pelo que ia surgindo nas mesas, à frente dos seus olhos. Curiosos, desfolhavam algumas páginas tentando encontrar algo que os ajudasse a decidir-se.
Alguns pegavam no livro desejado, sem hesitação. Mas havia também os que preferiam fazer primeiro algumas contas de cabeça, pois a vida não está para grandes gastos e a cultura quase que se torna, hoje, num bem de luxo. Mas, com mais ou menos sacrifício, quase todos acabavam por se deixar convencer pelos preços apetecíveis e pela atracção irresistível de boas leituras.
À entrada da grande tenda que servia de abrigo à Festa do Livro, encontravam-se as obras de Álvaro Cunhal: vários ensaios políticos, os romances, contos e novelas que assinou com o pseudónimo Manuel Tiago ou os célebres e magníficos Desenhos da Prisão. Numa estante própria, o primeiro tomo das suas Obras Escolhidas, editadas este ano pelas Edições Avante!. Não muito longe, uma mesa expunha as obras dos clássicos do marxismo-leninismo. Obras de Marx, Engels e Lenine são presença obrigatória e escolha certa para muitos dos que compreendem que a transformação do mundo tem, também, a sua ciência e que querem estudá-la.
Mas quando o assunto é a transformação do mundo (e do País, pois há que começar por algum lado), é bom não esquecer a Colecção Resistência, das Edições Avante!, que têm também publicados alguns dos principais documentos do Partido.
Mas tal como tudo na Festa do Avante!, também os livros são para todos os gostos. A literatura tem um local especial, assim como os livros para crianças ou os livros técnicos e científicos.
Em torno das mesas, geravam-se conversas. Sobre os livros e sobre os temas que abordavam. Ao lado, no auditório, sucediam-se as apresentações de obras, sempre muito participadas e pretexto para interessantes debates.
Para além dos lançamentos (ver texto ao lado), foram apresentadas várias obras. No sábado, Francisco Melo, membro do Comité Central e responsável pelas Edições Avante!, falou sobre as Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, considerando a sua leitura «fundamental para a formação política e ideológica dos militantes comunistas». Mas não só, esclarece. «Todos quantos queiram saber o que foi o fascismo e o 25 de Abril têm que as ler.» A obra política de Álvaro Cunhal é também uma «arma insubstituível para a luta ideológica».
Outro lançamento recente a merecer destaque na Festa do Livro foi Clara Zetkin e a luta das Mulheres. Na apresentação, que esteve a cargo de Isabel Cruz e Domingos Abrantes, considerou-se este livro como um estímulo para «recuperarmos uma obra ímpar». Clara Zetkin, lembrou-se, esteve muitos anos esquecida, por se opor ao feminismo burguês. Para além de mulher, ela era dirigente comunista e foi nessa qualidade que lutou pelos direitos das mulheres trabalhadoras. Para Domingos Abrantes, citando clara Zetkin, só o socialismo garantirá às mulheres a igualdade e só com a participação activa das mulheres trabalhadoras será possível construir o socialismo.
Na sexta-feira, foi apresentado o romance inédito escrito por Karl Marx na sua juventude, Escorpião e Fénix. Em seguida, foi a vez de Aborto no País da Virgem, de César Príncipe, Terra e Canto de Todos, e Canto de Intervenção, de Eduardo Raposo.
No sábado, para além dos lançamentos, debateu-se O Tempo das Giestas, de José Casanova, o livro infantil de João Pedro Mésseder Romance do 25 de Abril, Resistentes, de Manuel Pedro, e Jornalistas: do ofício à profissão, de Fernando Correia e Clara Baptista.
Domingo foram apresentadas duas obras: Tempo de Munda e de Mondego, de Alberto Vilaça, e Breviário de Campanha Eleitoral, de Quinto Túlio Cícero.
Edições Avante! com três novidades
Sábado de lançamentos
José Magro é uma «figura grande, muito grande, de revolucionário e de militante comunista», afirmou José Casanova na apresentação de Cartas da Clandestinidade, ao início da tarde de sábado. Para o membro da Comissão Política, que escreveu o prefácio do livro, esta obra tem um grande interesse histórico, sobretudo tendo em conta a campanha em curso de branqueamento do fascismo e de apagamento do papel dos comunistas e do seu Partido.
Pelas suas páginas, contou José Casanova, passa muito da história do Partido e do País entre 1945 e 1973, história esta da qual o autor foi um destacado interveniente. Estão lá a reorganização e os congressos clandestinos; os debates em torno da «política de transição» e o desvio de direita; as relações com o MUNAF e as «eleições» de 1958; o 1.º de Maio de 1962; o VI Congresso e a correcção do desvio de direita. E lá está também a dura vida da clandestinidade: das carências, que o autor menospreza, à «dor terrível» que constitui a separação dos filhos.
Mas mais do que constituir um importante contributo para o conhecimento da história do Partido, o livro contém também importantes e intemporais reflexões «de leitura obrigatória» para os militantes do Partido, afirmou José Casanova. Nomeadamente acerca do significado de se ser revolucionário profissional, funcionário do PCP.
Na obra, prosseguiu José Casanova, o autor revela as suas profundas convicções revolucionárias e na vida José Magro «cumpriu-se como militante revolucionário». Às dificuldades e exigências da luta clandestina, respondeu sempre «presente!». Quando preso, «venceu todos os combates travados com a PIDE» e nunca falou. Após ter vencido, «perdeu o medo».
Para o membro da Comissão Política, é também impressionante a «serenidade confiante» como sempre exerceu a sua actividade revolucionária e como encarava a sua participação na luta. Em seguida, citou uma das cartas: «Sei bem (…) que não chegarei ao final da luta, à vitória do comunismo – mas isso não é para mim essencial, pois estou certo de que ele virá como de estar sentado a esta mesa; e creio que contribuí para ele com a pequena quota-parte que me foi possível. Que exigir mais da vida?». E, questionou o autor do prefácio, «que mais pode a vida exigir a um homem?
Conhecer a luta do Partido e do povo
85 momentos de vida e luta do PCP nasceu da exposição patente no Pavilhão Central na edição do ano passado da Festa do Avante!, ano do 85.º aniversário do Partido, revelou Rui Mota, das Edições Avante!, na apresentação do livro, na tarde de sábado. Dessa exposição ficou a ideia e os momentos. Os textos foram aumentados e acrescentou-se mais um momento, dedicado à JCP e ao seu 8.º Congresso, realizado em Maio de 2006 em Vila Nova de Gaia.
Na opinião de Rui Mota, foram escolhidos estes momentos concretos, mas podiam ter sido muitos outros. De fora, realça, ficam muitos dos protagonistas que fizeram estes momentos – os comunistas e o povo português, pois «não é possível separar» a luta de um e de outro.
Para o membro da editora, este livro é um «contributo sério e honesto» para a história do Partido e do País, «ao contrário de outros que têm sido escritos». Como a luta «também se trava no campo ideológico e da história», destacou, a obra constitui assim um instrumento para a luta das ideias.
José Casanova, membro da Comissão Política e director do Avante!, realçou o «grande mérito» da obra, considerando-a essencial para fixar alguns momentos fundamentais da história do Partido e do País. Mas não só: «quem quiser saber o que foi e o que é o PCP tem aqui um bom início.»
Através do livro, revelou José Casanova, é possível compreender o processo de fascização do Estado português a seguir ao golpe de 28 de Maio de 1926 e a ascensão de Salazar e a criação de um aparelho repressivo à imagem e semelhança do que vigorava na Alemanha de Hitler ou na Itália de Mussolini – é criada a polícia política, PVDE (mais tarde PIDE, mais tarde DGS), a Legião Portuguesa e o Campo de Concentração do Tarrafal. No plano económico, implementa-se o capitalismo monopolista de Estado.
Pelo livro perpassa também a preocupação constante do Partido com o seu reforço, afirmou o membro da Comissão Política. Em 1929 existiam apenas 40 militantes e «foi precisamente com estes que se fez a reorganização», sob o impulso do então secretário-geral Bento Gonçalves. A mesma preocupação esteve na base da reorganização do início dos anos 40. Criaram-se as condições para a defesa da estrutura do Partido, alargou-se a intervenção, fez do PCP um «grande partido nacional», sustentou José Casanova. Em 1945, o PCP dispunha de 5 mil militantes e 4 mil simpatizantes.
A importância da história
Outro lançamento inédito na Festa do Avante! foi o livro de Américo Nunes Diálogos com a história sindical: hotelaria. O ex-sindicalista considerou fundamental que os activistas sindicais conheçam a história dos seus sindicatos e da sua classe. Porque a história ensina, por exemplo, que na luta dos trabalhadores há várias causas, algumas centrais e perfeitamente actuais: a luta pela redução do horário de trabalho e pelo aumento dos salários.
Mas a história ensina também que «vale a pena lutar». E lembrando que tempos houve em que fazer greve era punido com a prisão e mesmo com a morte, realçou que muitos sindicalistas resistiram. «O segredo é resistir sempre», afirmou.
Leonel Nunes, do Comité Central e sindicalista do sector da hotelaria, afirmou, ao apresentar a obra, que o autor não se limita a enumerar as lutas dos trabalhadores do sector, analisando as razões dessas mesmas lutas. O livro remonta a tempos em que os «criados» dormiam e comiam nos estabelecimentos em que trabalhavam e ainda tinham que deixar parte das gorjetas ao patrão.
Com a leitura do livro, destaca Leonel Nunes, fica-se a saber que os trabalhadores galegos que vieram para Portugal foram essenciais para a formação do sindicato, tendo sido, com o fascismo, escorraçados desses mesmos sindicatos.
Confessando-se «profundamente entusiasmado» com a obra, Leonel Nunes apelou ao autor para que a «complete» já que este livro trata da história sindical do sector da hotelaria apenas até 1934, aquando da extinção dos sindicatos livres e ascensão dos chamados «sindicatos nacionais».
Alguns pegavam no livro desejado, sem hesitação. Mas havia também os que preferiam fazer primeiro algumas contas de cabeça, pois a vida não está para grandes gastos e a cultura quase que se torna, hoje, num bem de luxo. Mas, com mais ou menos sacrifício, quase todos acabavam por se deixar convencer pelos preços apetecíveis e pela atracção irresistível de boas leituras.
À entrada da grande tenda que servia de abrigo à Festa do Livro, encontravam-se as obras de Álvaro Cunhal: vários ensaios políticos, os romances, contos e novelas que assinou com o pseudónimo Manuel Tiago ou os célebres e magníficos Desenhos da Prisão. Numa estante própria, o primeiro tomo das suas Obras Escolhidas, editadas este ano pelas Edições Avante!. Não muito longe, uma mesa expunha as obras dos clássicos do marxismo-leninismo. Obras de Marx, Engels e Lenine são presença obrigatória e escolha certa para muitos dos que compreendem que a transformação do mundo tem, também, a sua ciência e que querem estudá-la.
Mas quando o assunto é a transformação do mundo (e do País, pois há que começar por algum lado), é bom não esquecer a Colecção Resistência, das Edições Avante!, que têm também publicados alguns dos principais documentos do Partido.
Mas tal como tudo na Festa do Avante!, também os livros são para todos os gostos. A literatura tem um local especial, assim como os livros para crianças ou os livros técnicos e científicos.
Em torno das mesas, geravam-se conversas. Sobre os livros e sobre os temas que abordavam. Ao lado, no auditório, sucediam-se as apresentações de obras, sempre muito participadas e pretexto para interessantes debates.
Para além dos lançamentos (ver texto ao lado), foram apresentadas várias obras. No sábado, Francisco Melo, membro do Comité Central e responsável pelas Edições Avante!, falou sobre as Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal, considerando a sua leitura «fundamental para a formação política e ideológica dos militantes comunistas». Mas não só, esclarece. «Todos quantos queiram saber o que foi o fascismo e o 25 de Abril têm que as ler.» A obra política de Álvaro Cunhal é também uma «arma insubstituível para a luta ideológica».
Outro lançamento recente a merecer destaque na Festa do Livro foi Clara Zetkin e a luta das Mulheres. Na apresentação, que esteve a cargo de Isabel Cruz e Domingos Abrantes, considerou-se este livro como um estímulo para «recuperarmos uma obra ímpar». Clara Zetkin, lembrou-se, esteve muitos anos esquecida, por se opor ao feminismo burguês. Para além de mulher, ela era dirigente comunista e foi nessa qualidade que lutou pelos direitos das mulheres trabalhadoras. Para Domingos Abrantes, citando clara Zetkin, só o socialismo garantirá às mulheres a igualdade e só com a participação activa das mulheres trabalhadoras será possível construir o socialismo.
Na sexta-feira, foi apresentado o romance inédito escrito por Karl Marx na sua juventude, Escorpião e Fénix. Em seguida, foi a vez de Aborto no País da Virgem, de César Príncipe, Terra e Canto de Todos, e Canto de Intervenção, de Eduardo Raposo.
No sábado, para além dos lançamentos, debateu-se O Tempo das Giestas, de José Casanova, o livro infantil de João Pedro Mésseder Romance do 25 de Abril, Resistentes, de Manuel Pedro, e Jornalistas: do ofício à profissão, de Fernando Correia e Clara Baptista.
Domingo foram apresentadas duas obras: Tempo de Munda e de Mondego, de Alberto Vilaça, e Breviário de Campanha Eleitoral, de Quinto Túlio Cícero.
Edições Avante! com três novidades
Sábado de lançamentos
José Magro é uma «figura grande, muito grande, de revolucionário e de militante comunista», afirmou José Casanova na apresentação de Cartas da Clandestinidade, ao início da tarde de sábado. Para o membro da Comissão Política, que escreveu o prefácio do livro, esta obra tem um grande interesse histórico, sobretudo tendo em conta a campanha em curso de branqueamento do fascismo e de apagamento do papel dos comunistas e do seu Partido.
Pelas suas páginas, contou José Casanova, passa muito da história do Partido e do País entre 1945 e 1973, história esta da qual o autor foi um destacado interveniente. Estão lá a reorganização e os congressos clandestinos; os debates em torno da «política de transição» e o desvio de direita; as relações com o MUNAF e as «eleições» de 1958; o 1.º de Maio de 1962; o VI Congresso e a correcção do desvio de direita. E lá está também a dura vida da clandestinidade: das carências, que o autor menospreza, à «dor terrível» que constitui a separação dos filhos.
Mas mais do que constituir um importante contributo para o conhecimento da história do Partido, o livro contém também importantes e intemporais reflexões «de leitura obrigatória» para os militantes do Partido, afirmou José Casanova. Nomeadamente acerca do significado de se ser revolucionário profissional, funcionário do PCP.
Na obra, prosseguiu José Casanova, o autor revela as suas profundas convicções revolucionárias e na vida José Magro «cumpriu-se como militante revolucionário». Às dificuldades e exigências da luta clandestina, respondeu sempre «presente!». Quando preso, «venceu todos os combates travados com a PIDE» e nunca falou. Após ter vencido, «perdeu o medo».
Para o membro da Comissão Política, é também impressionante a «serenidade confiante» como sempre exerceu a sua actividade revolucionária e como encarava a sua participação na luta. Em seguida, citou uma das cartas: «Sei bem (…) que não chegarei ao final da luta, à vitória do comunismo – mas isso não é para mim essencial, pois estou certo de que ele virá como de estar sentado a esta mesa; e creio que contribuí para ele com a pequena quota-parte que me foi possível. Que exigir mais da vida?». E, questionou o autor do prefácio, «que mais pode a vida exigir a um homem?
Conhecer a luta do Partido e do povo
85 momentos de vida e luta do PCP nasceu da exposição patente no Pavilhão Central na edição do ano passado da Festa do Avante!, ano do 85.º aniversário do Partido, revelou Rui Mota, das Edições Avante!, na apresentação do livro, na tarde de sábado. Dessa exposição ficou a ideia e os momentos. Os textos foram aumentados e acrescentou-se mais um momento, dedicado à JCP e ao seu 8.º Congresso, realizado em Maio de 2006 em Vila Nova de Gaia.
Na opinião de Rui Mota, foram escolhidos estes momentos concretos, mas podiam ter sido muitos outros. De fora, realça, ficam muitos dos protagonistas que fizeram estes momentos – os comunistas e o povo português, pois «não é possível separar» a luta de um e de outro.
Para o membro da editora, este livro é um «contributo sério e honesto» para a história do Partido e do País, «ao contrário de outros que têm sido escritos». Como a luta «também se trava no campo ideológico e da história», destacou, a obra constitui assim um instrumento para a luta das ideias.
José Casanova, membro da Comissão Política e director do Avante!, realçou o «grande mérito» da obra, considerando-a essencial para fixar alguns momentos fundamentais da história do Partido e do País. Mas não só: «quem quiser saber o que foi e o que é o PCP tem aqui um bom início.»
Através do livro, revelou José Casanova, é possível compreender o processo de fascização do Estado português a seguir ao golpe de 28 de Maio de 1926 e a ascensão de Salazar e a criação de um aparelho repressivo à imagem e semelhança do que vigorava na Alemanha de Hitler ou na Itália de Mussolini – é criada a polícia política, PVDE (mais tarde PIDE, mais tarde DGS), a Legião Portuguesa e o Campo de Concentração do Tarrafal. No plano económico, implementa-se o capitalismo monopolista de Estado.
Pelo livro perpassa também a preocupação constante do Partido com o seu reforço, afirmou o membro da Comissão Política. Em 1929 existiam apenas 40 militantes e «foi precisamente com estes que se fez a reorganização», sob o impulso do então secretário-geral Bento Gonçalves. A mesma preocupação esteve na base da reorganização do início dos anos 40. Criaram-se as condições para a defesa da estrutura do Partido, alargou-se a intervenção, fez do PCP um «grande partido nacional», sustentou José Casanova. Em 1945, o PCP dispunha de 5 mil militantes e 4 mil simpatizantes.
A importância da história
Outro lançamento inédito na Festa do Avante! foi o livro de Américo Nunes Diálogos com a história sindical: hotelaria. O ex-sindicalista considerou fundamental que os activistas sindicais conheçam a história dos seus sindicatos e da sua classe. Porque a história ensina, por exemplo, que na luta dos trabalhadores há várias causas, algumas centrais e perfeitamente actuais: a luta pela redução do horário de trabalho e pelo aumento dos salários.
Mas a história ensina também que «vale a pena lutar». E lembrando que tempos houve em que fazer greve era punido com a prisão e mesmo com a morte, realçou que muitos sindicalistas resistiram. «O segredo é resistir sempre», afirmou.
Leonel Nunes, do Comité Central e sindicalista do sector da hotelaria, afirmou, ao apresentar a obra, que o autor não se limita a enumerar as lutas dos trabalhadores do sector, analisando as razões dessas mesmas lutas. O livro remonta a tempos em que os «criados» dormiam e comiam nos estabelecimentos em que trabalhavam e ainda tinham que deixar parte das gorjetas ao patrão.
Com a leitura do livro, destaca Leonel Nunes, fica-se a saber que os trabalhadores galegos que vieram para Portugal foram essenciais para a formação do sindicato, tendo sido, com o fascismo, escorraçados desses mesmos sindicatos.
Confessando-se «profundamente entusiasmado» com a obra, Leonel Nunes apelou ao autor para que a «complete» já que este livro trata da história sindical do sector da hotelaria apenas até 1934, aquando da extinção dos sindicatos livres e ascensão dos chamados «sindicatos nacionais».