Debater e organizar ao ritmo da luta
É num intenso período de luta que o PCP está a preparar a sua VI Assembleia da Organização Regional de Lisboa, que se realiza no próximo dia 18. Sobre a sua preparação, o Avante! falou com Carlos Chaparro, Paula Henriques, Luís Fernandes e Carlos Grilo, membros da DORL e do Comité Central.
Da preparação da Assembleia constam mais de 230 reuniões e plenários
Carlos Chaparro recorda que esta situação não é nova: já há quatro anos os comunistas de Lisboa realizaram a sua 5.ª assembleia apenas três dias antes da Greve Geral. O dirigente comunista entende que este calendário não prejudica os trabalhos da Assembleia, como se pode ver pelas 230 reuniões previstas (mais de 150 delas já realizadas) na fase preparatória da Assembleia. Por outro lado, é sintomático da ligação do PCP à realidade laboral e social dos trabalhadores e das populações do distrito.
A assembleia realiza-se no pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, no dia 18 de Novembro. Ou seja, poucos dias após a greve geral da Administração Pública – que ocorre hoje e amanhã – e a uma semana da acção nacional de luta agendada pela CGTP-IN para o dia 25. Por estes dias também os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa e da Petrogal estão em luta.
E o Protesto Geral do passado dia 12 de Outubro, que trouxe às ruas da capital mais de 100 mil trabalhadores, aconteceu num período em que os comunistas de Lisboa já debatiam nas suas organizações o projecto de resolução política da sua reunião magna.
A luta dos trabalhadores e das populações contra a ofensiva dos sucessivos governos marca, aliás, os últimos quatro anos, considera Paula Henriques. A dirigente do PCP destaca as lutas travadas no distrito em defesa dos postos de trabalho e do aparelho produtivo – na Sorefame, na MB Pereira da Costa ou na OPEL – e contra as privatizações, nomeadamente no sector dos transportes. Para Paula Henriques, se aCarris, a TAP ou o Metro estão ainda na posse do Estado isso deve-se à luta dos trabalhadores e à intervenção do Partido.
«Em quatro anos, ocupámos o nosso esforço no desenvolvimento destas lutas e procurámos ir aproveitando estas lutas para o reforço da nossa organização», afirma Paula Henriques, destacando a participação das organizações locais do Partido nas acções ao lado dos trabalhadores das diversas empresas: na Amadora, em defesa da Sorefame; na Azambuja, contra o encerramento da Opel; em Lisboa, pela Carris pública.
Este último caso é exemplar ainda por outra razão, sustenta a dirigente comunista. A luta dos trabalhadores contra a privatização – neste caso chamada de «municipalização» – coincidiu com a luta das populações em defesa do serviço público de transporte e contra o corte de carreiras. «Temos conseguido agarrar os dois lados do problema», realçou.
Um Partido voltado para os trabalhadores
Para Carlos Chaparro, a última assembleia «representou, de certa forma, um corte com o passado». Muitos dos problemas com que o Partido se deparava em Lisboa ficaram resolvidos em 2002, na 5.ª Assembleia. E as medidas foram tomadas, afirmou. Nos últimos anos foram criados novos organismos por sector profissional: grandes superfícies, construção civil, limpeza e segurança, sem esquecer os chamados sectores «tradicionais».
Foram ainda recriados os sectores de empresas concelhios. Chaparro lembra que a recriação destes sectores «parte de uma base orgânica muito mais fraca, com muito mais dificuldades». Até porque, afirma, «onde antes estava a célula estão agora, em muitos casos, apenas pontas soltas». Em sua opinião, é necessário construir o Partido em parte dessas empresas e isso demora tempo. «É algo que não se altera em quatro anos, mas têm que ser dados os passos necessários», destaca, confiando que as medidas já tomadas são positivas. Já Carlos Grilo realça as medidas previstas para a VI assembleia: organizar, ao nível concelhio, os professores, os trabalhadores da Administração Pública, do comércio e da Saúde, entre outros.
Com a ofensiva dos últimos anos, muitas empresas foram destruídas e isso reflectiu-se na organização do Partido. Mas a cidade e o distrito de Lisboa continuam a concentrar um considerável número de grandes empresas, muitas das quais onde o Partido intervém regularmente. Das quase 300 organizações de base do Partido no distrito, 44 por cento são por empresa ou local de trabalho, lê-se na proposta de Resolução Política.
2006, ano de reforço do Partido
Lisboa dá forte contribuição
Em ano de reforço do Partido, os dirigentes da Organização Regional de Lisboa que falaram ao Avante! mostraram-se satisfeitos com a contribuição da organização para o reforço geral do Partido. Revela Luís Fernandes que se realizaram – desde o princípio do ano e até ao final do mês de Setembro – 78 assembleias de organização, estando agendadas para depois dessa data mais 18.
Destas assembleias, destaca Carlos Chaparro, muitas são de grandes organizações e sectores. As concelhias de Loures, Sintra, Cascais, Vila Franca de Xira e Odivelas, os sectores dos Transportes, Correios, Função Pública, Bancários, Seguros, bem como várias células de empresa e organizações de freguesia, realizaram as suas assembleias. Na cidade de Lisboa, por exemplo, isto já aconteceu em 30 das 53 freguesias da capital.
Relativamente ao recrutamento, Luís Fernandes anunciou a entrada para o Partido, este ano, de 389 novos militantes. Desde a 5.ª assembleia foram 1 429. No que respeita à responsabilização de novos quadros, a organização regional tinha definido uma meta regional de 60. Até ao final de Setembro, eram já 286 os militantes com tarefas, 157 dos quais jovens.
«Mais atrasados estamos na transferência dos militantes com menos de 55 anos para as empresas e sectores profissionais», avança Carlos Chaparro. Na campanha de contactos, reafirmaram já o seu desejo de permaneceram do Partido mais de 16 mil militantes.
Luís Fernandes destacou também os avanços dados na formação política e ideológica dos militantes do Partido. Depois de vários anos, regressaram os cursos distritais de formação ideológica, para além dos realizados na escola do Partido. Com tão elevado nível de recrutamento jovem, Luís Fernandes considera essencial «trabalhar ao nível do conhecimento por parte desses novos camaradas dos princípios, objectivos e funcionamento do Partido».
Carlos Grilo considera que também foram dados importantes passos, nas organizações do Partido, ao nível da propaganda em torno dos problemas específicos dos trabalhadores e das populações. Não sendo ainda homogéneo, o dirigente comunista realça os avanços em algumas células ou organizações locais.
Perto do fim do mandato da direcção regional eleita na 5.ª assembleia, realizada em Dezembro de 2002, Carlos Chaparro faz um balanço positivo da sua actuação. «Conseguiu alcançar o fundamental dos seus objectivos», afirmou, apesar dos atrasos existentes. Mas, lembrou, «há que ter em conta aquilo que a DORL representa, não apenas ao nível da sua actividade própria, mas também ao nível da actividade central do Partido», já que grande parte das iniciativas centrais se realizam em Lisboa.
A assembleia realiza-se no pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa, no dia 18 de Novembro. Ou seja, poucos dias após a greve geral da Administração Pública – que ocorre hoje e amanhã – e a uma semana da acção nacional de luta agendada pela CGTP-IN para o dia 25. Por estes dias também os trabalhadores do Metropolitano de Lisboa e da Petrogal estão em luta.
E o Protesto Geral do passado dia 12 de Outubro, que trouxe às ruas da capital mais de 100 mil trabalhadores, aconteceu num período em que os comunistas de Lisboa já debatiam nas suas organizações o projecto de resolução política da sua reunião magna.
A luta dos trabalhadores e das populações contra a ofensiva dos sucessivos governos marca, aliás, os últimos quatro anos, considera Paula Henriques. A dirigente do PCP destaca as lutas travadas no distrito em defesa dos postos de trabalho e do aparelho produtivo – na Sorefame, na MB Pereira da Costa ou na OPEL – e contra as privatizações, nomeadamente no sector dos transportes. Para Paula Henriques, se aCarris, a TAP ou o Metro estão ainda na posse do Estado isso deve-se à luta dos trabalhadores e à intervenção do Partido.
«Em quatro anos, ocupámos o nosso esforço no desenvolvimento destas lutas e procurámos ir aproveitando estas lutas para o reforço da nossa organização», afirma Paula Henriques, destacando a participação das organizações locais do Partido nas acções ao lado dos trabalhadores das diversas empresas: na Amadora, em defesa da Sorefame; na Azambuja, contra o encerramento da Opel; em Lisboa, pela Carris pública.
Este último caso é exemplar ainda por outra razão, sustenta a dirigente comunista. A luta dos trabalhadores contra a privatização – neste caso chamada de «municipalização» – coincidiu com a luta das populações em defesa do serviço público de transporte e contra o corte de carreiras. «Temos conseguido agarrar os dois lados do problema», realçou.
Um Partido voltado para os trabalhadores
Para Carlos Chaparro, a última assembleia «representou, de certa forma, um corte com o passado». Muitos dos problemas com que o Partido se deparava em Lisboa ficaram resolvidos em 2002, na 5.ª Assembleia. E as medidas foram tomadas, afirmou. Nos últimos anos foram criados novos organismos por sector profissional: grandes superfícies, construção civil, limpeza e segurança, sem esquecer os chamados sectores «tradicionais».
Foram ainda recriados os sectores de empresas concelhios. Chaparro lembra que a recriação destes sectores «parte de uma base orgânica muito mais fraca, com muito mais dificuldades». Até porque, afirma, «onde antes estava a célula estão agora, em muitos casos, apenas pontas soltas». Em sua opinião, é necessário construir o Partido em parte dessas empresas e isso demora tempo. «É algo que não se altera em quatro anos, mas têm que ser dados os passos necessários», destaca, confiando que as medidas já tomadas são positivas. Já Carlos Grilo realça as medidas previstas para a VI assembleia: organizar, ao nível concelhio, os professores, os trabalhadores da Administração Pública, do comércio e da Saúde, entre outros.
Com a ofensiva dos últimos anos, muitas empresas foram destruídas e isso reflectiu-se na organização do Partido. Mas a cidade e o distrito de Lisboa continuam a concentrar um considerável número de grandes empresas, muitas das quais onde o Partido intervém regularmente. Das quase 300 organizações de base do Partido no distrito, 44 por cento são por empresa ou local de trabalho, lê-se na proposta de Resolução Política.
2006, ano de reforço do Partido
Lisboa dá forte contribuição
Em ano de reforço do Partido, os dirigentes da Organização Regional de Lisboa que falaram ao Avante! mostraram-se satisfeitos com a contribuição da organização para o reforço geral do Partido. Revela Luís Fernandes que se realizaram – desde o princípio do ano e até ao final do mês de Setembro – 78 assembleias de organização, estando agendadas para depois dessa data mais 18.
Destas assembleias, destaca Carlos Chaparro, muitas são de grandes organizações e sectores. As concelhias de Loures, Sintra, Cascais, Vila Franca de Xira e Odivelas, os sectores dos Transportes, Correios, Função Pública, Bancários, Seguros, bem como várias células de empresa e organizações de freguesia, realizaram as suas assembleias. Na cidade de Lisboa, por exemplo, isto já aconteceu em 30 das 53 freguesias da capital.
Relativamente ao recrutamento, Luís Fernandes anunciou a entrada para o Partido, este ano, de 389 novos militantes. Desde a 5.ª assembleia foram 1 429. No que respeita à responsabilização de novos quadros, a organização regional tinha definido uma meta regional de 60. Até ao final de Setembro, eram já 286 os militantes com tarefas, 157 dos quais jovens.
«Mais atrasados estamos na transferência dos militantes com menos de 55 anos para as empresas e sectores profissionais», avança Carlos Chaparro. Na campanha de contactos, reafirmaram já o seu desejo de permaneceram do Partido mais de 16 mil militantes.
Luís Fernandes destacou também os avanços dados na formação política e ideológica dos militantes do Partido. Depois de vários anos, regressaram os cursos distritais de formação ideológica, para além dos realizados na escola do Partido. Com tão elevado nível de recrutamento jovem, Luís Fernandes considera essencial «trabalhar ao nível do conhecimento por parte desses novos camaradas dos princípios, objectivos e funcionamento do Partido».
Carlos Grilo considera que também foram dados importantes passos, nas organizações do Partido, ao nível da propaganda em torno dos problemas específicos dos trabalhadores e das populações. Não sendo ainda homogéneo, o dirigente comunista realça os avanços em algumas células ou organizações locais.
Perto do fim do mandato da direcção regional eleita na 5.ª assembleia, realizada em Dezembro de 2002, Carlos Chaparro faz um balanço positivo da sua actuação. «Conseguiu alcançar o fundamental dos seus objectivos», afirmou, apesar dos atrasos existentes. Mas, lembrou, «há que ter em conta aquilo que a DORL representa, não apenas ao nível da sua actividade própria, mas também ao nível da actividade central do Partido», já que grande parte das iniciativas centrais se realizam em Lisboa.