Mais uma...
O ministro da Saúde, Correia de Campos, volta a atacar, reafirmando-se como um dos mais empenhados executores da política neoliberal do Governo de José Sócrates. Só que, desta vez, já não se limita a desmantelar serviços e recursos públicos que o regime democrático saído da Revolução de Abril pôs ao serviço da Saúde dos portugueses: agora propõe-se tomar medidas que até podem ter graves consequências mundiais.
Anunciou o ministro – com forte aplauso dos farmacêuticos, em cujo 8.º Congresso Nacional falava – que tinha «em preparação» medidas que permitirão às farmácias distribuir medicamentos «altamente dispendiosos» para doenças como o cancro, a SIDA, a hepatite C e «outras».
O Correio da Manhã (único diário que se deu ao trabalho de publicar a novidade) ouviu várias fontes, que consideraram estes novos serviços a serem prestados pelas farmácias «como contrapartidas que os farmacêuticos vão receber do Ministério da Saúde por terem subscrito o Compromisso com a Saúde, assumido em Maio passado com o Governo».
Quanto ao ministro, não teve pudor em afirmar que «o controlo da administração destes medicamentos poderosos, agressivos, essenciais e dispendiosos tem cabido exclusivamente a hospitais do Serviço Nacional de Saúde e não há razões para que ele não seja partilhado com farmácias, nos tratamentos em ambulatório».
A esta displicência do governante, que «não vê razões» para que as farmácias «não partilhem» do apetecido bolo do fornecimento directo de medicamentos dispendiosos, responde sem rodeios o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, afirmando que «o ministro deve estar distraído. Um parecer da comissão técnica – composto por farmacêuticos e a qual integrei, há dois anos – foi totalmente negativo. Se os medicamentos para a SIDA não forem monitorizados nos hospitais há um enorme risco de resistência do vírus da SIDA – à semelhança do que acontece com a tuberculose – que pode matar todos os doentes».
Pior que isso: se os doentes com SIDA não tiverem a terapêutica rigorosamente controlada (o que só pode ocorrer em hospitais e sob supervisão directa dos médicos assistentes), desenvolvem resistência aos remédios, o vírus (VIH) torna-se mais agressivo e os antiretrovíricos perdem eficácia, pelo que os contágios entre as pessoas passam a ser feitos com vírus mais resistentes – conhecida que é a sua capacidade de mutação -, o que pode desencadear, pura e simplesmente, um grave problema a nível mundial, provocando um trágico retrocesso na luta contra a SIDA em todo o planeta...
Não é por acaso, aliás, que a Ordem dos Médicos reagiu de imediato e também sem rodeios a estas intenções do ministro, ameaçando denunciar o caso nas instâncias internacionais e levantar processos disciplinares a todos os médicos que prescrevam estes medicamentos para serem cedidos nas farmácias.
Indiferente, o ministro Correia de Campos garante, entretanto, que «não temos dúvidas que trabalharemos bem nesta matéria».
Só se, por «trabalhar bem», o ministro entende ser a diminuição drástica destes doentes, em consequência da inevitável razia de mortes prematuras que o «tratamento nas farmácias» irá desencadear, não falando das trágicas consequências no tratamento destas doenças...
Quanto aos farmacêuticos, afirma o CM que apesar de tudo isto, «defendem o maior acesso ao medicamento».
Não admira: em negócios privados o que sempre e apenas interessa é o lucro.
Mas um Governo português – ainda por cima dito socialista - já só governa e decide em função desses interesses?!...
Anunciou o ministro – com forte aplauso dos farmacêuticos, em cujo 8.º Congresso Nacional falava – que tinha «em preparação» medidas que permitirão às farmácias distribuir medicamentos «altamente dispendiosos» para doenças como o cancro, a SIDA, a hepatite C e «outras».
O Correio da Manhã (único diário que se deu ao trabalho de publicar a novidade) ouviu várias fontes, que consideraram estes novos serviços a serem prestados pelas farmácias «como contrapartidas que os farmacêuticos vão receber do Ministério da Saúde por terem subscrito o Compromisso com a Saúde, assumido em Maio passado com o Governo».
Quanto ao ministro, não teve pudor em afirmar que «o controlo da administração destes medicamentos poderosos, agressivos, essenciais e dispendiosos tem cabido exclusivamente a hospitais do Serviço Nacional de Saúde e não há razões para que ele não seja partilhado com farmácias, nos tratamentos em ambulatório».
A esta displicência do governante, que «não vê razões» para que as farmácias «não partilhem» do apetecido bolo do fornecimento directo de medicamentos dispendiosos, responde sem rodeios o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, afirmando que «o ministro deve estar distraído. Um parecer da comissão técnica – composto por farmacêuticos e a qual integrei, há dois anos – foi totalmente negativo. Se os medicamentos para a SIDA não forem monitorizados nos hospitais há um enorme risco de resistência do vírus da SIDA – à semelhança do que acontece com a tuberculose – que pode matar todos os doentes».
Pior que isso: se os doentes com SIDA não tiverem a terapêutica rigorosamente controlada (o que só pode ocorrer em hospitais e sob supervisão directa dos médicos assistentes), desenvolvem resistência aos remédios, o vírus (VIH) torna-se mais agressivo e os antiretrovíricos perdem eficácia, pelo que os contágios entre as pessoas passam a ser feitos com vírus mais resistentes – conhecida que é a sua capacidade de mutação -, o que pode desencadear, pura e simplesmente, um grave problema a nível mundial, provocando um trágico retrocesso na luta contra a SIDA em todo o planeta...
Não é por acaso, aliás, que a Ordem dos Médicos reagiu de imediato e também sem rodeios a estas intenções do ministro, ameaçando denunciar o caso nas instâncias internacionais e levantar processos disciplinares a todos os médicos que prescrevam estes medicamentos para serem cedidos nas farmácias.
Indiferente, o ministro Correia de Campos garante, entretanto, que «não temos dúvidas que trabalharemos bem nesta matéria».
Só se, por «trabalhar bem», o ministro entende ser a diminuição drástica destes doentes, em consequência da inevitável razia de mortes prematuras que o «tratamento nas farmácias» irá desencadear, não falando das trágicas consequências no tratamento destas doenças...
Quanto aos farmacêuticos, afirma o CM que apesar de tudo isto, «defendem o maior acesso ao medicamento».
Não admira: em negócios privados o que sempre e apenas interessa é o lucro.
Mas um Governo português – ainda por cima dito socialista - já só governa e decide em função desses interesses?!...