O embuste nuclear
Os EUA lideram o desenvolvimento de novas armas nucleares e de extermínio massivo
Os EUA divulgaram há dias a revisão da sua Política Nacional Espacial.
O facto ocorre numa altura em que se agrava a tensão na península coreana depois do CS da ONU ter votado a aplicação de sanções à RPDC, e quando a UE anunciou o fim das negociações com o Irão sobre o seu programa de energia nuclear.
O decreto assinado ainda dia 6 por Bush não se fica pelas meias tintas nos seus objectivos: assumindo o crescente pendor totalitário que a superpotência imperialista vai desnudando em todos os domínios, estabelece simplesmente como prerrogativa dos EUA o direito de privar do acesso ao espaço cósmico qualquer país considerado “hostil”. E, entre outros “mimos” de uma doutrina imperial bafienta, arroga-se o direito de rejeitar de antemão quaisquer acordos internacionais no âmbito do controlo de armamentos que possam restringir a sua presença no espaço.
Restam agora poucas dúvidas de que os EUA, a não serem travados, se preparam para testar e de seguida instalar armas no espaço.
Fruto de uma dinâmica de dominação planetária que assume contornos irracionais, é sobre o imperialismo que pesa o ónus de mais uma gravíssima e inaudita medida no sentido da escalada armamentista. O que torna ainda mais evidente o profundo cinismo da campanha mundial de “não-proliferação” nuclear da qual os EUA se arvoram paladinos e polícias.
Não se trata somente da política de duplos critérios de que está enferma, na actual correlação de forças, a aplicação do Tratado de Não Proliferação, ao fazer vista grossa de países “aliados” possuidores da arma nuclear e não signatários do TNP, como é o caso flagrante de Israel. Mas, também, na sua base, dos colossais orçamentos militares dos EUA, país que sozinho gasta tanto em armas como todos os restantes países do planeta juntos; do facto de os EUA – o único país que até hoje já empregou a arma nuclear – liderarem o desenvolvimento de novas armas nucleares e de extermínio massivo e banalizarem a sua utilização; do facto, enfim, de os EUA serem o ponta de lança de uma política global de classe, de exploração e agressão.
É por isso essencial desmistificar o perigoso embuste imperialista em torno da questão da proliferação nuclear. A paz e a verdadeira segurança mundial exigem medidas de distensão e de real desarmamento nuclear a que a actual ordem capitalista não está em condições de corresponder.
Duas décadas depois de Reagan, o famigerado projecto de “guerra das estrelas” assume uma dimensão mais pragmática e perigosa.
Os EUA abandonaram unilateralmente, em 2002, o tratado ABM para iniciarem a instalação de um sistema global anti-míssil. Este projecto possui um decisivo segmento europeu, nomeadamente através da instalação de novos vectores militares em países como a Polónia, a que a Rússia já prometeu uma resposta assimétrica. A componente espacial está integrada neste programa que, ao contrário do que é afirmado, não possui um carácter defensivo. Independentemente da questão da sua eficácia técnica, trata-se antes de mais de um amplo e ambicioso programa ofensivo que visa o alargamento máximo da possibilidade de desferir “impunemente” um ataque preventivo, quebrando a acção do factor de dissuasão recíproca, a pedra angular do equilíbrio nuclear estratégico ainda hoje existente. Provocação à parte, é sintomática a publicação este ano na revista Foreign Affairs de um artigo que proclama o início da «era da supremacia nuclear americana» – algo que os EUA nunca alcançaram face à URSS – e prognostica para breve o momento em que os EUA estarão em condições de num primeiro ataque destruir os arsenais estratégicos da China – cujo horizonte de “contenção” é uma preocupação omnipresente – e Rússia...
Em nome da “luta contra o terrorismo” e da “democracia”, prossegue a espiral de “absorção” de antigos países do bloco socialista e ex-URSS com a instalação de bases militares dos EUA e NATO. Apesar da proximidade de classe, é o rival capitalista que emerge numa Rússia de inesgotáveis riquezas, que ainda por cima herdou o potencial defensivo dissuasor soviético, que se perfila na mira dos EUA. A lógica imperialista dita a sua lei, aprofundando as ameaças à paz mundial.
O facto ocorre numa altura em que se agrava a tensão na península coreana depois do CS da ONU ter votado a aplicação de sanções à RPDC, e quando a UE anunciou o fim das negociações com o Irão sobre o seu programa de energia nuclear.
O decreto assinado ainda dia 6 por Bush não se fica pelas meias tintas nos seus objectivos: assumindo o crescente pendor totalitário que a superpotência imperialista vai desnudando em todos os domínios, estabelece simplesmente como prerrogativa dos EUA o direito de privar do acesso ao espaço cósmico qualquer país considerado “hostil”. E, entre outros “mimos” de uma doutrina imperial bafienta, arroga-se o direito de rejeitar de antemão quaisquer acordos internacionais no âmbito do controlo de armamentos que possam restringir a sua presença no espaço.
Restam agora poucas dúvidas de que os EUA, a não serem travados, se preparam para testar e de seguida instalar armas no espaço.
Fruto de uma dinâmica de dominação planetária que assume contornos irracionais, é sobre o imperialismo que pesa o ónus de mais uma gravíssima e inaudita medida no sentido da escalada armamentista. O que torna ainda mais evidente o profundo cinismo da campanha mundial de “não-proliferação” nuclear da qual os EUA se arvoram paladinos e polícias.
Não se trata somente da política de duplos critérios de que está enferma, na actual correlação de forças, a aplicação do Tratado de Não Proliferação, ao fazer vista grossa de países “aliados” possuidores da arma nuclear e não signatários do TNP, como é o caso flagrante de Israel. Mas, também, na sua base, dos colossais orçamentos militares dos EUA, país que sozinho gasta tanto em armas como todos os restantes países do planeta juntos; do facto de os EUA – o único país que até hoje já empregou a arma nuclear – liderarem o desenvolvimento de novas armas nucleares e de extermínio massivo e banalizarem a sua utilização; do facto, enfim, de os EUA serem o ponta de lança de uma política global de classe, de exploração e agressão.
É por isso essencial desmistificar o perigoso embuste imperialista em torno da questão da proliferação nuclear. A paz e a verdadeira segurança mundial exigem medidas de distensão e de real desarmamento nuclear a que a actual ordem capitalista não está em condições de corresponder.
Duas décadas depois de Reagan, o famigerado projecto de “guerra das estrelas” assume uma dimensão mais pragmática e perigosa.
Os EUA abandonaram unilateralmente, em 2002, o tratado ABM para iniciarem a instalação de um sistema global anti-míssil. Este projecto possui um decisivo segmento europeu, nomeadamente através da instalação de novos vectores militares em países como a Polónia, a que a Rússia já prometeu uma resposta assimétrica. A componente espacial está integrada neste programa que, ao contrário do que é afirmado, não possui um carácter defensivo. Independentemente da questão da sua eficácia técnica, trata-se antes de mais de um amplo e ambicioso programa ofensivo que visa o alargamento máximo da possibilidade de desferir “impunemente” um ataque preventivo, quebrando a acção do factor de dissuasão recíproca, a pedra angular do equilíbrio nuclear estratégico ainda hoje existente. Provocação à parte, é sintomática a publicação este ano na revista Foreign Affairs de um artigo que proclama o início da «era da supremacia nuclear americana» – algo que os EUA nunca alcançaram face à URSS – e prognostica para breve o momento em que os EUA estarão em condições de num primeiro ataque destruir os arsenais estratégicos da China – cujo horizonte de “contenção” é uma preocupação omnipresente – e Rússia...
Em nome da “luta contra o terrorismo” e da “democracia”, prossegue a espiral de “absorção” de antigos países do bloco socialista e ex-URSS com a instalação de bases militares dos EUA e NATO. Apesar da proximidade de classe, é o rival capitalista que emerge numa Rússia de inesgotáveis riquezas, que ainda por cima herdou o potencial defensivo dissuasor soviético, que se perfila na mira dos EUA. A lógica imperialista dita a sua lei, aprofundando as ameaças à paz mundial.