A importância de ser Vitoriano
Há pessoas que quando morrem não nos deixam apenas saudade.
Deixam uma memória tão forte que, ligada à seriedade profunda do seu pensamento, à simplicidade do seu modo de tratar com os outros, ao sorriso da sua face, se vêem juntar ao que de melhor encontrámos e apreciámos na vida.
José Vitoriano não esbanjou o percurso que o tempo lhe permitiu percorrer. Descobriu ideias que adoptou, não unicamente para si, porque seria pouco querê-las só para ele. Muito, em seu entusiasmo, seria partilhá-las com outros, muitos outros.
Fez a sua escolha e manteve-se fiel a ela. Começou na escola de operário corticeiro. Foi dos primeiros comunistas a ser eleito pelos trabalhadores como dirigente de um sindicato, em plena ditadura fascista. Atravessou a corda de aço à custa de 17 anos de prisão. Mesmo na prisão foi novamente julgado, e condenado, por ter querido – ousadia imperdoável! – contactar camaradas de outras celas.
A vida de José Vitoriano – o Zé – foi um hino a muitas coisas belas. Foi esforçada, e foi forçada por uma ditadura que agora se quer maquilhada de cores suaves. Foi água fresca e inteligente do riacho a saltar as pedras com vontade do rio. E foi o riso contente do rio com a determinação de desaguar no mar.
Teve cargos importantes sem nunca se dar ares de importância. Como Vice-presidente da Assembleia da República foi mesmo o único comunista que exerceu por inerência, embora logo substituído, o cargo de Presidente da República.
Legou-nos a grande herança da não desistência Com a afabilidade de quem oferece simpatia por ver e olhar.
Escolheu a sua luta, até o seu coração parar, na manhã da passada sexta-feira.
Morreu combatente, por si e por tantos outros que ficaram, que ficam e ficarão.
A palavra certa de despedida é decerto: obrigado, José Vitoriano. Entendeste, sentiste, realizaste.
A tua vida teve o sentido grande de abrir caminhos, mesmo no pequeno ângulo da cela fechada de uma prisão.
E conseguiste percorrer, mesmo quando gradeado, a grande estrada aberta.
A estrada que fazemos, caminhando.
Deixam uma memória tão forte que, ligada à seriedade profunda do seu pensamento, à simplicidade do seu modo de tratar com os outros, ao sorriso da sua face, se vêem juntar ao que de melhor encontrámos e apreciámos na vida.
José Vitoriano não esbanjou o percurso que o tempo lhe permitiu percorrer. Descobriu ideias que adoptou, não unicamente para si, porque seria pouco querê-las só para ele. Muito, em seu entusiasmo, seria partilhá-las com outros, muitos outros.
Fez a sua escolha e manteve-se fiel a ela. Começou na escola de operário corticeiro. Foi dos primeiros comunistas a ser eleito pelos trabalhadores como dirigente de um sindicato, em plena ditadura fascista. Atravessou a corda de aço à custa de 17 anos de prisão. Mesmo na prisão foi novamente julgado, e condenado, por ter querido – ousadia imperdoável! – contactar camaradas de outras celas.
A vida de José Vitoriano – o Zé – foi um hino a muitas coisas belas. Foi esforçada, e foi forçada por uma ditadura que agora se quer maquilhada de cores suaves. Foi água fresca e inteligente do riacho a saltar as pedras com vontade do rio. E foi o riso contente do rio com a determinação de desaguar no mar.
Teve cargos importantes sem nunca se dar ares de importância. Como Vice-presidente da Assembleia da República foi mesmo o único comunista que exerceu por inerência, embora logo substituído, o cargo de Presidente da República.
Legou-nos a grande herança da não desistência Com a afabilidade de quem oferece simpatia por ver e olhar.
Escolheu a sua luta, até o seu coração parar, na manhã da passada sexta-feira.
Morreu combatente, por si e por tantos outros que ficaram, que ficam e ficarão.
A palavra certa de despedida é decerto: obrigado, José Vitoriano. Entendeste, sentiste, realizaste.
A tua vida teve o sentido grande de abrir caminhos, mesmo no pequeno ângulo da cela fechada de uma prisão.
E conseguiste percorrer, mesmo quando gradeado, a grande estrada aberta.
A estrada que fazemos, caminhando.