PS, PSD e CDS contra a cidade
Na sexta-feira passada, reuniu logo pelas nove da manhã, e sob a aparência de se ir resolver um problema grande como é o do Parque Mayer. Mas a verdade é que os interesses da cidade de Lisboa foram «traídos» em toda a linha pelos eleitos do PS na CML, em cedência total ao PSD. De facto, estavam em cima da mesa duas propostas sobre o assunto: uma do PSD e outra do PS. Isso era o que estava na Ordem de Trabalhos. E, na sua normal boa fé, era isso que pensavam os vereadores do PCP. A proposta do PS ia, no essencial, merecer o nosso acordo genérico.
Mas eis que, logo a abrir a sessão, surge a maior de todas as surpresas do mandato: uma nova proposta, oral, do PSD substituía todas as outras, incluindo a do PS. Ora os vereadores do PCP não tinham apresentado a sua própria proposta por terem em conta que a do PS era aceitável com alguns pontos a acrescentar em sessão.
Mas o PS abdicou da sua própria proposta e votou a de Carmona, com uns ligeiros retoques em questões não essenciais, embora benéficas. Todos deitaram às urtigas a «busca de consenso», em que o PCP realmente se empenhara, dada a importância da questão.
Posição do PS é «estranhíssima»
Os vereadores do PS, sem hesitações, esqueceram tudo isso e votaram uma proposta verbal do Presidente da Câmara lesiva da Autarquia. E ainda deram de mão beijada ao PSD um trunfo eleitoral à custa da cidade de Lisboa. É que, mesmo sem critérios oportunistas e meramente eleitoralistas – pois esta questão nem se colocaria se estivessem defendidos os interesses da cidade – é legítimo perguntar-se o que leva os vereadores do PS a cederem em toda a linha, lesando a cidade, e logo nesta altura eleitoral, ainda por cima cedendo uma vitória ao PSD, num ponto que é uma bandeira eleitoral de Santana Lopes – que não hesitará um dia destes em visitar o Parque com as televisões a exibir o seu trofeu: a votação dos vereadores do PS. «Estranhíssimo», observam jornalistas, surpreendidos. Daí a indignação do PCP. Com isto talvez ganhem quase todos os intervenientes, mas não ganha de certeza a cidade…
O regozijo do PSD é a melhor prova de que a cidade não tem nenhuma razão para estar em regozijo.
A nova fórmula
A proposta aprovada é a original de Carmona, apenas mitigada por algumas alterações à rama do PS: no essencial o PS deixou cair toda a sua proposta; o que o PSD propôs e o PS aprovou é no essencial a proposta anterior de Carmona Rodrigues, com uma pequena alteração do PS, favorável à cidade, é certo, mas nem sequer essencial.
Se a Assembleia Municipal aprovasse esta fórmula a 22 de Fevereiro, seria assim: a CML compra o Parque Mayer com base no cálculo de que ali se podem edificar 50 mil metros quadrados. Uma parte será para equipamentos culturais e o resto para habitação e serviços. A CML cede 61 mil metros quadrados na antiga Feira Popular para pagar o Parque Mayer à empresa que há dois ou três anos o comprou à família proprietária e que agora lucra qualquer coisa como 500% (!!), mais o que arrecadará com as super-construções de Entrecampos. Leu bem: quinhentos por cento: o melhor negócio da China em todo o mundo, de certeza. Entretanto, a parte restante desse terreno da antiga Feira Popular vai ser objecto de uma hasta pública.
Em que é que isto lesa a cidade? Em três aspectos principais.
Primeiro: em termos políticos, seria desejável o consenso, mas tudo bem, desde que a cidade estivesse defendida nesta fórmula – mas não está.
Segundo: em termos urbanísticos, há a ilegalidade da ausência de planos para o Parque e para Entrecampos, que permite esta decisão às cegas e pode permitir tudo: qualquer excesso será bem-vindo – e, além disso, uma solução integral para os terrenos de Entrecampos seria bem mais adequada do que esta venda a retalho.
Terceiro: em termos financeiros, a troca ou permuta errática e discricionária dos terrenos prejudicou o Município. E, sabida a apetência dos investidores, é seguro que a hasta pública seria uma solução óptima e aquela que melhor defenderia o erário da cidade.
Outras notas
Na mesma semana, para lá desta oferta do PS ao PSD, é preciso que se saiba que o PSD, com o PS e o CDS se aliaram numa eleição para os Serviços Sociais da Autarquia. Carmona, fugindo-lhe a boca para a verdade, disse isso mesmo na sessão: que tinha ganho uma lista PS-PSD! E é preciso que se diga que a lista unitária concorrente chegou aos 36% dos votos contra tamanha coligação de interesses…
Por outro lado, foi nessa semana que se verificaram numerosos casos de ilegal e abusiva utilização de meios da CML na campanha do PSD, contra o que o PCP se manifestou.
Uma semana em cheio!
Mas eis que, logo a abrir a sessão, surge a maior de todas as surpresas do mandato: uma nova proposta, oral, do PSD substituía todas as outras, incluindo a do PS. Ora os vereadores do PCP não tinham apresentado a sua própria proposta por terem em conta que a do PS era aceitável com alguns pontos a acrescentar em sessão.
Mas o PS abdicou da sua própria proposta e votou a de Carmona, com uns ligeiros retoques em questões não essenciais, embora benéficas. Todos deitaram às urtigas a «busca de consenso», em que o PCP realmente se empenhara, dada a importância da questão.
Posição do PS é «estranhíssima»
Os vereadores do PS, sem hesitações, esqueceram tudo isso e votaram uma proposta verbal do Presidente da Câmara lesiva da Autarquia. E ainda deram de mão beijada ao PSD um trunfo eleitoral à custa da cidade de Lisboa. É que, mesmo sem critérios oportunistas e meramente eleitoralistas – pois esta questão nem se colocaria se estivessem defendidos os interesses da cidade – é legítimo perguntar-se o que leva os vereadores do PS a cederem em toda a linha, lesando a cidade, e logo nesta altura eleitoral, ainda por cima cedendo uma vitória ao PSD, num ponto que é uma bandeira eleitoral de Santana Lopes – que não hesitará um dia destes em visitar o Parque com as televisões a exibir o seu trofeu: a votação dos vereadores do PS. «Estranhíssimo», observam jornalistas, surpreendidos. Daí a indignação do PCP. Com isto talvez ganhem quase todos os intervenientes, mas não ganha de certeza a cidade…
O regozijo do PSD é a melhor prova de que a cidade não tem nenhuma razão para estar em regozijo.
A nova fórmula
A proposta aprovada é a original de Carmona, apenas mitigada por algumas alterações à rama do PS: no essencial o PS deixou cair toda a sua proposta; o que o PSD propôs e o PS aprovou é no essencial a proposta anterior de Carmona Rodrigues, com uma pequena alteração do PS, favorável à cidade, é certo, mas nem sequer essencial.
Se a Assembleia Municipal aprovasse esta fórmula a 22 de Fevereiro, seria assim: a CML compra o Parque Mayer com base no cálculo de que ali se podem edificar 50 mil metros quadrados. Uma parte será para equipamentos culturais e o resto para habitação e serviços. A CML cede 61 mil metros quadrados na antiga Feira Popular para pagar o Parque Mayer à empresa que há dois ou três anos o comprou à família proprietária e que agora lucra qualquer coisa como 500% (!!), mais o que arrecadará com as super-construções de Entrecampos. Leu bem: quinhentos por cento: o melhor negócio da China em todo o mundo, de certeza. Entretanto, a parte restante desse terreno da antiga Feira Popular vai ser objecto de uma hasta pública.
Em que é que isto lesa a cidade? Em três aspectos principais.
Primeiro: em termos políticos, seria desejável o consenso, mas tudo bem, desde que a cidade estivesse defendida nesta fórmula – mas não está.
Segundo: em termos urbanísticos, há a ilegalidade da ausência de planos para o Parque e para Entrecampos, que permite esta decisão às cegas e pode permitir tudo: qualquer excesso será bem-vindo – e, além disso, uma solução integral para os terrenos de Entrecampos seria bem mais adequada do que esta venda a retalho.
Terceiro: em termos financeiros, a troca ou permuta errática e discricionária dos terrenos prejudicou o Município. E, sabida a apetência dos investidores, é seguro que a hasta pública seria uma solução óptima e aquela que melhor defenderia o erário da cidade.
Outras notas
Na mesma semana, para lá desta oferta do PS ao PSD, é preciso que se saiba que o PSD, com o PS e o CDS se aliaram numa eleição para os Serviços Sociais da Autarquia. Carmona, fugindo-lhe a boca para a verdade, disse isso mesmo na sessão: que tinha ganho uma lista PS-PSD! E é preciso que se diga que a lista unitária concorrente chegou aos 36% dos votos contra tamanha coligação de interesses…
Por outro lado, foi nessa semana que se verificaram numerosos casos de ilegal e abusiva utilização de meios da CML na campanha do PSD, contra o que o PCP se manifestou.
Uma semana em cheio!