Pior é impossível...
Os números não enganam! A um ano da entrada efectiva de dez novos estados-membros para o seio da UE, Portugal continua a ser o «patinho feio da Europa». E o pior é que as estimativas apontam para que nos tempos mais próximos não haja uma grande alteração da situação ou dos problemas que estão na sua base. Dá ideia que Portugal, nas mãos do governo de coligação PSD/PP, só está à espera dessa renovação no cenário da UE para deixar de estar na cauda da Europa, uma vez que o nível de vida destes países é notoriamente inferior ao nosso, e assim assumir uma suposta «vitória» que não é sua nem de ninguém.
Segundo os cálculos de vários economistas, analistas e políticos Portugal passará para uma posição mais confortável nas estatísticas da UE no meio de 25 países. Estes cálculos não passam, no entanto, de uma tentativa clara de escamotear a verdade atirando areia para os olhos dos portugueses.
Já em 1999, na declaração programática aprovada no Encontro Nacional do PCP antes das eleições para o Parlamento Europeu, o partido alertava para «os próximos tempos na União Europeia, que pelas relevantes questões em perspectiva, apresentam enorme complexidade e riscos iminentes, os quais, se não forem correctamente equacionados e prevenidos, poderão resultar em dificuldades acrescidas para Portugal».
Hoje, no ano de 2003, verificamos infelizmente, que a realidade não anda longe dos receios então apresentados. O nosso país é um dos mais atrasados e com piores performances na UE em matéria de...quase tudo! Desde a ciência, à educação, ao emprego, passando pela qualidade de vida, a igualdade de salários, a saúde. As estatísticas e dados fornecidos regularmente pelo Eurostat (gabinete de estatísticas da UE), permitem comprovar estas tendências negativas em números e factos.
Segundo este organismo, 23 por cento dos portugueses (quase um quarto da população) vivem com um rendimento igual ou inferior a 60 por cento do rendimento médio comunitário. É o país europeu que regista as maiores disparidades salariais, onde existe a maior percentagem de trabalhadores acima dos 65 anos e onde se passa 42 horas semanais no emprego, um número que ultrapassa o limite imposto pela última lei nacional, 40 horas.
Portugal é o segundo país da UE que mais beneficia, em termos relativos, dos fundos comunitários e das transferências financeiras líquidas que representam 1,93 por cento do PNB. E mesmo assim, consegue ser o país com os maiores riscos de pobreza.
Portugal tem a terceira mais alta inflação da UE, com 3,8 por cento, só ultrapassada pelas da Irlanda (4,9%) e da Grécia (3,9%). O cabaz de compras no nosso país, composto por produtos alimentares e de higiene básicos, é o sexto mais caro de toda a União.
Registamos a mais baixa taxa de investimento da indústria na investigação científica, os piores índices de leitura de livros e jornais e de utilização de computadores da Europa. Metade da população não sabe ler nem escrever.
Portugal aparece em quarto lugar (com 10,2% de excedente em 2002) na lista dos estados-membros que mais desrespeitam a quota de emissões poluentes prevista no Protocolo de Quioto; apresenta uma taxa de consumo de genéricos inferior a um por cento (a média, na UE é de 15%). É também o líder no capítulo das doenças infecciosas, que atingem sobretudo os homens e o povo com os hábitos mais sedentários, durante os seus tempos livres.
Os jovens portugueses são aqueles que mais morrem na UE, principalmente devido aos acidentes de viação e aqueles que continuam a ocupar a última posição em termos de escolarização na UE, com 45 por cento a não conseguir obter o diploma do ensino secundário. Temos a segunda menor taxa de mulheres (9,7%) a ocupar cargos governamentais a nível ministerial, apenas ultrapassado pela Grécia (8,7%). A produtividade do factor trabalho em Portugal continua a ser a mais baixa de entre os Quinze situando-se 29 por cento abaixo da média comunitária.
Finalmente, os portugueses são os que registam os mais elevados índices de ignorância, apatia e até hostilidade entre os europeus face às matérias comunitárias, aos processos de integração europeia e de alargamento aos novos países na comunidade.
E poderia continuar com mais números e estatísticas. Mas creio que a mensagem ficou dada. Também sei que são números, valem o que valem e dependem muito de quem os analisa. Mas não façamos como a avestruz e neguemos estes dados que nos permitem retirar uma importante conclusão: Portugal está mal, os problemas são ainda significativos e o contexto em que se enquadram não fazem prever facilidades.
É por isso que o PCP, defende e continuará a defender para Portugal, a implementação de uma estratégia de desenvolvimento sustentável, que pense no presente e no futuro, mas que nunca deixe de ter em conta vertentes essenciais como, a defesa do emprego com direitos, de sistemas públicos de saúde, segurança social e educação, a defesa e a melhoria dos serviços públicos e de infra-estruturas fundamentais, os direitos das mulheres, entre outros, e sem nunca esquecer uma perspectiva de abertura, cooperação e igualdade com todos os povos da Europa e do mundo. É assim o PCP, o meu partido!
Segundo os cálculos de vários economistas, analistas e políticos Portugal passará para uma posição mais confortável nas estatísticas da UE no meio de 25 países. Estes cálculos não passam, no entanto, de uma tentativa clara de escamotear a verdade atirando areia para os olhos dos portugueses.
Já em 1999, na declaração programática aprovada no Encontro Nacional do PCP antes das eleições para o Parlamento Europeu, o partido alertava para «os próximos tempos na União Europeia, que pelas relevantes questões em perspectiva, apresentam enorme complexidade e riscos iminentes, os quais, se não forem correctamente equacionados e prevenidos, poderão resultar em dificuldades acrescidas para Portugal».
Hoje, no ano de 2003, verificamos infelizmente, que a realidade não anda longe dos receios então apresentados. O nosso país é um dos mais atrasados e com piores performances na UE em matéria de...quase tudo! Desde a ciência, à educação, ao emprego, passando pela qualidade de vida, a igualdade de salários, a saúde. As estatísticas e dados fornecidos regularmente pelo Eurostat (gabinete de estatísticas da UE), permitem comprovar estas tendências negativas em números e factos.
Segundo este organismo, 23 por cento dos portugueses (quase um quarto da população) vivem com um rendimento igual ou inferior a 60 por cento do rendimento médio comunitário. É o país europeu que regista as maiores disparidades salariais, onde existe a maior percentagem de trabalhadores acima dos 65 anos e onde se passa 42 horas semanais no emprego, um número que ultrapassa o limite imposto pela última lei nacional, 40 horas.
Portugal é o segundo país da UE que mais beneficia, em termos relativos, dos fundos comunitários e das transferências financeiras líquidas que representam 1,93 por cento do PNB. E mesmo assim, consegue ser o país com os maiores riscos de pobreza.
Portugal tem a terceira mais alta inflação da UE, com 3,8 por cento, só ultrapassada pelas da Irlanda (4,9%) e da Grécia (3,9%). O cabaz de compras no nosso país, composto por produtos alimentares e de higiene básicos, é o sexto mais caro de toda a União.
Registamos a mais baixa taxa de investimento da indústria na investigação científica, os piores índices de leitura de livros e jornais e de utilização de computadores da Europa. Metade da população não sabe ler nem escrever.
Portugal aparece em quarto lugar (com 10,2% de excedente em 2002) na lista dos estados-membros que mais desrespeitam a quota de emissões poluentes prevista no Protocolo de Quioto; apresenta uma taxa de consumo de genéricos inferior a um por cento (a média, na UE é de 15%). É também o líder no capítulo das doenças infecciosas, que atingem sobretudo os homens e o povo com os hábitos mais sedentários, durante os seus tempos livres.
Os jovens portugueses são aqueles que mais morrem na UE, principalmente devido aos acidentes de viação e aqueles que continuam a ocupar a última posição em termos de escolarização na UE, com 45 por cento a não conseguir obter o diploma do ensino secundário. Temos a segunda menor taxa de mulheres (9,7%) a ocupar cargos governamentais a nível ministerial, apenas ultrapassado pela Grécia (8,7%). A produtividade do factor trabalho em Portugal continua a ser a mais baixa de entre os Quinze situando-se 29 por cento abaixo da média comunitária.
Finalmente, os portugueses são os que registam os mais elevados índices de ignorância, apatia e até hostilidade entre os europeus face às matérias comunitárias, aos processos de integração europeia e de alargamento aos novos países na comunidade.
E poderia continuar com mais números e estatísticas. Mas creio que a mensagem ficou dada. Também sei que são números, valem o que valem e dependem muito de quem os analisa. Mas não façamos como a avestruz e neguemos estes dados que nos permitem retirar uma importante conclusão: Portugal está mal, os problemas são ainda significativos e o contexto em que se enquadram não fazem prever facilidades.
É por isso que o PCP, defende e continuará a defender para Portugal, a implementação de uma estratégia de desenvolvimento sustentável, que pense no presente e no futuro, mas que nunca deixe de ter em conta vertentes essenciais como, a defesa do emprego com direitos, de sistemas públicos de saúde, segurança social e educação, a defesa e a melhoria dos serviços públicos e de infra-estruturas fundamentais, os direitos das mulheres, entre outros, e sem nunca esquecer uma perspectiva de abertura, cooperação e igualdade com todos os povos da Europa e do mundo. É assim o PCP, o meu partido!