«Se a luta foi justa, o voto na CDU também o é»
Dezenas de intervenções cunharam com um tom combativo e determinado o plenário regional do Porto, que se realizou no sábado, com a participação de Jerónimo de Sousa.
«Leva a luta até ao voto» é o lema da Juventude CDU
«Água mole em pedra dura tanto dá até que fura.» Foi com este provérbio que Manuel Almeida, militante do PCP do distrito do Porto, iniciou a sua intervenção no plenário regional que se realizou na tarde de sábado, no Centro de Trabalho da Boavista, no Porto, acompanhado em coro por centenas de pessoas. «Não foi só pelas trapalhadas que o Governo caiu, foi pela luta dos trabalhadores e dos estudantes. E a luta contra o Pacote Laboral deixou um grande roubo no barco», acrescentou.
Falava-se da situação política nacional, da convocação de eleições antecipadas, das razões que levaram à dissolução da Assembleia da República, do ambiente que se vive no País, do Congresso do PCP e da melhor forma de abordar os eleitores na campanha e obter mais votos. «Nas empresas vão ter connosco quando têm um problema, porque somos comunistas e sabem que tentamos resolver os problemas. Mas como fazê-los votar em nós? Primeiro, temos de dizer que não vão votar no Sócrates, mas eleger 230 deputados. Quem tiver mais eleitos ganha. Depois, dizemos, por exemplo: “Votas no Honório Novo ou no Fernando Gomes.” E as pessoas odeiam o Gomes!», disse Manuel Almeida.
A sala está cheia de militantes, que ouvem e participam. As cadeiras, bem juntas umas às outras, estão todas ocupadas. De pé, junto à parede, muitos tinham perdido a esperança de arranjar um lugar sentado. Como afirmou João Aboim, «o Partido está ganho, confiante e determinado. Este é o último sábado antes do Natal e o centro de trabalho está cheio. Antes, possivelmente, muitos de nós diriam que tinham de fazer as últimas compras e não apareceriam.»
«Há que transformar o apoio social que temos em apoio eleitoral. Não temos de adocicar o discurso. Como diz o próprio Sócrates, o PS não fez nada para a queda do Governo, mas prepara-se para ganhar os maiores dividendos. É preciso colar as medidas do Governo do PS à sua campanha para lembra que, se ganhar, nada vai mudar no País», sugeriu.
Contacto directo
Conselhos e ideias para a campanha surgiram ao lado da análise política. José Pedro Rodrigues, da Direcção da Organização Regional, sublinhou que a alternativa ao facto do PCP ter pouco espaço nos media é contactar directamente a população e «associar uma mensagem política geral a uma mensagem concreta sobre questões que as pessoas sentem com muita força, na sua rua, na sua cidade, que mais nenhuma força aborda porque não conhece os problemas e não tem intervenção».
«O sucesso da mensagem e da CDU depende da qualificação deste esforço, das grandes e pequenas iniciativas, dos contactos e da nossa confiança, de passar a ideia que o segundo deputado da CDU é fundamental para o reforço democrático no Porto», acrescentou.
«Leva a luta até ao voto», o lema da Juventude CDU apresentado na reunião, vai ao encontro da generalidade das opiniões expressas. «Se a luta contra as propinas ou contra o Pacote Laboral foi justa, o voto na CDU também o é», argumentou João Tiago. «Temos a tarefa extra de elucidar o mais possível que só com o PCP haverá uma alternativa válida a esta política desastrosa. Os militantes têm de se mais militantes e os funcionários mais funcionários para levar para a frente a política de progresso de que tanto necessita o nosso país», defendeu Vilas Boas. Todos os presentes aplaudiram em sinal de apoio.
O voto útil é na CDU
«O voto útil significa um voto com utilidade», defendeu Jerónimo de Sousa. «A primeira utilidade é para derrotar a direita. Mas é possível resolver a contradição entre o objectivo primeiro e maior de derrotar a direita e depois, formado novo governo, ver esse voto inutilizado e espoliado do seu sentido de esperança e de mudança face à continuidade da mesma política?»
«Alguém disse aqui que isto parecia uma sina, uma espécie de calvário do povo português acabando crucificado na sua vida, nos seus direitos e aspirações pelo voto esvaziado de conteúdo. Não, não estamos perante a fatalidade. E é por isso que nós consideramos que temos uma excelente oportunidade para um virar de página, dando mais votos e elegendo mais deputados do PCP e do Partido Ecologista Os Verdes», sublinhou o líder comunista.
«Nós sabemos do peso, da imagem e da mensagem das candidaturas e dirigentes do Partido. Mas temos uma riqueza ímpar acrescida. Os nosso militantes, a nossa organização, um ideal e um projecto transformador que nos dá força e confiança para continuar», afirmou.
Jerónimo de Sousa lança repto à inteligência dos portugueses
«Temos propostas urgentes e estruturantes»
No final da reunião de quadros, Jerónimo de Sousa salientou que os participantes assumiram não só as orientações, como o sentimento de confiança e de alegria do 17.º Congresso: «Em Lisboa, Santarém, Setúbal, no Alentejo, em sectores do Partido, encontrámos, como aqui no Porto, um Partido combatente e confiante, ciente das dificuldades que hão-de perdurar para além de 20 de Fevereiro seja qual for o resultado, mas pronto para travar os combates que aí vêm.»
«A síntese foi aqui feita por jovem um militante: a um Partido e a um Congresso a quem vaticinaram a morte, aquele Congresso e este Partido responderam com o pulsar da vida», afirmou o secretário-geral.
Sobre os factores que conduziram à derrota da direita e à convocação de eleições antecipadas, o líder do PCP declarou que «a irresponsabilidade, a incompetência, as facadinhas nas costas dos amigos, os amigos transformados em inimigos, sem dúvida constituíram elemento para descredibilizar o Governo. Admitamos! Mas este fracasso, esta derrota resultou fundamentalmente do fracasso da política realizada, que foi um mero e penoso prolongamento da política do Governo de Durão Barroso. E causa mais funda da derrota dos próprios executivos do engenheiro Guterres que, afirmando-se de esquerda, cometeu a trágica opção de, em questões essenciais, praticar uma política de direita.»
«Pensando no futuro, que importante seria que o Governo a sair das eleições de 20 de Fevereiro assumisse isto como grande lição e ensinamento. Ou seja, se alguém que forme governo experimentar repetir políticas derrotadas e rejeitadas pelos trabalhadores, pela maioria do povo português, terá tanto mais ou menos vida que os Governos que o antecederam. Com maioria absoluta ou sem ela! Isso não seria dramático. Quando as coisas não correm bem, há sempre a possibilidade de recorrer ao povo dando-lhe a palavra», sublinhou Jerónimo de Sousa, numa intervenção muito aplaudida.
A importância da luta
Jerónimo de Sousa referiu que «ao longo dos 28 anos em que funcionou o princípio da alternância entre PS, PSD, sozinho ou acompanhado pelo CDS, com políticas de diferentes matizes mas sempre com a mesma matriz, foi-se instalando a ideia e o sentimento de que não vale a pena, muitas vezes afirmando que “os partidos são todos iguais”, canalizando o voto para o conformismo “do mal o menos” ou para a desistência.»
«Estaremos nós portugueses perante um beco sem saída, delegando o voto num Partido, do género “façam dele o que quiserem!”? Ou antes cada voto deve comportar uma aspiração, um problema para resolver, uma reivindicação a atender, uma economia a desenvolver, um país a defender?», interrogou.
«Nós, comunistas, consideramos que foi a luta contra o Código do Trabalho, por melhores salários, pela defesa do posto de trabalho e contra os despedimentos e aumento do desemprego; a luta contra a destruição e privatização da saúde e do sistema público e universal de Segurança Social, contra a hostilidade e o ataque aos trabalhadores da Administração Pública; foi a luta dos estudantes e professores, contra a Lei do Financiamento do Ensino Superior, contra a destruição da escola pública, a não colocação de professores; foi a luta travada pelas mulheres e o descontentamento manifestado por micro, pequenos e médios empresários tendo em conta as falências, o garrote provocado pelas malhas do capital financeiro; foi a luta dos reformados que, no dia da decisão do Presidente da República de dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas, lá estavam em Lisboa a manifestar-se; foi a luta que isolou e derrotou este Governo de direita», afirmou.
«Quem esteve com estas lutas, com estas causas, sentirá que seria de inteira justiça por parte de que nunca esteve sozinho na luta, porque com eles esteve o PCP e muitas vezes só o PCP, que agora o voto tivesse correspondência com essa luta. Mas nós não estivemos só na luta, temos propostas. Propostas com sentido urgente e propostas com sentido estruturante. Desafiamos a inteligência e a consciência dos portugueses com esta questão», acrescentou Jerónimo de Sousa.
Falava-se da situação política nacional, da convocação de eleições antecipadas, das razões que levaram à dissolução da Assembleia da República, do ambiente que se vive no País, do Congresso do PCP e da melhor forma de abordar os eleitores na campanha e obter mais votos. «Nas empresas vão ter connosco quando têm um problema, porque somos comunistas e sabem que tentamos resolver os problemas. Mas como fazê-los votar em nós? Primeiro, temos de dizer que não vão votar no Sócrates, mas eleger 230 deputados. Quem tiver mais eleitos ganha. Depois, dizemos, por exemplo: “Votas no Honório Novo ou no Fernando Gomes.” E as pessoas odeiam o Gomes!», disse Manuel Almeida.
A sala está cheia de militantes, que ouvem e participam. As cadeiras, bem juntas umas às outras, estão todas ocupadas. De pé, junto à parede, muitos tinham perdido a esperança de arranjar um lugar sentado. Como afirmou João Aboim, «o Partido está ganho, confiante e determinado. Este é o último sábado antes do Natal e o centro de trabalho está cheio. Antes, possivelmente, muitos de nós diriam que tinham de fazer as últimas compras e não apareceriam.»
«Há que transformar o apoio social que temos em apoio eleitoral. Não temos de adocicar o discurso. Como diz o próprio Sócrates, o PS não fez nada para a queda do Governo, mas prepara-se para ganhar os maiores dividendos. É preciso colar as medidas do Governo do PS à sua campanha para lembra que, se ganhar, nada vai mudar no País», sugeriu.
Contacto directo
Conselhos e ideias para a campanha surgiram ao lado da análise política. José Pedro Rodrigues, da Direcção da Organização Regional, sublinhou que a alternativa ao facto do PCP ter pouco espaço nos media é contactar directamente a população e «associar uma mensagem política geral a uma mensagem concreta sobre questões que as pessoas sentem com muita força, na sua rua, na sua cidade, que mais nenhuma força aborda porque não conhece os problemas e não tem intervenção».
«O sucesso da mensagem e da CDU depende da qualificação deste esforço, das grandes e pequenas iniciativas, dos contactos e da nossa confiança, de passar a ideia que o segundo deputado da CDU é fundamental para o reforço democrático no Porto», acrescentou.
«Leva a luta até ao voto», o lema da Juventude CDU apresentado na reunião, vai ao encontro da generalidade das opiniões expressas. «Se a luta contra as propinas ou contra o Pacote Laboral foi justa, o voto na CDU também o é», argumentou João Tiago. «Temos a tarefa extra de elucidar o mais possível que só com o PCP haverá uma alternativa válida a esta política desastrosa. Os militantes têm de se mais militantes e os funcionários mais funcionários para levar para a frente a política de progresso de que tanto necessita o nosso país», defendeu Vilas Boas. Todos os presentes aplaudiram em sinal de apoio.
O voto útil é na CDU
«O voto útil significa um voto com utilidade», defendeu Jerónimo de Sousa. «A primeira utilidade é para derrotar a direita. Mas é possível resolver a contradição entre o objectivo primeiro e maior de derrotar a direita e depois, formado novo governo, ver esse voto inutilizado e espoliado do seu sentido de esperança e de mudança face à continuidade da mesma política?»
«Alguém disse aqui que isto parecia uma sina, uma espécie de calvário do povo português acabando crucificado na sua vida, nos seus direitos e aspirações pelo voto esvaziado de conteúdo. Não, não estamos perante a fatalidade. E é por isso que nós consideramos que temos uma excelente oportunidade para um virar de página, dando mais votos e elegendo mais deputados do PCP e do Partido Ecologista Os Verdes», sublinhou o líder comunista.
«Nós sabemos do peso, da imagem e da mensagem das candidaturas e dirigentes do Partido. Mas temos uma riqueza ímpar acrescida. Os nosso militantes, a nossa organização, um ideal e um projecto transformador que nos dá força e confiança para continuar», afirmou.
Jerónimo de Sousa lança repto à inteligência dos portugueses
«Temos propostas urgentes e estruturantes»
No final da reunião de quadros, Jerónimo de Sousa salientou que os participantes assumiram não só as orientações, como o sentimento de confiança e de alegria do 17.º Congresso: «Em Lisboa, Santarém, Setúbal, no Alentejo, em sectores do Partido, encontrámos, como aqui no Porto, um Partido combatente e confiante, ciente das dificuldades que hão-de perdurar para além de 20 de Fevereiro seja qual for o resultado, mas pronto para travar os combates que aí vêm.»
«A síntese foi aqui feita por jovem um militante: a um Partido e a um Congresso a quem vaticinaram a morte, aquele Congresso e este Partido responderam com o pulsar da vida», afirmou o secretário-geral.
Sobre os factores que conduziram à derrota da direita e à convocação de eleições antecipadas, o líder do PCP declarou que «a irresponsabilidade, a incompetência, as facadinhas nas costas dos amigos, os amigos transformados em inimigos, sem dúvida constituíram elemento para descredibilizar o Governo. Admitamos! Mas este fracasso, esta derrota resultou fundamentalmente do fracasso da política realizada, que foi um mero e penoso prolongamento da política do Governo de Durão Barroso. E causa mais funda da derrota dos próprios executivos do engenheiro Guterres que, afirmando-se de esquerda, cometeu a trágica opção de, em questões essenciais, praticar uma política de direita.»
«Pensando no futuro, que importante seria que o Governo a sair das eleições de 20 de Fevereiro assumisse isto como grande lição e ensinamento. Ou seja, se alguém que forme governo experimentar repetir políticas derrotadas e rejeitadas pelos trabalhadores, pela maioria do povo português, terá tanto mais ou menos vida que os Governos que o antecederam. Com maioria absoluta ou sem ela! Isso não seria dramático. Quando as coisas não correm bem, há sempre a possibilidade de recorrer ao povo dando-lhe a palavra», sublinhou Jerónimo de Sousa, numa intervenção muito aplaudida.
A importância da luta
Jerónimo de Sousa referiu que «ao longo dos 28 anos em que funcionou o princípio da alternância entre PS, PSD, sozinho ou acompanhado pelo CDS, com políticas de diferentes matizes mas sempre com a mesma matriz, foi-se instalando a ideia e o sentimento de que não vale a pena, muitas vezes afirmando que “os partidos são todos iguais”, canalizando o voto para o conformismo “do mal o menos” ou para a desistência.»
«Estaremos nós portugueses perante um beco sem saída, delegando o voto num Partido, do género “façam dele o que quiserem!”? Ou antes cada voto deve comportar uma aspiração, um problema para resolver, uma reivindicação a atender, uma economia a desenvolver, um país a defender?», interrogou.
«Nós, comunistas, consideramos que foi a luta contra o Código do Trabalho, por melhores salários, pela defesa do posto de trabalho e contra os despedimentos e aumento do desemprego; a luta contra a destruição e privatização da saúde e do sistema público e universal de Segurança Social, contra a hostilidade e o ataque aos trabalhadores da Administração Pública; foi a luta dos estudantes e professores, contra a Lei do Financiamento do Ensino Superior, contra a destruição da escola pública, a não colocação de professores; foi a luta travada pelas mulheres e o descontentamento manifestado por micro, pequenos e médios empresários tendo em conta as falências, o garrote provocado pelas malhas do capital financeiro; foi a luta dos reformados que, no dia da decisão do Presidente da República de dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas, lá estavam em Lisboa a manifestar-se; foi a luta que isolou e derrotou este Governo de direita», afirmou.
«Quem esteve com estas lutas, com estas causas, sentirá que seria de inteira justiça por parte de que nunca esteve sozinho na luta, porque com eles esteve o PCP e muitas vezes só o PCP, que agora o voto tivesse correspondência com essa luta. Mas nós não estivemos só na luta, temos propostas. Propostas com sentido urgente e propostas com sentido estruturante. Desafiamos a inteligência e a consciência dos portugueses com esta questão», acrescentou Jerónimo de Sousa.