O método do vale-tudo
Durante muito tempo, por efeito de exaustiva propagação mediática, foi voz corrente que os trabalhadores portugueses eram os mais absentistas da Europa. Era mentira. Mentira refinada, aliás. Na verdade, o que acontece é exactamente o contrário do que era dito: sabe-se agora, certeza certa, que os trabalhadores portugueses são os menos absentistas da Europa. No entanto, de acordo com os objectivos dos que a propagavam, a mentira fez caminho, chegou longe, instalou-se nas memórias, cumpriu o seu destino, ou seja, de tantas vezes repetida logrou transformar-se em verdade - como ensinava um célebre antepassado dos actuais propagandistas do grande capital. E provocou estragos – estragos que a reposição da verdade não anulará, nem pouco mais ou menos. Até porque, como sempre acontece nestas circunstâncias, a rectificação da mentira fica sempre muito aquém da sua propagação, não merecendo mais, regra geral, do que um breve e discreto registo – breve e discreto que baste para não se dar por ele.
Utilizada por analistas, comentadores e editorialistas encartados (desses que têm como tarefa maior apresentar a política de direita como coisa boa e moderna), brandida por primeiros ministros e ministros de sucessivos governos, arremessada por severos representantes de associações patronais - a mentira sobre a taxa de absentismo dos trabalhadores portugueses sustentou multidões de análises, comentários e editoriais; foi arma de arremesso contra os trabalhadores; foi argumento justificativo de políticas anti-laborais; foi explicação para a redução dos subsídios de doença; foi instrumento de desvalorização e menorização das lutas dos trabalhadores; foi parte integrante do acervo ideológico que apresenta o desemprego como condição indispensável para o desenvolvimento do País; que entende o trabalho, mesmo que precário – ou especialmente o precário - como uma benesse; que vê os baixos salários como uma condição absoluta de modernidade; que teoriza sobre a antiguidade do sindicalismo de classe e a sua necessidade de se adaptar às novas realidades – foi, enfim, tudo o que, quem a inventou e propagou, queria que fosse. Nem mais, nem menos.
Era mentira? Era. Paciência. Há mentiras que vêm por bem... o que explica e justifica o despudorado e desavergonhado vale-tudo que caracteriza os métodos utilizados pelos propagandistas da política de direita.
Utilizada por analistas, comentadores e editorialistas encartados (desses que têm como tarefa maior apresentar a política de direita como coisa boa e moderna), brandida por primeiros ministros e ministros de sucessivos governos, arremessada por severos representantes de associações patronais - a mentira sobre a taxa de absentismo dos trabalhadores portugueses sustentou multidões de análises, comentários e editoriais; foi arma de arremesso contra os trabalhadores; foi argumento justificativo de políticas anti-laborais; foi explicação para a redução dos subsídios de doença; foi instrumento de desvalorização e menorização das lutas dos trabalhadores; foi parte integrante do acervo ideológico que apresenta o desemprego como condição indispensável para o desenvolvimento do País; que entende o trabalho, mesmo que precário – ou especialmente o precário - como uma benesse; que vê os baixos salários como uma condição absoluta de modernidade; que teoriza sobre a antiguidade do sindicalismo de classe e a sua necessidade de se adaptar às novas realidades – foi, enfim, tudo o que, quem a inventou e propagou, queria que fosse. Nem mais, nem menos.
Era mentira? Era. Paciência. Há mentiras que vêm por bem... o que explica e justifica o despudorado e desavergonhado vale-tudo que caracteriza os métodos utilizados pelos propagandistas da política de direita.