«Novas Fronteiras»
São muitas as pontas por onde pegar neste XIV Congresso do PS, mas, aqui e agora, mesmo em artigo de opinião, é avisado o recato.
É que importa ter presente que o essencial da intervenção do PCP parte de princípios, da realidade objectiva e da correlação de forças, para a definição de orientações e propostas essenciais, com vista à transformação da sociedade. E esse núcleo de ideias e objectivos sustenta a acção política imediata, que não pode afogar-se na espuma mediática, ou nas politiquices do Congresso de Guimarães.
No panegírico das suas «novas fronteiras» (Visão 02.09), J.Sócrates dizia que «o movimento é vital», e é de facto. Mas ao contrário da sua referência explicita a Bernestein, o movimento - sucessão de reformas - não é tudo, porque não implica e pode mesmo contraditar a rotura revolucionária, indispensável ao progresso social.
As reformas do PS, em matéria social, sobram para «case study» tecnocrático em Janeiro de 2005. E por agora, fica o «esquecimento» de J.Sócrates em «reformar» o código laboral reaccionário, o sistema nacional de saúde saqueado, o sistema público de ensino desvirtuado, ou a segurança social em contra-reforma. E fica J.Gama, o Ratzinger do neo-conservadorismo no PS, a verberar os «idólatras do Estado».
Quanto à «redistribuição de riqueza» J.Sócrates «nada tem contra os ricos», nem fala dos muito ricos, ignora os direitos dos trabalhadores, e prefere divagar sobre conceitos, neste caso, socialmente inócuos e politicamente instrumentais – criação, inovação, tecnologia e modernidade.
Na política de alianças, de facto, não há novidades – porque não contam os «estados de alma» de ex-dirigentes do PS. Mas surpreende a arrogância de J.Coelho e S.S.Pinto, que, pelo absurdo, podem até ter ajudado a clarificar que não há alternativa à esquerda sem o PCP.
Do «marketing político» deste PS «recentrado» e «a caminho do poder», não sobra espaço para falar, nem do «gladiador», nem da coreografia da sua «esquerda moderna». E é melhor assim.
Mas importa deixar escrito que J.Sócrates esteve este ano, em Stresa, Itália, junto com P.S.Lopes, no meeting Bilderberg onde, diz-se, é norma ser certificada a confiança dos grandes interesses. E que, hoje, estão onde estão, ambos, num percurso feito de coincidências e momentos comuns.
São estes os factos. Mas não está feita a prova de que sejam um efeito substancial do poder fáctico que, por hipótese, tenha traçado as «novas fronteiras».
É que importa ter presente que o essencial da intervenção do PCP parte de princípios, da realidade objectiva e da correlação de forças, para a definição de orientações e propostas essenciais, com vista à transformação da sociedade. E esse núcleo de ideias e objectivos sustenta a acção política imediata, que não pode afogar-se na espuma mediática, ou nas politiquices do Congresso de Guimarães.
No panegírico das suas «novas fronteiras» (Visão 02.09), J.Sócrates dizia que «o movimento é vital», e é de facto. Mas ao contrário da sua referência explicita a Bernestein, o movimento - sucessão de reformas - não é tudo, porque não implica e pode mesmo contraditar a rotura revolucionária, indispensável ao progresso social.
As reformas do PS, em matéria social, sobram para «case study» tecnocrático em Janeiro de 2005. E por agora, fica o «esquecimento» de J.Sócrates em «reformar» o código laboral reaccionário, o sistema nacional de saúde saqueado, o sistema público de ensino desvirtuado, ou a segurança social em contra-reforma. E fica J.Gama, o Ratzinger do neo-conservadorismo no PS, a verberar os «idólatras do Estado».
Quanto à «redistribuição de riqueza» J.Sócrates «nada tem contra os ricos», nem fala dos muito ricos, ignora os direitos dos trabalhadores, e prefere divagar sobre conceitos, neste caso, socialmente inócuos e politicamente instrumentais – criação, inovação, tecnologia e modernidade.
Na política de alianças, de facto, não há novidades – porque não contam os «estados de alma» de ex-dirigentes do PS. Mas surpreende a arrogância de J.Coelho e S.S.Pinto, que, pelo absurdo, podem até ter ajudado a clarificar que não há alternativa à esquerda sem o PCP.
Do «marketing político» deste PS «recentrado» e «a caminho do poder», não sobra espaço para falar, nem do «gladiador», nem da coreografia da sua «esquerda moderna». E é melhor assim.
Mas importa deixar escrito que J.Sócrates esteve este ano, em Stresa, Itália, junto com P.S.Lopes, no meeting Bilderberg onde, diz-se, é norma ser certificada a confiança dos grandes interesses. E que, hoje, estão onde estão, ambos, num percurso feito de coincidências e momentos comuns.
São estes os factos. Mas não está feita a prova de que sejam um efeito substancial do poder fáctico que, por hipótese, tenha traçado as «novas fronteiras».