Câmara prolonga efeitos da greve na Amadora

«Numa atitude de revanchismo primário e de total desconsideração pelos interesses da cidade, o presidente da Câmara e o seu vereador Evangelista proibiram a realização de horas extraordinárias e turnos suplementares ao sábado e domingo, originando que ainda hoje se encontrem zonas da cidade perfeitamente inundadas de lixo», denunciou anteontem a Comissão Concelhia do PCP.
Os comunistas apontam como objectivo deste comportamento, que «é de uma perfeita indignidade e, seguramente, envergonha até muitos militantes do seu Partido Socialista», a penalização dos trabalhadores que estiveram em greve e, para isso, abdicaram de 5 dias de salário. Só que, para os impedir de compensar parte dessa perda com a remuneração do trabalho extraordinário, Joaquim Raposo tomou uma decisão que «tem como consequência que o lixo acumulado durante a greve, que podia e devia ter sido recolhido durante o fim-de-semana, continua em grande parte na rua». Tal decisão «desmascara completamente o presidente da Câmara, que tanto se afirmou preocupado com a saúde pública, quando se tratou de ilegalmente furar a greve», conclui a nota de imprensa da Concelhia.
Os atentados ao direito à greve foram amplamente denunciados, durante os dias da luta, pela Direcção Regional de Lisboa do STAL. O sindicato anunciou mesmo que irá proceder judicialmente.
De segunda a sexta-feira da semana passada, os trabalhadores da recolha de resíduos sólidos paralisaram, em luta contra a criação de uma empresa para gerir a higiene urbana e os espaços verdes municipais. Face à forte adesão à greve, o presidente da CMA concertou com os presidentes das juntas de freguesia utilizar os funcionários destas para substituir os trabalhadores em greve. O sindicato denunciou ainda actos de coacção e chantagem, incluindo ameaças e agressões a membros dos piquetes de greve.
Ao final do último dia de luta, o sindicato considerou que foi reafirmada claramente a oposição dos trabalhadores à criação de qualquer empresa para os lixos e jardins da CMA. Lamentou, na mesma informação, que o presidente da autarquia «insista em argumentos demagógicos, para justificar a postura de intransigência que tem mantido, postura essa que foi a principal responsável pela realização da greve».
À oposição dos trabalhadores a quem aqueles sectores sejam entregues a privados, Raposo respondeu argumentando que não será uma privatização total, pois a empresa municipal apenas teria 49 por cento de capital privado. Lembrou o sindicato, a propósito, que Ferro Rodrigues contestou a privatização da Águas de Portugal, que também estará limitada a 49 por cento.
Após a realização de plenários de trabalhadores, ainda na sexta-feira, ficou decidido avançar com uma nova greve, por um período superior, logo que surja na Câmara qualquer medida com vista a concretizar a dita empresa.


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