Luta acesa na Emef do Barreiro

Em defesa das oficinas

A partir da próxima semana a cidade verá a actividade ferroviária reduzida ao serviço suburbano para Praias Sado e as oficinas não foram preparadas para o novo contexto.

Nada tem sido feito para responder às consequências da electrificação no Sul

Na quarta-feira, 26 de Maio, a partir das 14 horas, os trabalhadores da Empresa de Manutenção Ferroviária, do grupo CP, concentraram-se junto ao portão da Avenida de Sapadores. No plenário ali realizado, decidiram realizar novas formas de luta, depois da greve efectuada dia 14. De imediato, avançaram para o corte da circulação da Linha do Sado, que mantiveram durante cerca de uma hora.
Em seguida, os ferroviários desfilaram até à Câmara Municipal, que reunia em sessão pública. Perante tão imponente presença, o presidente da Câmara foi obrigado a alterar a ordem de trabalhos, tendo dado a palavra aos trabalhadores, que colocaram as suas preocupações, refere-se ainda num relato que a Comissão Concelhia do PCP fez chegar à nossa redacção.
Na ocasião, um dos vereadores comunistas, que também é dirigente sindical ferroviário, apresentou uma proposta a expressar solidariedade à justa luta do pessoal da Emef e exigindo que a administração da empresa reúna urgentemente com a Câmara, para informar quais os planos para o grupo oficinal do Barreiro. A proposta, aprovada por unanimidade, exige também que seja preservado o pólo ferroviário barreirense e os seus postos de trabalho.
A Concelhia refere que, durante toda a jornada dos ferroviários, o PCP foi a única força política que esteve com os trabalhadores.

Preocupações

As únicas medidas que se nota serem tomadas pela Administração têm a ver com a redução de efectivos, preparando assim o terreno para uma morte lenta das oficinas do Barreiro, ao fim de 150 anos de actividade. A Concelhia do Partido e o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário têm alertado que, com o início dos horários de Verão, a partir de 6 de Junho, a actividade ferroviária no Barreiro vai ver reduzida.
Restará o serviço suburbano para Praias de Sado, e as oficinas não deixarão de sentir as consequências deste esvaziamento. Desde há algum tempo, a reparação das carruagens está a ser transferida para Lisboa. As locomotivas diesel irão passar para a área das oficinas do Entroncamento, enquanto muito do material diesel que hoje é reparado no Barreiro será abatido.
Fica muito pouco, para absorver os actuais postos de trabalho. Mas o volume de trabalho tem vindo a decrescer e perspectiva-se um agravamento da situação no futuro próximo.
Apesar dos alertas e reivindicações dos trabalhadores, do sindicato e do PCP, nada tem sido feito para adaptar as oficinas à realidade da electrificação das linhas no Sul do País. Resta, assim prosseguir o combate em defesa dos postos de trabalho ameaçados.


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