Ex-quadro do BCP à frente do Hospital S. João

Favorecer interesses privados

O PCP requereu a presença do Ministro da Saúde no Parlamento para dar «explicações rigorosas e pormenorizadas» sobre a recente substituição do conselho de administração do Hospital de S. João, no Porto.
Em causa, na nomeação da nova direcção, presidida por Fernandes Tato, ex alto quadro do Grupo bancário Millenium-BCP, que tomou posse segunda-feira, estão os critérios a que terá obedecido esta dança de cadeiras, os quais, ao que tudo o indica, terão sido determinados não por razões de saúde ou de gestão hospitalar mas apenas pelo propósito de favorecer os interesses privados daquela instituição bancária face aos interesses públicos do Hospital de S. João.
É o que se depreende do facto de, por um lado, não ter sido avançada qualquer justificação para a controversa substituição da anterior administração (nomeada pelo actual Governo, que ainda há quinze dias reafirmara nela a sua confiança), e, por outro lado, existirem um conjunto de factos que concorrem objectivamente para a existência do referido favorecimento expresso àquele grupo financeiro.
Entre esses factos, elencados pelo deputado comunista Honório Novo no requerimento em que pede a presença do Luís Filipe Pereira no Parlamento, está, por exemplo, a oposição manifestada pela anterior administração do Hospital S. João a aspectos do contrato de concessão que permitiu a uma empresa privada – a BragaParques – construir em terrenos hospitalares um empreendimento (hotel, centro comercial e parque de estacionamento) erigido com o financiamento do Banco Comercial Português (BCP).
Honório Novo, no texto que envia ao presidente da comissão parlamentar do Trabalho e dos Assuntos Sociais, manifesta igualmente a sua estranheza por a Entidade Reguladora da Saúde não ter feito ouvir a sua voz perante a substituição de um órgão de gestão hospitalar onde o conflito de interesses públicos e privados não é devidamente assegurado por padrões de transparência.



Mais artigos de: Assembleia da República

«Secretas» em anomalia institucional

O Grupo Parlamentar do PCP apresentou um projecto de lei destinado a garantir que a eleição dos membros do Conselho de Fiscalização dos Serviços de Informações passe a ser feita de acordo com o sistema proporcional e o método de Hondt.

Cobardia política

«Indignas» e de uma «inaudita gravidade», assim classificou Carlos Carvalhas as afirmações de Durão Barroso no Congresso do PSD responsabilizando o PCP por eventuais greves e problemas de segurança durante o Euro 2004.

Um péssimo diploma

Um ataque sem paralelo desde o 25 de Abril ao direito à cultura física e ao desporto. Assim vê o PCP a aprovação, apenas com os votos favoráveis da maioria, da Lei de Bases do Desporto.Aprovada ao arrepio de qualquer contributo dos diversos agentes desportivos, para a bancada comunista, esta é uma Lei «contra o País,...

O Governo do desemprego

O Grupo Parlamentar do PCP acusou o Governo de, em matéria de emprego, ter um discurso que nada tem a ver com a «realidade concreta». Em causa está a alegada diminuição de um mês para outro do desemprego em menos 1,9 por cento.Para os comunistas não é esta evolução que marca e define a realidade do desemprego no País,...

Maioria trava debate

O Grupo Parlamentar do PCP protestou contra a recusa da maioria parlamentar em agendar para 18 de Junho um projecto de resolução comunista no qual a Assembleia da República recomenda ao Governo que «ponha termo à participação de Portugal na ocupação do Iraque», com o consequente regresso das forças da GNR.Esta posição...

Militares entregam petição

Militares das Forças Armadas entregaram na Assembleia da República, faz hoje oito dias, uma petição na qual apelam ao cumprimento do estatuto da condição militarno que respeita à progressão nas carreiras, sistema retributivo, assistência social e pensões de reforma.Subscrita por mais de cinco mil elementos das Forças...

Reflorestação discrimina baldios

A Federação Nacional de Baldios (BALADI) não foi incluída na «Equipa de Reflorestação», recentemente criada por resolução (N.º 17/2004) do Conselho de Ministros.Esta discriminação de uma estrutura com representatividade e com um importante papel na vida das comunidades do interior do País é tanto mais surpreendente...