Cobardia política
«Indignas» e de uma «inaudita gravidade», assim classificou Carlos Carvalhas as afirmações de Durão Barroso no Congresso do PSD responsabilizando o PCP por eventuais greves e problemas de segurança durante o Euro 2004.
Durão Barroso fez puro terrorismo político
A resposta em tom severo do Secretário-Geral do PCP às palavras insultuosas proferidas pelo Primeiro-Ministro no Congresso do seu partido acabou por marcar o debate mensal realizado na semana transacta.
Um debate onde o tema proposto pelo Governo - ciência e inovação – acabou por submergir totalmente à forte declaração do líder comunista e à dura troca de palavras que se lhe seguiu.
Depois do repúdio ao que considerou ser a «intolerável insolência» das acusações do chefe do Governo - «puro terrorismo político», chegou a afirmar -, Carvalhas pôs o acento tónico na falta de coragem por aquele revelada ao não concretizar «por que problemas» seriam os comunistas responsabilizados.
Mas foi depois de Durão Barroso, na resposta, ter insistido na provocação – afirmando que a CGTP é um braço do PCP e desafiando este a demarcar-se das greves – que o dirigente comunista, num registo firme e sem contemplações, lhe apontou o dedo, atirando: «o senhor é um irresponsável, não tem coragem, é um covarde».
Eis, na íntegra, a declaração inicial de Carlos Carvalhas:
Concretizando um imperativo maior da nossa consciência democrática e dando voz a uma forte e sentida indignação partilhada por muitos e muitos democratas, importa que aqui, na sede da representação nacional, o confrontemos directamente, e cara a cara, com a inaudita gravidade e a intolerável insolência das acusações que no Congresso do seu Partido provocatoriamente dirigiu ao meu partido no sentido de que o PCP procuraria a gerar instabilidade nas forças de segurança e responsabilizando-o directamente por problemas que venham a ser criados.
Com tais indignas afirmações, o lider do PSD que se esqueceu que também é Primeiro-Ministro ou então não se esqueceu porque para ele é tudo igual ao litro, não se limitou a formular pela enésima vez acusações de manipulação ou instrumentalização partidária de estruturas sindicais ou associativas, passou também um atestado de estupidez a milhares de homens e mulheres.
A extraordinária gravidade e o carácter manifestamente repugnante das acusações por si feitas no Congresso do PSD estão mais exactamente em que pretendeu antecipadamente sacudir para cima de um partido de oposição, o PCP, a responsabilidade por problemas de segurança que ocorram durante o Euro 2004 e cuja verdadeira responsabilidade em termos políticos só pode pertencer ao Governo, à sua incompetência e à sua arrogância e intransigência face às estruturas sindicais ou associativas das forças de segurança.
Pior ainda: enquanto líder do PSD, o Primeiro Ministro não foi suficientemente corajoso ao ponto de concretizar por que tipo de «problemas de segurança» o PCP seria responsável mas isto porque optou por ser suficientemente calculista, mesquinho e perverso para prever que, na actual conjuntura internacional e a propósito do Euro 2004, a opinião pública nacional em vez de associar «problemas de segurança» a umas quantas controláveis desordens provocadas por «hooligans», antes pudesse ser levada a associar automaticamente «problemas de segurança» a acontecimentos bem mais terríveis e dramáticos e eventualmente sangrentos.
Trata-se sem dúvida de afirmações que, em 30 anos de vida democrática no nosso país, ficam para a história como uma intolerável expressão de concepções autoritárias, brutalmente ofensivas de elementares valores de convivência democrática e que, merecendo uma viva condenação, não podem deixar de ser, com rigor e verdade, ser classificadas de puro terrorismo político.
Senhor Primeiro-Ministro:
Se não é pedir de mais à sua inteligência e cultura política, entenda de uma vez por todas e aprenda para o resto da sua vida que estamos aqui sentados e intervimos na vida nacional não por generosa concessão do PSD mas por força do regime democrático que decisivamente ajudámos a conquistar e a fundar e por força da vontade dos portugueses que em nós confiam.
Se não é pedir de mais à sua capacidade de lidar com a realidade, entenda de uma vez por todas e aprenda para o resto da sua vida que o PCP, num longo período da sua vida, enfrentou sem ceder ou ajoelhar ameaças, agressões, chantagens e perigos contra si desencadeados por quem dispunha de todo um arsenal ferozmente repressivo e de uma absoluta impunidade e que, por isso, é tão certo como o sol nascer todos os dias que nem por um segundo se deixará intimidar pelas ameaças, exigências ou provocações de um qualquer líder partidário ainda que transitoriamente investido das funções de Primeiro-Ministro.
E ao Governo exige-se que dê resposta aos problemas colocados pelos profissionais das Forças e Serviços de Segurança, aos quais daqui, alto e bom som, o PCP manifesta solidariedade para com as suas reivindicações.
Um debate onde o tema proposto pelo Governo - ciência e inovação – acabou por submergir totalmente à forte declaração do líder comunista e à dura troca de palavras que se lhe seguiu.
Depois do repúdio ao que considerou ser a «intolerável insolência» das acusações do chefe do Governo - «puro terrorismo político», chegou a afirmar -, Carvalhas pôs o acento tónico na falta de coragem por aquele revelada ao não concretizar «por que problemas» seriam os comunistas responsabilizados.
Mas foi depois de Durão Barroso, na resposta, ter insistido na provocação – afirmando que a CGTP é um braço do PCP e desafiando este a demarcar-se das greves – que o dirigente comunista, num registo firme e sem contemplações, lhe apontou o dedo, atirando: «o senhor é um irresponsável, não tem coragem, é um covarde».
Eis, na íntegra, a declaração inicial de Carlos Carvalhas:
Concretizando um imperativo maior da nossa consciência democrática e dando voz a uma forte e sentida indignação partilhada por muitos e muitos democratas, importa que aqui, na sede da representação nacional, o confrontemos directamente, e cara a cara, com a inaudita gravidade e a intolerável insolência das acusações que no Congresso do seu Partido provocatoriamente dirigiu ao meu partido no sentido de que o PCP procuraria a gerar instabilidade nas forças de segurança e responsabilizando-o directamente por problemas que venham a ser criados.
Com tais indignas afirmações, o lider do PSD que se esqueceu que também é Primeiro-Ministro ou então não se esqueceu porque para ele é tudo igual ao litro, não se limitou a formular pela enésima vez acusações de manipulação ou instrumentalização partidária de estruturas sindicais ou associativas, passou também um atestado de estupidez a milhares de homens e mulheres.
A extraordinária gravidade e o carácter manifestamente repugnante das acusações por si feitas no Congresso do PSD estão mais exactamente em que pretendeu antecipadamente sacudir para cima de um partido de oposição, o PCP, a responsabilidade por problemas de segurança que ocorram durante o Euro 2004 e cuja verdadeira responsabilidade em termos políticos só pode pertencer ao Governo, à sua incompetência e à sua arrogância e intransigência face às estruturas sindicais ou associativas das forças de segurança.
Pior ainda: enquanto líder do PSD, o Primeiro Ministro não foi suficientemente corajoso ao ponto de concretizar por que tipo de «problemas de segurança» o PCP seria responsável mas isto porque optou por ser suficientemente calculista, mesquinho e perverso para prever que, na actual conjuntura internacional e a propósito do Euro 2004, a opinião pública nacional em vez de associar «problemas de segurança» a umas quantas controláveis desordens provocadas por «hooligans», antes pudesse ser levada a associar automaticamente «problemas de segurança» a acontecimentos bem mais terríveis e dramáticos e eventualmente sangrentos.
Trata-se sem dúvida de afirmações que, em 30 anos de vida democrática no nosso país, ficam para a história como uma intolerável expressão de concepções autoritárias, brutalmente ofensivas de elementares valores de convivência democrática e que, merecendo uma viva condenação, não podem deixar de ser, com rigor e verdade, ser classificadas de puro terrorismo político.
Senhor Primeiro-Ministro:
Se não é pedir de mais à sua inteligência e cultura política, entenda de uma vez por todas e aprenda para o resto da sua vida que estamos aqui sentados e intervimos na vida nacional não por generosa concessão do PSD mas por força do regime democrático que decisivamente ajudámos a conquistar e a fundar e por força da vontade dos portugueses que em nós confiam.
Se não é pedir de mais à sua capacidade de lidar com a realidade, entenda de uma vez por todas e aprenda para o resto da sua vida que o PCP, num longo período da sua vida, enfrentou sem ceder ou ajoelhar ameaças, agressões, chantagens e perigos contra si desencadeados por quem dispunha de todo um arsenal ferozmente repressivo e de uma absoluta impunidade e que, por isso, é tão certo como o sol nascer todos os dias que nem por um segundo se deixará intimidar pelas ameaças, exigências ou provocações de um qualquer líder partidário ainda que transitoriamente investido das funções de Primeiro-Ministro.
E ao Governo exige-se que dê resposta aos problemas colocados pelos profissionais das Forças e Serviços de Segurança, aos quais daqui, alto e bom som, o PCP manifesta solidariedade para com as suas reivindicações.