Águas de Portugal

Privatização selvagem

A eurodeputada comunista Ilda Figueiredo acusa o Governo de desrespeitar o Parlamento Europeu, ao decidir privatizar parte do capital do grupo estatal Águas de Portugal.

Governo ignora resolução do PE contrária à privatização da águ

Reagindo ao anúncio da privatização de parte importante do Grupo estatal Águas de Portugal, a cabeça de lista da CDU ao Parlamento Europeu, considerou que a decisão da coligação governamental PSD/PP foi tomada ao arrepio das recomendações comunitárias, designadamente do hemiciclo de Estrasburgo.
«O Parlamento Europeu aprovou recentemente uma resolução apelando à não privatização da água. É lamentável que o Governo não tenha respeitado essa resolução», declarou Ilda Figueiredo à Agência Lusa, durante a apresentação dos cinco compromissos eleitorais da CDU.
A eurodeputada referia-se a uma resolução aprovada pelo Parlamento Europeu, em Março passado, sobre estratégia e as prioridades do mercado interno dos serviços públicos até 2006, que considera que a liberalização de serviços «não deverá de modo algum ter lugar no domínio do abastecimento e do tratamento da água, porquanto tende a desviar a atenção dos problemas reais e é susceptível de comprometer a segurança do abastecimento».
Lamentavelmente, como sublinhou Ida Figueiredo, «o Governo português, que é sempre tão pronto a cumprir o Pacto de Estabilidade, não respeita esta decisão do Parlamento europeu, o que é inaceitável».
Recorde-se que o combate à privatização dos recursos naturais, como a água, a «promoção dos serviços públicos» e a aposta numa Europa que «promova a defesa do ambiente e dos equilíbrios naturais» são objectivos contidos nos cinco compromissos assumidos pela CDU para as eleições europeias do próximo dia 13 de Junho.
Entre as prioridades do programa, estão ainda a luta por uma Europa de cooperação e de paz, que recuse a militarização fora ou no âmbito da NATO, que exija a retirada das tropas estrangeiras do Iraque e o direito à soberania do povo iraquiano.
A CDU defende ainda o reforço do orçamento comunitário para fazer face às aos problemas decorrentes do alargamento, considerando que Portugal deve reivindicar apoios que compensem os impactos negativos deste processo para a economia nacional, e exige uma arquitectura institucional para a Europa que não ponha em casa a soberania nacional.


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