Abril em Abril
Desde 1974, mais do que nome de mês, Abril em Portugal passou a ser expressão de direitos, de liberdade, de luta, de conquista, de participação, de igualdade, de paz, de esperança.
Vamos comemorar Abril com muitos cravos vermelhos, a flor da confiança de que é possível construir um Portugal diferente, um Portugal para os trabalhadores e para o povo.
Vamos comemorar Abril com muitos cravos vermelhos, a flor da confiança de que é possível construir um Portugal diferente, um Portugal para os trabalhadores e para o povo.
Não há quaisquer referências nas escolas às conquistas de Abril
O cravo é para muitos a flor da imaginação de como terá sido bom viver aqueles tempos. Lêem, ouvem, vêem fotografias e filmes com muita gente e muita alegria.
Onde vão aprender as novas gerações os ideais de Abril? Como vão entender o significado das conquistas de Abril? Como vão identificar o descalabro em que este país caminha porque vive há anos o processo contra a Revolução de Abril?
Um dos momentos mais importantes da história de Portugal justifica e exige maior aprofundamento ao nível do ensino.
Em livros da disciplina de História do 12º ano, verifica-se que o programa limita-se a referir o dia 25 de Abril de 1974, a Constituição da República de 1976, nalguns a descolonização e a entrada de Portugal na CEE. Não há desenvolvimento relativamente ao conteúdo das conquistas da revolução no plano económico, social e cultural, reduzindo-as praticamente às alterações no plano político. Isto conduz a que ao nível do ensino não seja abordado o conteúdo das transformações revolucionárias, das lutas que estiveram na sua origem, da razão da luta em sua defesa. Abril é reduzido a um acto e não a um processo.
Aspecto diferente e positivo, no essencial, assume-se a abordagem do regime fascista, designando-o como tal. Com alguns desenvolvimentos interessantes, denuncia-se o carácter reaccionário e opressor, nomeadamente no ensino. Um dos manuais, relativamente à PIDE, refere que se distinguiu por prender, torturar e matar opositores ao regime, acrescentando que as suas maiores vítimas foram os militantes e simpatizantes do Partido Comunista Português (1). Este tipo de referência não é geral, pois há manuais em que não há qualquer abordagem sobre o Partido nem mesmo havendo tratamento sobre o movimento operário em Portugal e notas sobre organizações de acções armadas e de grupos esquerdistas surgidos antes de 1974 (2). Isto não acontece decerto por razões de ignorância, mas sim para ignorar a história.
Referências breves e erradas
Para além do que está escrito, o que se passa na aula? Será diverso, conforme a interpretação ou a vontade do professor. Numa escola do ensino secundário no centro do País, a professora de História decidiu que os alunos riscassem no livro o termo fascismo atribuído a 48 anos de regime político em Portugal. Segundo ela, regime fascista foi o de Mussolini, em Itália, e em Portugal este não foi adoptado, só serviu de inspiração... Tal como outras, é uma forma de branqueamento do fascismo. Todos os anos, milhares e milhares de alunos são formados na base de elementos deturpadores da História recente de Portugal.
Além de breve, o tratamento histórico do 25 de Abril é a última parte do programa, que é normalmente dado à pressa, quando professores e alunos já estão a pensar nas revisões e nos exames nacionais. Contudo, para os mais interessados na leitura, nalguns manuais encontramos mensagens, ou pela escolha de textos de autores que servem determinadas interpretações dos acontecimentos, ou porque os próprios autores dos manuais assumem conteúdos objectivamente ao serviço do processo contra-revolucionário. A forma como um manual apresenta o 25 de Novembro de 1975 é disto exemplo: coloca-o como o momento do fim dos confrontos políticos e ideológicos e que levou o País à estabilização do pluripartidarismo e da legitimidade democrática (3). Apresentado assim, é prestado o serviço a todos os que, com sucessivas tentativas de golpes, criaram as condições e aprofundaram o processo contra-revolucionário. Além deste exemplo, também será sintomático uma escola, segundo consta, ter convidado Freitas do Amaral para um debate sobre o 25 de Abril.
É aconselhável a professores e a alunos a leitura do livro do camarada Álvaro Cunhal «A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril (A contra-revolução confessa-se)» (4).
A memória colectiva dos que abraçaram Abril é essencial para transmitir, dar continuidade e aprofundar os ideais revolucionários que marcaram Portugal no 25 de Abril e no período que se seguiu.
Em Abril concentram-se iniciativas que recordam e comemoram a Revolução dos Cravos. É de extraordinária importância tudo o que se faz junto das novas gerações para informar e debater o conteúdo das conquistas de Abril, a liberdade em todas as suas vertentes, a democracia participada e participativa, o Poder Local democrático, a Reforma Agrária, as nacionalizações, o controlo operário, o direito ao emprego com direitos, o direito à saúde, à educação, à habitação e à cultura, o direito à igualdade, o direito à independência e à soberania nacional, o direito dos portugueses a decidirem o rumo da sua História.
O que se tem feito em muitas escolas, particularmente por iniciativa de professores, mas também por grupos de alunos ou associações de estudantes (debates, exposições, trabalhos, visitas a locais históricos da luta antifascista), marca decerto o interesse por conhecer mais, por aderir e defender os ideais de Abril.
1) Temas de História 12. Ana Lídia Pinto, Célia Pinto do Couto, Pedro Almiro Neves. Porto Editora.
2) Dossier exame 12º ano. História. Edições Asa
3) idem
4) Edições «Avante!»
Onde vão aprender as novas gerações os ideais de Abril? Como vão entender o significado das conquistas de Abril? Como vão identificar o descalabro em que este país caminha porque vive há anos o processo contra a Revolução de Abril?
Um dos momentos mais importantes da história de Portugal justifica e exige maior aprofundamento ao nível do ensino.
Em livros da disciplina de História do 12º ano, verifica-se que o programa limita-se a referir o dia 25 de Abril de 1974, a Constituição da República de 1976, nalguns a descolonização e a entrada de Portugal na CEE. Não há desenvolvimento relativamente ao conteúdo das conquistas da revolução no plano económico, social e cultural, reduzindo-as praticamente às alterações no plano político. Isto conduz a que ao nível do ensino não seja abordado o conteúdo das transformações revolucionárias, das lutas que estiveram na sua origem, da razão da luta em sua defesa. Abril é reduzido a um acto e não a um processo.
Aspecto diferente e positivo, no essencial, assume-se a abordagem do regime fascista, designando-o como tal. Com alguns desenvolvimentos interessantes, denuncia-se o carácter reaccionário e opressor, nomeadamente no ensino. Um dos manuais, relativamente à PIDE, refere que se distinguiu por prender, torturar e matar opositores ao regime, acrescentando que as suas maiores vítimas foram os militantes e simpatizantes do Partido Comunista Português (1). Este tipo de referência não é geral, pois há manuais em que não há qualquer abordagem sobre o Partido nem mesmo havendo tratamento sobre o movimento operário em Portugal e notas sobre organizações de acções armadas e de grupos esquerdistas surgidos antes de 1974 (2). Isto não acontece decerto por razões de ignorância, mas sim para ignorar a história.
Referências breves e erradas
Para além do que está escrito, o que se passa na aula? Será diverso, conforme a interpretação ou a vontade do professor. Numa escola do ensino secundário no centro do País, a professora de História decidiu que os alunos riscassem no livro o termo fascismo atribuído a 48 anos de regime político em Portugal. Segundo ela, regime fascista foi o de Mussolini, em Itália, e em Portugal este não foi adoptado, só serviu de inspiração... Tal como outras, é uma forma de branqueamento do fascismo. Todos os anos, milhares e milhares de alunos são formados na base de elementos deturpadores da História recente de Portugal.
Além de breve, o tratamento histórico do 25 de Abril é a última parte do programa, que é normalmente dado à pressa, quando professores e alunos já estão a pensar nas revisões e nos exames nacionais. Contudo, para os mais interessados na leitura, nalguns manuais encontramos mensagens, ou pela escolha de textos de autores que servem determinadas interpretações dos acontecimentos, ou porque os próprios autores dos manuais assumem conteúdos objectivamente ao serviço do processo contra-revolucionário. A forma como um manual apresenta o 25 de Novembro de 1975 é disto exemplo: coloca-o como o momento do fim dos confrontos políticos e ideológicos e que levou o País à estabilização do pluripartidarismo e da legitimidade democrática (3). Apresentado assim, é prestado o serviço a todos os que, com sucessivas tentativas de golpes, criaram as condições e aprofundaram o processo contra-revolucionário. Além deste exemplo, também será sintomático uma escola, segundo consta, ter convidado Freitas do Amaral para um debate sobre o 25 de Abril.
É aconselhável a professores e a alunos a leitura do livro do camarada Álvaro Cunhal «A Verdade e a Mentira na Revolução de Abril (A contra-revolução confessa-se)» (4).
A memória colectiva dos que abraçaram Abril é essencial para transmitir, dar continuidade e aprofundar os ideais revolucionários que marcaram Portugal no 25 de Abril e no período que se seguiu.
Em Abril concentram-se iniciativas que recordam e comemoram a Revolução dos Cravos. É de extraordinária importância tudo o que se faz junto das novas gerações para informar e debater o conteúdo das conquistas de Abril, a liberdade em todas as suas vertentes, a democracia participada e participativa, o Poder Local democrático, a Reforma Agrária, as nacionalizações, o controlo operário, o direito ao emprego com direitos, o direito à saúde, à educação, à habitação e à cultura, o direito à igualdade, o direito à independência e à soberania nacional, o direito dos portugueses a decidirem o rumo da sua História.
O que se tem feito em muitas escolas, particularmente por iniciativa de professores, mas também por grupos de alunos ou associações de estudantes (debates, exposições, trabalhos, visitas a locais históricos da luta antifascista), marca decerto o interesse por conhecer mais, por aderir e defender os ideais de Abril.
1) Temas de História 12. Ana Lídia Pinto, Célia Pinto do Couto, Pedro Almiro Neves. Porto Editora.
2) Dossier exame 12º ano. História. Edições Asa
3) idem
4) Edições «Avante!»