«Mudanças» de Lampeduza
M. Alegre, em «Sinais de mudança», no Público de 02.04, sobre as eleições em Espanha e França, defendeu, entre muitas opiniões que não acompanho, a evidente necessidade «para a esquerda... de propor e assegurar uma verdadeira alternativa».
Há um bom par de anos que por cá travamos essa luta. Para tornar a alternância – concerto chato e comprido em que dois ou três solistas tocam, sucessivamente, variando num sustenido, a partitura da desgraçada política de direita – numa alternativa efectiva – uma nova sinfonia de democracia avançada e justiça social, tocada por uma nova orquestra de naipes à esquerda.
E a questão é que, aqui e agora, para chegar à «verdadeira alternativa», há mudanças urgentes, mas sobre elas Alegre fica-se pela proposta construtiva das políticas a seguir, mas nada diz sobre quem e como – que alternativa política – as vai concretizar.
Das duas uma: ou, como mais nada adianta, é ao PS que assiste «propor e assegurar a verdadeira alternativa», ou então, como Alegre dizia «há oito anos», «os socialistas... não fazem outra política... porque não podem, porque não há uma estratégia comum... que permita contrapor ao modelo ultra-liberal... o projecto de uma Europa mais democrática, mais social...».
É este o absurdo a que chega Alegre – a alternativa é não haver alternativa. Ou porque, como ele próprio o admitiu muitas vezes e se comprova à exaustão, o PS é incapaz de a assumir de facto, ou porque não há «estratégia».
Porque são curtas as «mudanças» dum discurso que, agora «na oposição», diz o contrário do que faz no governo, e que, se abandonou finalmente(!?) a ortodoxia do Pacto de Estabilidade, continua juntinho à direita na «Constituição Europeia», na continuidade da GNR no Iraque, etc.
Porque são inaceitáveis as «mudanças» que propõe ao Governo (remodelado) da direita para continuar até 2006, após um «cartão amarelo» nas europeias.
Porque são erradas as «mudanças» numa candidatura europeia que visa adesivar ao PS apoios de direita.
Porque são mentirosas as «mudanças» de apelo ao voto «útil» no PS do eleitorado à esquerda para «derrotar a direita».
Com perdão das «boas intenções» de Alegre, estas mudanças do PS são até ver como as d’«O Leopardo» de Lampeduza, para «que tudo fique como está» - conforme o paradigma do oportunismo.
E também por isso é útil e necessário votar CDU, para que aconteçam de facto as mudanças que abram caminho à alternativa.
Há um bom par de anos que por cá travamos essa luta. Para tornar a alternância – concerto chato e comprido em que dois ou três solistas tocam, sucessivamente, variando num sustenido, a partitura da desgraçada política de direita – numa alternativa efectiva – uma nova sinfonia de democracia avançada e justiça social, tocada por uma nova orquestra de naipes à esquerda.
E a questão é que, aqui e agora, para chegar à «verdadeira alternativa», há mudanças urgentes, mas sobre elas Alegre fica-se pela proposta construtiva das políticas a seguir, mas nada diz sobre quem e como – que alternativa política – as vai concretizar.
Das duas uma: ou, como mais nada adianta, é ao PS que assiste «propor e assegurar a verdadeira alternativa», ou então, como Alegre dizia «há oito anos», «os socialistas... não fazem outra política... porque não podem, porque não há uma estratégia comum... que permita contrapor ao modelo ultra-liberal... o projecto de uma Europa mais democrática, mais social...».
É este o absurdo a que chega Alegre – a alternativa é não haver alternativa. Ou porque, como ele próprio o admitiu muitas vezes e se comprova à exaustão, o PS é incapaz de a assumir de facto, ou porque não há «estratégia».
Porque são curtas as «mudanças» dum discurso que, agora «na oposição», diz o contrário do que faz no governo, e que, se abandonou finalmente(!?) a ortodoxia do Pacto de Estabilidade, continua juntinho à direita na «Constituição Europeia», na continuidade da GNR no Iraque, etc.
Porque são inaceitáveis as «mudanças» que propõe ao Governo (remodelado) da direita para continuar até 2006, após um «cartão amarelo» nas europeias.
Porque são erradas as «mudanças» numa candidatura europeia que visa adesivar ao PS apoios de direita.
Porque são mentirosas as «mudanças» de apelo ao voto «útil» no PS do eleitorado à esquerda para «derrotar a direita».
Com perdão das «boas intenções» de Alegre, estas mudanças do PS são até ver como as d’«O Leopardo» de Lampeduza, para «que tudo fique como está» - conforme o paradigma do oportunismo.
E também por isso é útil e necessário votar CDU, para que aconteçam de facto as mudanças que abram caminho à alternativa.