Cartão vermelho
A polémica em torno do último livro de Saramago e da alegada defesa - que o autor desmente - do voto em branco, promete continuar a fazer correr rios de tinta e a dar à estampa verdadeiras pérolas da verborreia nacional. A exemplo do que sucedeu no passado - como daquela vez em que o então subsecretário de Estado da Cultura, Sousa Lara, vetou a candidatura do livro «O Evangelho Segundo Jesus Cristo» a um prémio europeu por o considerar, sem ter lido, um atentado «contra a moral cristã dos portugueses» -, a exemplo disso, repete-se, assiste-se hoje à reprodução insistente do «diz que diz» sem se cuidar de apurar, directamente, o que é que é dito e em que contexto é dito o que se diz.
A questão não é nova nem é inocente. Lembremo-nos, por exemplo, da controvérsia sobre a ditadura do proletariado, apontada até à exaustão como prova provada dos maléficos desígnios do PCP, sem nunca se explicar, por manifesta má fé ou pura ignorância, o significado político do conceito e o alcance profundo do conceito de justiça nele contido enquanto expressão de poder da maioria libertada da exploração. Ou então a pretensa oposição do PCP à propriedade privada, apontada em todo o lado como se de uma verdade absoluta se tratasse, sem nunca um único dos múltiplos comentadores e especialistas encartados se ter dado ao trabalho de completar a frase, arrancada à má fé dos documentos oficiais, explicitando que o princípio defendido se aplicava aos principais meios de produção.
Outros, muitos outros exemplos podiam ser apontados, mas nem sequer vale a pena. O que importa, hoje como sempre, é arranjar um pretexto para zurzir no PCP. Pouco importa se a obra de Saramago coloca ou deixa de colocar questões sobre a democracia e o desvirtuamento dela; ou se a metáfora contida no romance tem diferentes interpretações; ou se... O que importa é que, como cães a um osso, salvo seja, gregos e troianos aproveitaram a dádiva que lhes caiu no colo com o lançamento desta obra polémica para de imediato a transformarem numa arma de arremesso contra o PCP.
Não consta que as propostas comunistas ao eleitorado, que nada têm a ver com romances mas têm tudo a ver com a crua realidade, mereçam das plumitivas criaturas qualquer ensaio lúcido e honesto. Compreende-se. Se optassem por esse caminho, ver-se-iam forçados a informar que a mensagem do PCP ao eleitorado é para que vote e eleja mais comunistas, mostrando ao Governo não o cartão amarelo mas o cartão vermelho.
A questão não é nova nem é inocente. Lembremo-nos, por exemplo, da controvérsia sobre a ditadura do proletariado, apontada até à exaustão como prova provada dos maléficos desígnios do PCP, sem nunca se explicar, por manifesta má fé ou pura ignorância, o significado político do conceito e o alcance profundo do conceito de justiça nele contido enquanto expressão de poder da maioria libertada da exploração. Ou então a pretensa oposição do PCP à propriedade privada, apontada em todo o lado como se de uma verdade absoluta se tratasse, sem nunca um único dos múltiplos comentadores e especialistas encartados se ter dado ao trabalho de completar a frase, arrancada à má fé dos documentos oficiais, explicitando que o princípio defendido se aplicava aos principais meios de produção.
Outros, muitos outros exemplos podiam ser apontados, mas nem sequer vale a pena. O que importa, hoje como sempre, é arranjar um pretexto para zurzir no PCP. Pouco importa se a obra de Saramago coloca ou deixa de colocar questões sobre a democracia e o desvirtuamento dela; ou se a metáfora contida no romance tem diferentes interpretações; ou se... O que importa é que, como cães a um osso, salvo seja, gregos e troianos aproveitaram a dádiva que lhes caiu no colo com o lançamento desta obra polémica para de imediato a transformarem numa arma de arremesso contra o PCP.
Não consta que as propostas comunistas ao eleitorado, que nada têm a ver com romances mas têm tudo a ver com a crua realidade, mereçam das plumitivas criaturas qualquer ensaio lúcido e honesto. Compreende-se. Se optassem por esse caminho, ver-se-iam forçados a informar que a mensagem do PCP ao eleitorado é para que vote e eleja mais comunistas, mostrando ao Governo não o cartão amarelo mas o cartão vermelho.