Demissões em massa no parlamento iraniano

Cento e dezassete dos 290 deputados iranianos demitiram-se no início do mês, advertindo que a eventual organização de eleições com o apoio do exército seria um «golpe de Estado».
«Se os conservadores quiserem organizar as eleições com o apoio do exército, deixarão de ser eleições, passará a ser um golpe de Estado com o objectivo de erradicar a República», declarou à imprensa, segundo a Lusa, Mohammad Reza Khatami, irmão do presidente iraniano e líder do principal partido reformador, a Frente de Participação.
A hipótese de intervenção do exército ganhou consistência desde que o Conselho de Guardiães recusou o pedido de adiamento das eleições legislativas, previstas para 20 de Fevereiro, apresentado pelo ministro do Interior, Abdolvahed Mussavi-Lari, para quem a rejeição em massa de candidaturas reformadoras põe em causa a realização de eleições livres.
Segundo o ministro, o Conselho dos Guardiães, que procedeu à revalidação selectiva das candidaturas, «perdeu uma ocasião de ouro» para a realização de eleições justas, porque «mesmo que fossem agora aprovadas as candidaturas excluídas, já não existem condições» e a data para os escrutínios teria de ser adiada.
O braço de ferro entre reformadores e conservadores agravou-se ainda mais no passado fim-de-semana, após o parlamento iraniano ter aprovado uma reforma do sistema eleitoral do país, que veio posteriormente a ser rejeitada pelo Conselho dos Guardiães.
Responsável por zelar pelo respeito da lei islâmica e da Constituição do país, o Conselho tem igualmente a seu cargo a nomeação das comissões de controlo eleitoral, que em Janeiro provocaram uma crise política de consequências imprevisíveis ao invalidarem 3605 das 8157 candidaturas às eleições legislativas no Irão. Os candidatos vetados, cerca de dois terços do total, são na sua maioria reformadores, incluindo 80 actuais deputados.
Considerando que o país se encontra «numa situação de bloqueio», o presidente do parlamento iraniano, Mehdi Karoubi, pediu entretanto ao Guia Supremo, o ayatollah Ali Khamenei, para que volte a intervir no conflito.
«É preciso que o Guia intervenha para resolver o problema», afirmou, garantindo que «ainda existe esperança» e que ainda está «uma via aberta».


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