Pelo direito de informar
A divulgação do documento final sobre a morte de David Kelly motivou uma onda de contestação ao governo de Tony Blair, acusado de pôr em causa a liberdade e independência da informação da BBC.
O relatório Hutton, dado a conhecer no passado dia 28 de Janeiro, tinha como finalidade o apuramento das causas que estiveram na base da morte do cientista britânico David Kelly, mas o conteúdo do texto revela intenções que ultrapassam os limites da investigação criminal.
Para lá de ilibar o executivo de Blair, o relatório tece duras críticas ao comportamento da BBC e do jornalista Andrew Gilligam, autor de uma peça sobre as informações dos serviços secretos ingleses em relação à existência de armas destruição em massa no Iraque, as quais, sustentou então Gilligam com base num suposto relato de Kelly, que à data era conselheiro do Ministério da Defesa, teriam sido «apimentadas» para legitimar o ataque e invasão daquele país.
Acusados publicamente, no inquérito Hutton, de conduta eticamente condenável, o presidente da BBC, Gavyn Davies, e o director-geral, Greg Dyke, apresentaram a demissão.
Dyke foi mesmo mais longe e, no dia seguinte à sua saída da estação de televisão, em entrevista a outro órgão de comunicação, repetiu o pedido de desculpas e admitiu terem sido cometidos erros na reportagem, mas, ao mesmo tempo, afirmou que os únicos responsáveis não podem ser a BBC e o jornalista Andrew Gilligam e que as pressões do governo se sucederam durante o conflito no Iraque.
Gilligam acabou por também sair do canal público, no passado dia 30, salientando, no entanto, que o que realmente estava em causa era a independência do jornalismo de investigação e a liberdade de informação que, segundo o próprio, é parte do património da televisão estatal.
Serviço público em causa
Em reacção aos acontecimentos, o Sindicato Nacional de Jornalistas, estrutura que assumiu a defesa de Gilligam, classificou os resultados apurados como sendo «tão parciais que ofendem o sentido básico de justiça», entendendo ainda que «o pior resultado que o relatório Hutton poderia ter era o de intimidar os jornalistas perante as tentativas governamentais de controlo da agenda noticiosa».
A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) manifestou também a sua preocupação pelo ataque cerrado à BBC, que comporta, na sua perspectiva, «o perigo de provocar uma caça às bruxas ao serviço público de televisão, numa altura em que os media privados clamam pela desregulação do mercado e o fim dos órgãos de comunicação públicos», problema cada vez mais plasmado na acelerada concentração do sector sob a propriedade grupos económicos com expressão planetária.
Ainda de acordo com a FIJ, o acto persecutório fica a dever-se à cobertura pouco colaborante da BBC durante a guerra no Iraque, facto que não se enquadra nos desígnios imperiais de Blair e Bush.
Trabalhadores protestam, o povo critica Blair
Em face da culpabilização dos profissionais e dos critérios editoriais da BBC, os trabalhadores decidiram manifestar-se, hoje, em frente da sede da empresa e em diversas delegações na Grã-Bretanha.
A contestação tem como principal alvo o presidente interino da estação, Lorde Ryder, acusado de comportamento servil em relação ao governo trabalhista e, por isso, «convidado» pelos jornalistas a abandonar o cargo.
Opinião igualmente crítica parece ter o povo. Uma sondagem divulgada recentemente pelo jornal News of the World revela que 54 por cento dos inquiridos considera que o relatório do juiz Brian Hutton prejudica sobretudo a imagem de Blair, apesar do texto ilibar o primeiro-ministro que, a julgar pela contestação, nem desta forma consegue convencer a maioria dos britânicos da justeza da guerra e da credibilidade das informações da polícia secreta em relação a armas químicas e biológicas em posse de Saddam Hussein. Armas que se admite não virem jamais a ser encontradas.
Para lá de ilibar o executivo de Blair, o relatório tece duras críticas ao comportamento da BBC e do jornalista Andrew Gilligam, autor de uma peça sobre as informações dos serviços secretos ingleses em relação à existência de armas destruição em massa no Iraque, as quais, sustentou então Gilligam com base num suposto relato de Kelly, que à data era conselheiro do Ministério da Defesa, teriam sido «apimentadas» para legitimar o ataque e invasão daquele país.
Acusados publicamente, no inquérito Hutton, de conduta eticamente condenável, o presidente da BBC, Gavyn Davies, e o director-geral, Greg Dyke, apresentaram a demissão.
Dyke foi mesmo mais longe e, no dia seguinte à sua saída da estação de televisão, em entrevista a outro órgão de comunicação, repetiu o pedido de desculpas e admitiu terem sido cometidos erros na reportagem, mas, ao mesmo tempo, afirmou que os únicos responsáveis não podem ser a BBC e o jornalista Andrew Gilligam e que as pressões do governo se sucederam durante o conflito no Iraque.
Gilligam acabou por também sair do canal público, no passado dia 30, salientando, no entanto, que o que realmente estava em causa era a independência do jornalismo de investigação e a liberdade de informação que, segundo o próprio, é parte do património da televisão estatal.
Serviço público em causa
Em reacção aos acontecimentos, o Sindicato Nacional de Jornalistas, estrutura que assumiu a defesa de Gilligam, classificou os resultados apurados como sendo «tão parciais que ofendem o sentido básico de justiça», entendendo ainda que «o pior resultado que o relatório Hutton poderia ter era o de intimidar os jornalistas perante as tentativas governamentais de controlo da agenda noticiosa».
A Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) manifestou também a sua preocupação pelo ataque cerrado à BBC, que comporta, na sua perspectiva, «o perigo de provocar uma caça às bruxas ao serviço público de televisão, numa altura em que os media privados clamam pela desregulação do mercado e o fim dos órgãos de comunicação públicos», problema cada vez mais plasmado na acelerada concentração do sector sob a propriedade grupos económicos com expressão planetária.
Ainda de acordo com a FIJ, o acto persecutório fica a dever-se à cobertura pouco colaborante da BBC durante a guerra no Iraque, facto que não se enquadra nos desígnios imperiais de Blair e Bush.
Trabalhadores protestam, o povo critica Blair
Em face da culpabilização dos profissionais e dos critérios editoriais da BBC, os trabalhadores decidiram manifestar-se, hoje, em frente da sede da empresa e em diversas delegações na Grã-Bretanha.
A contestação tem como principal alvo o presidente interino da estação, Lorde Ryder, acusado de comportamento servil em relação ao governo trabalhista e, por isso, «convidado» pelos jornalistas a abandonar o cargo.
Opinião igualmente crítica parece ter o povo. Uma sondagem divulgada recentemente pelo jornal News of the World revela que 54 por cento dos inquiridos considera que o relatório do juiz Brian Hutton prejudica sobretudo a imagem de Blair, apesar do texto ilibar o primeiro-ministro que, a julgar pela contestação, nem desta forma consegue convencer a maioria dos britânicos da justeza da guerra e da credibilidade das informações da polícia secreta em relação a armas químicas e biológicas em posse de Saddam Hussein. Armas que se admite não virem jamais a ser encontradas.