Milhares protestam em Miami

Os povos contra a ALCA

Milhares de pessoas marcharam nas ruas de Miami contra o Acordo de Livre Comércio das Américas (ALCA), na sexta-feira, num protesto brutalmente reprimido pela polícia.

As autoridades norte-americanas mostraram os músculos do império

Enquanto os representantes de 34 países – exceptuando Cuba, excluída dos debates por imposição dos EUA – cumpriam o último dia da 8.ª Cimeira da ALCA, as ruas da capital estadual da Florida, nos EUA, encheram-se de manifestantes, provenientes dos quatro cantos do continente americano, para demonstrarem que nenhum acordo pode ser celebrado pacificamente sem os povos ou contra os povos.
Durante toda a semana, paralelamente ao encontro, realizaram-se diversas demonstrações, iniciativas culturais, debates e iniciativas de protesto contrastantes com o que estava a ser discutido nos salões do Hotel Intercontinental, mas foi na sexta-feira que as autoridades norte-americanas resolveram mostrar os músculos do império.
Mais de três mil agentes de diversos departamentos policiais e militares carregaram sobre os manifestantes antes mesmo que estes chegassem às imediações do conclave, usando granadas de gás lacrimogéneo e pimenta, bastões, balas de borracha, projécteis de madeira e carros blindados, confrontos que se saldaram em pelo menos quatro feridos graves, entre os quais uma mulher ferida no rosto, e dois jornalistas americanos e um operador de câmera da CNN que, além de brutalmente espancados, viram o material apreendido.

Acordo «flexível»

Fruto do compromisso estabelecido duas semanas antes entre o Brasil e os EUA – que funcionaram como principais motores das propostas polémicas introduzidas ao texto inicial de autoria americana – o projecto ALCA resultou num acordo final apresentado como sendo um «esqueleto» simultaneamente abrangente e «flexível».
Muito embora a cautela tenha sido a nota dominante das declarações finais, os relatores destacaram que as bases da ALCA se fundamentaram na possibilidade de celebrar acordos multilaterais entre as partes interessadas, muito embora tenha transparecido que tal alinhamento é limitado no tempo e no espaço até à criação do bloco comercial em 2005.
Para já, foram deixadas de fora do convénio final, entre outras, áreas sensíveis como os subsídios agrícolas, a propriedade intelectual e os investimentos estatais, o que faz prever para as próximas rondas negociais a concertação de posições que, nas ruas de Miami, Brasília, São Paulo ou Buenos Aires, os povos demonstraram não querer ceder aos interesses das multinacionais norte-americanas.


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