Os custos da guerra no Iraque
Entre 22 mil a 55 mil pessoas, em sua grande maioria iraquianos, terão morrido em consequência da invasão do Iraque pelos EUA, estima ONG britânica.
O povo iraquiano terá problemas de saúde por «várias gerações»
Desde 20 de Março último, largas dezenas de milhar de pessoas terão morrido no Iraque, não tanto em resultado das acções de combate dirigidas pelos EUA mas sobretudo devido à deterioração do sistema sanitário iraquiano. A estimativa foi divulgada a semana passada pela Medact, uma ONG britânica dedicada à acção humanitária na área da saúde, num documento intitulado «Dano colateral contínuo: os Custos da Guerra no Iraque para a Saúde e o Meio Ambiente.
O documento estima entre 13 500 e 45 000 o número de militares iraquianos mortos durante a guerra (de 20 de Março a 1 de Maio), e de 5708 a 7353 o número de civis mortos no mesmo período. Quanto às baixas dos aliados (norte-americanos e britânicos) durante a invasão, ascenderão a 172.
Já o número de vítimas civis iraquianas no pós guerra, de 2 de Maio a 20 de Outubro, é estimado entre 2049 a 2209, período em que terão morrido 172 militares dos EUA e da Grã-Bretanha.
A confirmarem-se estas estimativas, o total de vítimas até 20 de Outubro oscilará entre os 21 700 e os 55 000, mas a macabra contabilidade não deverá ficar-se por aqui.
Segundo a Medact, o povo iraquiano terá problemas de saúde por «várias gerações» dado que a ocupação levou ao colapso do sistema de saúde, interrompeu programas de vacinação, e destruiu os sistemas de abastecimento de água do país, o que faz aumentar os riscos de doenças e consequentemente põe em causa a esperança de vida.
Perspectivas sombrias
Segundo a Medact, as crianças e os idosos são os que correm mais riscos de vir a ser potenciais vítimas das consequências da invasão e ocupação do Iraque. Basta dizer que, com o início da guerra, 250 mil crianças deixaram de ser vacinadas contra o sarampo e actualmente, apesar das campanhas de vacinação terem recomeçado, ninguém controla o número de crianças efectivamente vacinadas.
«A desnutrição aguda aumentou de 4% para 8% nos últimos 12 meses, houve um aumento na taxa de mortalidade entre gestantes e cresceu o número de doenças transmitidas pela água e de doenças que podem ser prevenidas pela vacinação», afirma Sabya Farooq, autor do relatório da Medact.
Nas suas «Conclusões e recomendações», o relatório dedica um capítulo à «Reforma Política» do Iraque, onde afirma que «o processo de democratização deve obedecer a um claro cronograma de transferência da autoridade para uma legítima administração provisória iraquiana, sob os auspícios de um representante da ONU». Para os autores do documento, «as potências ocupantes devem deixar que a ONU tenha o papel central na manutenção da paz e no processo de reconstrução humanitária».
Quantos mortos serão necessários?
Numa altura em que se fala cada vez mais abertamente da «iraquianização» da ocupação do Iraque, o silêncio e mistificação que tem envolvido as baixas sofridas pelos ocupantes começa a ser quebrado.
A semana passada, o jornal britânico Independent divulgou um quadro, que aqui se reproduz, com o número de forças envolvidas na ocupação e o respectivo número de mortos sofridos, país por país, desde o início da guerra, em 20 de Março, até meados deste mês. Vale a pena conferir com o que diariamente vem sendo dito, mas uma advertências se impõe: o quadro está desactualizado. Nos últimos dias morreram mais de duas dezenas de pessoas (18 norte-americanos só no fim-de-semana), e da lista não constam os feridos graves que acabam por falecer.
Bush diz que estes soldados «morrerem pela paz». Nos respectivos países, a exigência é que voltem para casa, já.
Japão contra a guerra
Uma sondagem divulgada no início da semana pela cadeia de televisão privada NTV, dava conta que a maioria dos japoneses que se opõe ao envio de tropas nipónicas para o Iraque continua a aumentar: passou de 49 por cento, em Agosto, para 71 por cento este mês
Entre os que se opõem, 53 por cento é, por princípio, contra missões das Forças de Auto-Defesa (FAD, exército japonês) no estrangeiro, enquanto 43 por cento passou a estar contra este tipo de missões devido à crescente insegurança.
A queda de popularidade do primeiro-ministro recém-reeleito, Junichiro Koizumi, está relacionada com esta questão: situa-se agora nos 38 por cento, menos sete pontos relativamente a Outubro. O mesmo sucede com o partido de Koizumi, os Liberais Democratas, enquanto o seu principal adversário, o partido Democrata do Japão, que se opõe ao envio das FAD para o Iraque, subiu 15 pontos num mês, passando para 27 por cento.
Após o atentado em Nassiria, o governo adiou tempo indeterminado o envio de tropas japonesas para o Iraque.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Dominique de Villepin, deixou há dias uma pergunta à administração Bush: «Quantos mortos ainda será necessário contar para entender que é essencial uma mudança de atitude?» A Casa Branca não respondeu.
O documento estima entre 13 500 e 45 000 o número de militares iraquianos mortos durante a guerra (de 20 de Março a 1 de Maio), e de 5708 a 7353 o número de civis mortos no mesmo período. Quanto às baixas dos aliados (norte-americanos e britânicos) durante a invasão, ascenderão a 172.
Já o número de vítimas civis iraquianas no pós guerra, de 2 de Maio a 20 de Outubro, é estimado entre 2049 a 2209, período em que terão morrido 172 militares dos EUA e da Grã-Bretanha.
A confirmarem-se estas estimativas, o total de vítimas até 20 de Outubro oscilará entre os 21 700 e os 55 000, mas a macabra contabilidade não deverá ficar-se por aqui.
Segundo a Medact, o povo iraquiano terá problemas de saúde por «várias gerações» dado que a ocupação levou ao colapso do sistema de saúde, interrompeu programas de vacinação, e destruiu os sistemas de abastecimento de água do país, o que faz aumentar os riscos de doenças e consequentemente põe em causa a esperança de vida.
Perspectivas sombrias
Segundo a Medact, as crianças e os idosos são os que correm mais riscos de vir a ser potenciais vítimas das consequências da invasão e ocupação do Iraque. Basta dizer que, com o início da guerra, 250 mil crianças deixaram de ser vacinadas contra o sarampo e actualmente, apesar das campanhas de vacinação terem recomeçado, ninguém controla o número de crianças efectivamente vacinadas.
«A desnutrição aguda aumentou de 4% para 8% nos últimos 12 meses, houve um aumento na taxa de mortalidade entre gestantes e cresceu o número de doenças transmitidas pela água e de doenças que podem ser prevenidas pela vacinação», afirma Sabya Farooq, autor do relatório da Medact.
Nas suas «Conclusões e recomendações», o relatório dedica um capítulo à «Reforma Política» do Iraque, onde afirma que «o processo de democratização deve obedecer a um claro cronograma de transferência da autoridade para uma legítima administração provisória iraquiana, sob os auspícios de um representante da ONU». Para os autores do documento, «as potências ocupantes devem deixar que a ONU tenha o papel central na manutenção da paz e no processo de reconstrução humanitária».
Quantos mortos serão necessários?
Numa altura em que se fala cada vez mais abertamente da «iraquianização» da ocupação do Iraque, o silêncio e mistificação que tem envolvido as baixas sofridas pelos ocupantes começa a ser quebrado.
A semana passada, o jornal britânico Independent divulgou um quadro, que aqui se reproduz, com o número de forças envolvidas na ocupação e o respectivo número de mortos sofridos, país por país, desde o início da guerra, em 20 de Março, até meados deste mês. Vale a pena conferir com o que diariamente vem sendo dito, mas uma advertências se impõe: o quadro está desactualizado. Nos últimos dias morreram mais de duas dezenas de pessoas (18 norte-americanos só no fim-de-semana), e da lista não constam os feridos graves que acabam por falecer.
Bush diz que estes soldados «morrerem pela paz». Nos respectivos países, a exigência é que voltem para casa, já.
Japão contra a guerra
Uma sondagem divulgada no início da semana pela cadeia de televisão privada NTV, dava conta que a maioria dos japoneses que se opõe ao envio de tropas nipónicas para o Iraque continua a aumentar: passou de 49 por cento, em Agosto, para 71 por cento este mês
Entre os que se opõem, 53 por cento é, por princípio, contra missões das Forças de Auto-Defesa (FAD, exército japonês) no estrangeiro, enquanto 43 por cento passou a estar contra este tipo de missões devido à crescente insegurança.
A queda de popularidade do primeiro-ministro recém-reeleito, Junichiro Koizumi, está relacionada com esta questão: situa-se agora nos 38 por cento, menos sete pontos relativamente a Outubro. O mesmo sucede com o partido de Koizumi, os Liberais Democratas, enquanto o seu principal adversário, o partido Democrata do Japão, que se opõe ao envio das FAD para o Iraque, subiu 15 pontos num mês, passando para 27 por cento.
Após o atentado em Nassiria, o governo adiou tempo indeterminado o envio de tropas japonesas para o Iraque.
Entretanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros da França, Dominique de Villepin, deixou há dias uma pergunta à administração Bush: «Quantos mortos ainda será necessário contar para entender que é essencial uma mudança de atitude?» A Casa Branca não respondeu.