Eleições na Catalunha

Esquerda em maioria

Os democratas-cristãos da Convergencia i Unio (CiU), no poder desde 1980, sofreram um forte revés nas eleições realizadas no domingo, 16, na Catalunha

O próximo governo da Catalunha é ainda uma incógnita

Perdendo dez lugares em relação ao sufrágio de 1999, a coligação liderada durante 23 anos por Jordi Pujol, obteve ainda assim 30,93 por cento dos votos, que lhe garantiram 46 deputados, num total de 135 no parlamento da Catalunha, mais quatro que o Partido Socialista Catalão (PSC), o qual, não obstante, foi a força mais votada (31,17%) com mais 7600 votos que os obtidos pela CiU.
No entanto, o avanço dos partidos à esquerda dos democratas-cristãos ficou mais a dever-se aos resultados obtidos pela Esquerra Republicana de Catalunya (ERC) e pela Iniciativa per Catalunya-Verds/Esquerra Unida i Alternativa (ICV-EUiA), do que aos socialistas, já que estes perderam oito deputados.
Em contrapartida a ERC, quase duplicou os votos colocando-se na terceira posição com 16,7 por cento e 23 deputados, em vez dos 12 eleitos em 1999.
Por seu turno a ICV/EUiA, onde está incluído o Partido dos Comunistas da Catalunha, passou de cinco para nove deputados, fixando 7,3 por cento dos sufrágios.
Face ao resultado obtido por estas três formações, suficiente para constituir uma confortável maioria no parlamento, a ICV/EUiA apelou à ERC para que se empenhe na criação de uma governo de esquerda.
Contudo, o líder de ERC, Josep Lluis Carod-Rovira, mostrou-se indeciso na noite das eleições, não revelando as suas intenções.
Maior clareza revelou o cabeça-de-lista da CiU, Artur Mas, que abriu a porta a um acordo com a ERC desde que tal não implique a cedência aos republicanos da presidência do governo autónomo.
Assim, apesar da superioridade aritmética dos partidos de esquerda, a composição do próximo governo permanece uma incógnita e qualquer antecipação é ainda «prematura», segundo reconheceu, na segunda-feira, 17, o secretário-geral do PSOE, José Luís Rodriguez Zapateiro,
Arredado deste jogo está o Partido Popular (PP), do primeiro-ministro espanhol José María Aznar, que foi relegado para quarta força política, sem hipótese de viabilizar um governo à direita, como sucedera no anterior mandato, apesar ter eleito 15 deputados, mais três do que em 1999.
O escrutínio ficou ainda marcado por uma forte participação dos 5,3 milhões de eleitores (63,39%), bem como pela retirada de Jordi Pujol, de 73 anos, que presidiu ao governo desta rica região do nordeste de Espanha desde o fim do franquismo e a reimplantação da democracia.


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