Adeus! «velha Europa»
A «rebelião» diplomática que, a propósito do Iraque, ocupou durante 16 meses os palcos da cena internacional, opondo na ONU, a Alemanha e a França aos Estados Unidos, foi debelada no encontro de Nova York entre o chanceler Schröder e George Bush. O presidente da social-democracia alemã foi ao Estados Unidos garantir a Bush o seu apoio ao regime de ocupação em Bagdad. Os colaboradores iraquianos, ajudantes do exército norte-americano, poderão a partir de agora receber treino e formação militar nas academias da Bundeswehr e nas escolas da polícia alemã como já acontecera com o general Subianto e as milícias indonésias que massacraram o povo de Timor-Leste.
Depois de Schröder, foi a vez de Chirac confirmar a mudança de posição da França, ao declarar não tencionar opor qualquer veto a uma nova resolução pro-americana do Conselho de Segurança, cuja finalidade só poderá ser «legalizar» a posteriori a guerra preventiva e o regime dos invasores. Apesar da França e da Alemanha sempre terem colaborado e colocado os seus territórios e espaços aéreos à disposição dos agressores, o mundo inteiro acaba de assistir ao desabar da retórica que, ainda não há muito tempo, permitiu a alguns ingénuos apelidar aquelas duas potências europeias de «eixo-da-paz». E o colapso total da chamada «velha Europa», expressão com que Rumsfeld costuma brindar os aliados europeus que se atrevem a duvidar dos dogmas da política externa norte-americana. A integração de Paris e Berlim no eixo-dos-ocupantes é hoje uma realidade. Adeus! «velha Europa».
Em Nova York, Bush deixou bem claro que, para os Estados Unidos, a ONU continua a ser apenas um instrumento de legitimação do império, ao reafirmar que o «Iraque foi libertado porque uma coligação de países agiu para defender a paz e a credibilidade das Nações Unidas». Na substância, Bush não cedeu um milímetro, apesar de seriamente ameaçado pela resistência do povo iraquiano e pela crescente oposição interna ao caos que instaurou em Bagdad. Mas as oligarquias mundiais e particularmente as europeias estão apreensivas face à perspectiva de um fiasco monumental da sua vanguarda belicista. A expulsão ou retirada forçada das tropas anglo-americanas da Mesopotamia irá estimular e encorajar a luta de outros povos pela independência e soberania nacionais. É o medo do vazio e do crescente descrédito da componente armada da globalização capitalista que obriga Schröder, Bush e Chirac a enterrarem momentaneamente as rivalidades e a considerarem que «as divergências que existiram no passado foram superadas».
Usando os habituais estratagemas, as potências europeias «ex-rebeldes» que acabam de entregar definitivamente o Iraque
à voragem das legiões do Pentágono, em vez de exigirem o fim imediato da ocupação estrangeira, invocam, para salvar as aparências, «a transferencia do poder para o povo iraquiano» como se os Estados Unidos tivessem invadido a Mesopotania para ali instalarem um regime independente de Washington.. Os invasores nunca abandonarão o Iraque de livre vontade. Qualquer teatro de marionetas semelhante aos de Karsai em Cabul ou de Djindjic em Belgrado exigira sempre a presença de tropas coloniais, seja no Afeganistão, nos Balcãs ou no Tigre e Eufrates.
Seguros de que assim é, os EUA acabam de anunciar a apresentação de «uma constituição no prazo de seis meses», escoltada pelas baionetas norte-americanas, remetendo para «mais tarde a realização de eleições». Já houve um tempo em que era indiscutível caber aos povos eleger Assembleias Constituintes cuja missão exclusiva era a de elaborar a Lei Fundamental. Hoje as grandes potências, no Pentágono, em Petersberg ou nos escritórios de Giscard d‘Estaing arrogam-se a pretensão de redigir as cartilhas destinadas a orientar as respectivas clientelas políticas. Os povos nem precisam de votar. São estas as vantagens da «moderna democracia». Chegou a hora dos «invasores» e «modernizadores» de todos os matizes, incluindo os da «nova» ou da «velha Europa» se retirarem do Iraque.
Depois de Schröder, foi a vez de Chirac confirmar a mudança de posição da França, ao declarar não tencionar opor qualquer veto a uma nova resolução pro-americana do Conselho de Segurança, cuja finalidade só poderá ser «legalizar» a posteriori a guerra preventiva e o regime dos invasores. Apesar da França e da Alemanha sempre terem colaborado e colocado os seus territórios e espaços aéreos à disposição dos agressores, o mundo inteiro acaba de assistir ao desabar da retórica que, ainda não há muito tempo, permitiu a alguns ingénuos apelidar aquelas duas potências europeias de «eixo-da-paz». E o colapso total da chamada «velha Europa», expressão com que Rumsfeld costuma brindar os aliados europeus que se atrevem a duvidar dos dogmas da política externa norte-americana. A integração de Paris e Berlim no eixo-dos-ocupantes é hoje uma realidade. Adeus! «velha Europa».
Em Nova York, Bush deixou bem claro que, para os Estados Unidos, a ONU continua a ser apenas um instrumento de legitimação do império, ao reafirmar que o «Iraque foi libertado porque uma coligação de países agiu para defender a paz e a credibilidade das Nações Unidas». Na substância, Bush não cedeu um milímetro, apesar de seriamente ameaçado pela resistência do povo iraquiano e pela crescente oposição interna ao caos que instaurou em Bagdad. Mas as oligarquias mundiais e particularmente as europeias estão apreensivas face à perspectiva de um fiasco monumental da sua vanguarda belicista. A expulsão ou retirada forçada das tropas anglo-americanas da Mesopotamia irá estimular e encorajar a luta de outros povos pela independência e soberania nacionais. É o medo do vazio e do crescente descrédito da componente armada da globalização capitalista que obriga Schröder, Bush e Chirac a enterrarem momentaneamente as rivalidades e a considerarem que «as divergências que existiram no passado foram superadas».
Usando os habituais estratagemas, as potências europeias «ex-rebeldes» que acabam de entregar definitivamente o Iraque
à voragem das legiões do Pentágono, em vez de exigirem o fim imediato da ocupação estrangeira, invocam, para salvar as aparências, «a transferencia do poder para o povo iraquiano» como se os Estados Unidos tivessem invadido a Mesopotania para ali instalarem um regime independente de Washington.. Os invasores nunca abandonarão o Iraque de livre vontade. Qualquer teatro de marionetas semelhante aos de Karsai em Cabul ou de Djindjic em Belgrado exigira sempre a presença de tropas coloniais, seja no Afeganistão, nos Balcãs ou no Tigre e Eufrates.
Seguros de que assim é, os EUA acabam de anunciar a apresentação de «uma constituição no prazo de seis meses», escoltada pelas baionetas norte-americanas, remetendo para «mais tarde a realização de eleições». Já houve um tempo em que era indiscutível caber aos povos eleger Assembleias Constituintes cuja missão exclusiva era a de elaborar a Lei Fundamental. Hoje as grandes potências, no Pentágono, em Petersberg ou nos escritórios de Giscard d‘Estaing arrogam-se a pretensão de redigir as cartilhas destinadas a orientar as respectivas clientelas políticas. Os povos nem precisam de votar. São estas as vantagens da «moderna democracia». Chegou a hora dos «invasores» e «modernizadores» de todos os matizes, incluindo os da «nova» ou da «velha Europa» se retirarem do Iraque.