• Vasco Cardoso

O futuro da TAP

Portugal viu desaparecer em poucos anos a propriedade nacional da quase totalidade do sector bancário. Um a um, do BANIF ao BES, do BPI ao BCP, os principais bancos nacionais foram sendo adquiridos pelo grande capital estrangeiro, neste caso, pelo grande capital espanhol, não sem antes, terem sido desviados milhares de milhões de recursos públicos para esses mesmos bancos por opções que responsabilizam, sem distinção, PSD, PS e CDS. O tiro de partida nesse processo foram as privatizações. Mas as imposições da UE no âmbito da União Bancária, aceleraram a concentração deste sector no plano europeu, com Portugal a ficar reduzido em termos de banca nacional, a um único grande banco, a Caixa Geral de Depósitos, embora também esta condicionada no seu desenvolvimento e ameaçada no seu futuro.

Processo semelhante está hoje em curso no âmbito da aviação civil colocando-se uma séria ameaça ao futuro da TAP, enquanto companhia aérea de bandeira. Tudo se conjuga, por via das orientações da chamada DGCom (entidade que regula a concorrência no seio da UE), não só para que venham a ser colocados sérios entraves a países como Portugal na defesa da TAP (limitando as ajudas públicas, impondo a redução da sua dimensão, despedimentos, etc), mas também, para uma pressão cada vez maior no sentido da concentração deste sector em meia dúzia de grandes companhias de aviação no plano europeu!

A TAP não precisa apenas de ser recapitalizada em mais 1200 milhões de euros. Precisa de ser colocada ao serviço do desenvolvimento do País, de cumprir o seu papel na coesão do território nacional, na dinamização da actividade económica, incluindo do Turismo.

A cedência aos interesses dos actuais accionistas privados, o arrastamento das decisões, a submissão às imposições da DGCom/UE, o namoro com a Lufthansa (grande companhia de aviação alemã) a quem admitem a entrada no capital da TAP, por parte do Governo PS, fazem temer o pior: a mobilização de recursos públicos para pagar dívidas e a entrega da companhia nos braços de uma multinacional. Vai ser preciso lutar muito para salvar a TAP e defender a soberania.




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