EUA pressionam países africanos

Carlos Lopes Pereira

A actual situação internacional é complexa, repleta de perigos.

Os Estados Unidos da América (EUA) agem, com impunidade e sem pudor, como se fossem os donos do mundo. Impõem a sua «paz pela força» imperial. Não reconhecem o direito internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas consensualizada após a II Guerra Mundial. Retomam a política da canhoneira do século XIX. Sequestram o chefe do Estado da Venezuela, cercam militarmente esse país e proclamam a intenção de apoderar-se do seu petróleo. Agravam o bloqueio de décadas a Cuba, procuram asfixiar o seu povo e provocar uma «mudança de regime». Na América Latina e Caraíbas, ameaçam agredir não só Cuba como a Colômbia e o México. Promovem golpes de Estado e fraudes eleitorais. No Médio Oriente, armam Israel e dão cobertura ao extermínio do povo palestiniano. Preparam novos ataques ao Irão. Na Europa, pretendem «adquirir» a Gronelândia «a bem ou a mal».

Também em África os EUA intensificam a sua política imperialista, de tentativa de domínio.

Um exemplo: a imprensa queniana noticiou que a assinatura de um acordo comercial entre o Quénia e a China foi adiada por pressões de Washington sobre o governo do país da África Oriental. O jornal The Standard refere que o caso ocorre quando o Quénia procura renovar a sua participação na «Lei de Crescimento e Oportunidades para a África» (AGOA, na sigla em inglês), um instrumento legal que reduz as tarifas sobre algumas exportações africanas para os EUA.

O prazo do convénio expirou em Setembro de 2025, causando já prejuízos elevados à economia do Quénia, cujo governo tem procurado, em vão, prorrogá-lo. Ao mesmo tempo, Nairobi está a negociar um pacto comercial com a China visando eliminar as tarifas chinesas sobre exportações quenianas (chá, café, frutas e pescado).

Comentando o assunto, o Global Times explica que os EUA estão a usar a potencial renovação da AGOA como uma ferramenta fundamental para impor os seus interesses estratégicos em África, neste caso forçando o Quénia a tomar partido entre duas potências mundiais. Para o jornal chinês em língua inglesa, esta abordagem norte-americana restringe o espaço de desenvolvimento do Quénia, que já enfrenta múltiplos desafios, e expõe o «unilateralismo e a natureza intimidadora» da política de Washington.

Assinala o jornal que esta pressão dos EUA sobre o Quénia não é, de maneira nenhuma, única. No ano passado, um congressista norte-americano apresentou uma proposta para reavaliação do estatuto do país africano como «grande aliado não pertencente à NATO», sinalizando assim a oposição de Washington ao aprofundamento das relações entre o Quénia e a China.

Defende o Global Times que, ao contrário do que acontece com os EUA, a cooperação da China com a África nunca foi fechada ou exclusiva, nem exigiu que os países africanos tomassem partido: eles «têm todo o direito de escolher com independência os seus caminhos de desenvolvimento e os parceiros internacionais».

Para Pequim, reitera o jornal, a África pertence aos africanos e os esforços para pressionar os países africanos a fazer uma suposta «escolha» entre a China e os EUA equivalem a «mais uma tentativa flagrante de subordinar o desenvolvimento africano aos interesses geopolíticos de Washington, em detrimento do bem-estar dos povos africanos».

 



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