O jornalismo em Portugal

Manuel Rodrigues

A propósito do Dia Mundial do Jornalismo, que algumas organizações celebraram no domingo passado, embora a “comunidade” jornalística mundial assinale, em 3 de Maio, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, proclamado pela UNESCO em 1993, a coordenadora do Departamento de Ciências da Comunicação da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Nova FCSH), Marisa Silva, defendeu que «o estado actual do jornalismo em Portugal não é animador, estando a profissão associada à palavra crise».

E aponta alguns dos factores responsáveis como a propriedade dos media, questões sociais e políticas e condições de precariedade no exercício da profissão.

Ora vejamos: no início de Setembro, estavam registadas na Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) 310 empresas jornalísticas activas e duas empresas noticiosas.

Além disso, de acordo com dados apurados junto da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ), existem em Portugal 5232 titulares de carteira profissional de jornalista, dos quais 3073 são indivíduos do sexo masculino e 2159 do sexo feminino.

Também se sabe que a imprensa é o subsector da comunicação social que agrega mais jornalistas (1977), seguindo-se a televisão (1034) e a rádio (515), que se repartem por órgãos da comunicação social, que continuam concentrados nas mãos de meia dúzia de grupos económicos.

Ora, também é público que a profissão de jornalista é atravessada pelos mesmos problemas que afectam outras profissões: baixos salários, níveis elevados de precariedade, falta de perspectivas pelas carreiras muito limitadas, muitos jornalistas a recorrerem novamente ao duplo e triplo emprego para sobreviver, horários de trabalho desregulados, entre tantos outros problemas.

É, de facto, uma situação sócio-profissional verdadeiramente crítica, como reconhece Marisa Silva, que só a luta dos próprios jornalistas, no quadro da luta mais geral, poderá melhorar e, ao mesmo tempo, impedir que o código laboral do Governo (que tem o apoio do Chega e da IL) possa agravar ainda mais.





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