Este Governo não age sozinho
Estamos a poucos dias da entrega da proposta do Orçamento do Estado para 2026. Para que essa proposta seja aprovada, para além dos votos favoráveis de PSD e CDS na Assembleia da República, o Governo precisará do apoio do Chega ou do PS, ou dos dois em simultâneo. Sem o apoio de pelo menos de um destes partidos, a proposta de OE 2026 não será aprovada.
Este mesmo raciocínio é válido para a maioria das decisões que estão em curso. Seja a descida do IRC para os grupos económicos, sejam as alterações às leis laborais, seja a privatização da TAP, só para citar alguns exemplos.
No entanto, quer o Chega, quer o PS não se cansam de reivindicar para si o estatuto de “oposição”. O Chega diz que é agora o “maior partido da oposição”. Uma “oposição” que assenta na demagogia e na mentira sistemática, e na indecorosa promoção mediática que recebe, para disfarçar a convergência com o que de mais negativo este Governo se propõe fazer. Já o PS reivindica para si o estatuto de “oposição responsável”, que é uma forma de dizer que não confrontará em nenhum momento a política de favorecimento dos grupos económicos e de submissão às imposições da UE e do imperialismo. Temos ainda a IL, cujas posições estão no fundamental alinhadas com o rumo do Governo (e as opções do Chega), mas cujos votos não são neste momento determinantes.
A situação actual é esta: temos um Governo PSD/CDS que governa ora com o apoio do Chega (e IL) ora com o apoio do PS. Quando o Chega apoia as propostas do Governo, o PS diz que é oposição; já quando é o PS a apoiar as propostas do Governo, é o Chega que se “liberta” para poder chamar nomes ao Governo que antes apoiou. Uma verdadeira orquestra, onde cada um toca o seu instrumento e cuja música faz as delícias do grande capital.
É claro que nada disto está livre de contradições e choques que, tal como noutros momentos, se podem vir a agudizar, sobretudo se aprofundados pela capacidade de resistência e luta dos trabalhadores e do povo, perante uma política que visa o agravamento da exploração e das injustiças. Mas a denúncia de que este Governo não age sozinho e que conta com o apoio do Chega e IL, mas também do PS em matérias centrais, é fundamental, não apenas para desmascarar estes protagonistas, mas para construir a alternativa.




