Veneno anticomunista
A notícia é do Correio da Manhã. Começa por valorizar uma realidade: «Vivemos mais que a média europeia». A esperança de vida em Portugal é de 82,7 anos, superior em um ano à média da União Europeia. Depois dá-nos outro dado: «Os países do Leste Europeu, que durante décadas pertenceram ao bloco soviético, são os que registam esperança de vida mais baixa: Letónia, Roménia e Bulgária é onde se vive menos, abaixo dos 77.» Em comparação com 2019, «Lituânia, Chéquia, Letónia e Roménia foram os países onde mais aumentou a esperança de vida».
A conclusão parece fácil de tirar, certo? Mas não a tirem já, pois seria falsa.
Importa antes recordar aqui um ano, 1974. Nesse ano Portugal tinha a pior esperança de vida da Europa: 68,2 anos. Os países citados pelo Correio da Manhã, então «pertencentes ao bloco soviético» como os caracteriza, tinham todos esperanças de vida superiores à portuguesa: Bulgária (71,1 anos); Chéquia (70,2 anos); Roménia (69,7); Lituânia (71,6); Letónia (69,7). Pois é... nos tempos do fascismo, Portugal era o pior país da Europa em termos da esperança de vida. E a verdadeira pergunta deveria ser: o que fez com que países que tinham esperanças de vida superior à portuguesa tenham passado a estar vários anos abaixo na sua esperança de vida face à de Portugal?
Outro dado que, naturalmente, escapou ao Correio da Manhã é que Portugal, entre 1974 e 2024, é o país da Europa onde a esperança de vida mais aumentou: 14,5 anos. Porquê? Graças à Revolução e à criação, por esta, do Serviço Nacional de Saúde.
E já agora, que citamos estatísticas, sabem qual é a esperança de vida nos EUA? O país mais rico do mundo e aquele cujo modelo de saúde querem copiar a IL, o CH e o PSD? Uns extraordinários 78,4 anos, menos 4,5 anos que em Portugal. O Correio da Manhã também não reparou...
Todo o cuidado é pouco, que o veneno é muito e as picadas são dadas de mansinho.




