Presentes, mas ausentes

A realização do XXII Congresso do PCP foi, sob qualquer ponto de vista, o acontecimento mais relevante da vida política nacional dos três dias em que decorreu. Não obstante esta indesmentível realidade, a sua cobertura mediática esteve muito, muito longe do que seria exigível – incluindo quando comparado com outros congressos partidários.

Dos quatro principais jornais diários com edição em papel, nenhum trouxe qualquer imagem do Congresso nas suas primeiras páginas entre 13 e 16 de Dezembro. No caso do Correio da Manhã, tão pouco uma referência (e, mesmo nas páginas interiores, as breves notícias foram difíceis de encontrar); o JN ficou-se por uma discreta caixa na primeira página de sexta-feira; no DN a opção foi para resumir a abertura do Congresso a “dificuldades financeiras e menos militantes”; já o Público apenas refere o Congresso nas primeiras páginas dos dias 15 e 16, também com pequenas caixas. Registe-se que, destes, apenas o Público teve jornalistas a fazer a cobertura do Congresso – uma realidade que mostra tanto quão depauperadas ao extremo estão as redacções actualmente, como é exemplo das opções editoriais assumidas por quem as dirige.

No plano televisivo, a opção mais escandalosa terá sido a absoluta ausência do Congresso dos noticiários da TVI no dia da abertura. Nem às 13 nem às 20 horas os responsáveis pelo desenho dos jornais daquela estação encontraram uns segundos sequer para dar notícia do que se passou em Almada, apesar do material à disposição: a intervenção de abertura do Secretário-Geral, as muitas intervenções de delegados, as entrevistas concedidas por João Ferreira e Paulo Raimundo, que passaram apenas na CNN Portugal. A SIC, ao contrário do que é hábito em congressos partidários (incluindo em anteriores congressos do PCP), poderia ter ganho o prémio de presente mais ausente. É certo que esteve presente em permanência, que foi fazendo vários directos do local com comentários dos jornalistas que lá estavam em trabalho, até convidaram uma jornalista do Observador para comentar o que ali se passava. Mas, à excepção de uma brevíssima entrevista ao Secretário-Geral em directo para a SIC Notícias, não quiseram ouvir um único convidado, delegado ou dirigente do PCP.

Registe-se ainda o empenho do Observador, o órgão de comunicação social que é hoje o veículo mais empenhado na difusão da ideologia dominante, com uma capacidade operacional invejável, explicada por uma capacidade de financiamento aparentemente sem fundo. Foi dos que mais atenção deu ao Congresso do PCP. Sobre este facto, há dois factos a salientar. Primeiro, que o trabalho que fizeram dispensava que lá tivessem ido, já que passaram absolutamente ao lado de tudo o que lá se passou: o guião estava pré-definido, só tiveram de montar um puzzle de preconceitos e caricaturas. Segundo, que para um Congresso de um Partido à beira de desaparecer (como sugerem) seria de estranhar tanto investimento pelos pontas-de-lança do capital na comunicação social.

 



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