Ecologia em acção na Convenção do Partido Ecologista «Os Verdes»

O Par­tido Eco­lo­gista «Os Verdes» (PEV) re­a­lizou, nos dias 16 e 17 de No­vembro, em Se­túbal, a sua XVI Con­venção. Na Moção de Acção Po­lí­tica pede-se o re­forço do PEV para ga­rantir a tão de­se­jada jus­tiça am­bi­ental e so­cial.

Mo­mento cru­cial de re­forço do pro­jecto eco­lo­gista


Sob o lema «Basta de destruição, ecologia em acção», este momento crucial de reforço do projecto ecologista e de definição das linhas de intervenção do PEV para os próximos anos arrancou, sábado, com a intervenção de Mariana Silva, que começou por saudar «todos os que ao longo destas mais de quatro décadas ergueram esta força de luta ecologista». A dirigente nacional elencou, de seguida, «inúmeras» iniciativas, lutas, propostas legislativas, nas mais diversas áreas, realizadas ao longo dos últimos 40 anos. «A justiça ambiental depende e muito da justiça social», salientou, frisando: «É cada vez maior o número de pessoas que vive na pobreza e na extrema pobreza, que não consegue ter uma vida digna, mesmo trabalhando ou tendo trabalhado uma vida inteira». «Melhorar as condições de vida irá repercutir-se numa maior preocupação com as questões ambientais, com os produtos que escolhemos pôr na mesa, com as escolhas que fazemos de mobilidade diária ou em férias, com a educação, com a saúde, com a cultura, com a justiça», defendeu.

Acção Po­lí­tica
O se­gundo dia de tra­ba­lhos – com a pre­sença de André Mar­tins, pre­si­dente da Câ­mara Mu­ni­cipal de Se­túbal – ficou mar­cado pela apro­vação da Moção de Acção Po­lí­tica, apre­sen­tada à Con­venção por He­loísa Apo­lólia. A também di­ri­gente do Con­selho Na­ci­onal do PEV in­formou que o do­cu­mento teve «um amplo pro­cesso de par­ti­ci­pação», tendo sido apre­sen­tadas 356 pro­postas de al­te­ração, que «en­ri­que­ceram» o seu con­teúdo e fi­zerem dele um «tra­balho co­lec­tivo».

Na­moção, di­vi­dida pelos pontos «Dar mais força ao PEV», «A eco­logia com Abril no ho­ri­zonte» e «Unir para trans­formar», apre­sentam-se pro­postas como «dotar as áreas pro­te­gidas de mais téc­nicos su­pe­ri­ores e mais vi­gi­lantes da na­tu­reza, va­lo­ri­zando e dig­ni­fi­cando a car­reira de vi­gi­lantes da na­tu­reza e dos guardas-flo­restas», «pro­mover o trans­porte co­lec­tivo, de modo a de­sin­cen­tivar o uso do au­to­móvel par­ti­cular, e in­cen­tivar a mo­bi­li­dade suave», «ga­rantir um in­ves­ti­mento ade­quado e a apli­cação efec­tiva de me­didas de pre­venção dos in­cên­dios flo­res­tais», «tomar como ob­jec­tivo, com in­ves­ti­mento con­se­quente, uma oferta pú­blica de ha­bi­tação de 12 por cento da oferta global, de modo a atingir a curto prazo, no mí­nimo, a média eu­ro­peia», «alargar a rede de cre­ches pú­blicas e gra­tuitas a todas as cri­anças», «atingir, pelo menos, 1 por cento do Or­ça­mento do Es­tado di­rec­ci­o­nado para os sector da cul­tura», «adopção de me­didas para ga­rantir mé­dico e en­fer­meiro de fa­mília a todos os ci­da­dãos ins­critos no Ser­viço Na­ci­onal de Saúde», «atingir o valor de mil euros de sa­lário mí­nimo na­ci­onal em 2025» e «exigir, através da ONU e de toda a co­mu­ni­dade in­ter­na­ci­onal o ime­diato cessar-fogo na Pa­les­tina, e na re­gião, e parar com o ge­no­cídio per­pe­trado por Is­rael».

Ex­pe­ri­ência po­si­tiva

Des­taca-se também que a CDU tem-se de­mons­trado uma «ex­pe­ri­ência muito po­si­tiva de con­ver­gência» entre o PCP e o PEV (com a As­so­ci­ação In­ter­venção De­mo­crá­tica e por inú­meros in­de­pen­dentes), que, tendo po­si­ci­o­na­mentos di­fe­rentes em re­lação a vá­rias ma­té­rias, «en­con­tram en­ten­di­mento e iden­ti­fi­cação con­junta em ques­tões cen­trais do de­sen­vol­vi­mento e num de­se­jável pro­cesso de trans­for­mação».

Também por isso, a pensar nas au­tár­quicas de 2025, a CDU «de­verá con­ti­nuar a servir in­tran­si­gen­te­mente as po­pu­la­ções e o bom or­de­na­mento do ter­ri­tório até ao final do pre­sente man­dato» e, desde já, «ini­ciar a pre­pa­ração do pró­ximo acto elei­toral, de­sig­na­da­mente através da ampla di­vul­gação do seu pro­jecto di­fe­ren­ci­ador de de­sen­vol­vi­mento local».

Com­pro­missos pri­o­ri­tá­rios
Du­rante os tra­ba­lhos, foi eleita pelos 120 de­le­gados uma nova Di­recção Na­ci­onal, «re­no­vada e re­ju­ve­nes­cida, com­posta por pes­soas, de­ter­mi­nadas a con­tri­buir para uma in­ter­venção mais forte, apoiada pelos com­pa­nheiros dos co­lec­tivos re­gi­o­nais com vista a dar res­posta às muitas e sé­rias exi­gên­cias que nos es­peram, e per­mitir apro­fundar a re­flexão sobre a re­a­li­dade am­bi­ental, eco­nó­mica e so­cial do País e do mundo», sa­li­entou Tiago Al­deias, na in­ter­venção de en­cer­ra­mento.

O di­ri­gente anun­ciou cinco com­pro­missos pri­o­ri­tá­rios para a in­ter­venção do PEV nos pró­ximos tempos: adap­tação às al­te­ra­ções cli­má­ticas; com­bate às mo­no­cul­turas in­ten­sivas; luta para fazer chegar os trans­portes pú­blicos a todos os ci­da­dãos, em todo o ter­ri­tório na­ci­onal; com­bate ao con­su­mismo e ao des­per­dício; com­bate à de­la­pi­dação do pa­tri­mónio e pelo apoio à cul­tura.

Tiago Al­deias cri­ticou também o Or­ça­mento do Es­tado para 2025, que «co­loca no centro da de­cisão as be­nesses a con­ceder ao sector em­pre­sa­rial e in­dus­trial e aos jo­vens de fa­mí­lias com ele­vados ren­di­mentos, dei­xando à margem das contas pú­blicas a res­posta de­fi­ni­tiva e ne­ces­sária para in­verter o rumo de de­si­gual­dades so­ciais».

 

PCP saúda Con­venção

O Se­cre­ta­riado do Co­mité Cen­tral do PCP en­viou uma sau­dação à XVI Con­venção, por ser «um mo­mento de grande sig­ni­fi­cado, não só para a in­ter­venção» de «Os Verdes», mas também «para muitos eco­lo­gistas, de­mo­cratas e pa­tri­otas que têm na acção do PEV um marco na luta em de­fesa do am­bi­ente, do pro­gresso so­cial, da de­mo­cracia e da paz».

«Numa fase da vida na­ci­onal mar­cada pela in­ten­si­fi­cação da po­lí­tica ao ser­viço dos in­te­resses dos grupos eco­nó­micos, que pro­move a ex­plo­ração, a de­gra­dação dos ser­viços pú­blicos, da pre­dação da na­tu­reza, o ataque à de­mo­cracia, a acção e in­ter­venção do PEV – con­fir­mando o seu papel ao longo de mais de quatro dé­cadas – cons­titui não só um va­lioso e dis­tin­tivo pa­tri­mónio de luta, como uma força in­dis­pen­sável à ne­ces­sária rup­tura com a po­lí­tica de di­reita e à afir­mação dos va­lores de Abril em Por­tugal», con­si­dera o PCP.

Na sau­dação, os co­mu­nistas di­rigem «os mais sin­ceros votos de êxito» nos tra­ba­lhos da Con­venção, «certos na sua con­tri­buição para as im­por­tantes ba­ta­lhas po­lí­ticas e elei­to­rais que se se­guirão», e re­a­firmam a sua «von­tade em pros­se­guir e re­forçar o ca­minho con­jun­ta­mente per­cor­rido pelo PCP e o PEV, in­cluindo na Co­li­gação De­mo­crá­tica Uni­tária (CDU), na luta por um mundo de paz e co­o­pe­ração, por um Por­tugal que cor­res­ponda às as­pi­ra­ções do povo por­tu­guês».

O órgão su­premo do PEV contou com uma de­le­gação do PCP, com­posta Rui Braga, Ma­nuela Pinto Ângelo, Vasco Car­doso, Ar­mindo Mi­randa, Paula Santos e João Oli­veira, dos Or­ga­nismos Exe­cu­tivos. Também a JCP es­teve pre­sente e en­viou uma sau­dação à Con­venção.



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