Cimeira da NATO, retórica e acção belicistas

Na Cimeira que assinalou os seus 75 anos, entre os dias 9 e 11 deste mês, em Washington, a NATO decidiu continuar a prolongar e a agravar a guerra no Leste da Europa, anunciou que os EUA vão instalar mísseis de longo alcance na Alemanha, com a Rússia na mira, promoveu o aumento das despesas militares e intensificou as ameaças à China.

Cimeira de Washington reafirma empenho no prolongamento e agravamento da guerra

LUSA

A NATO anunciou a intenção de financiar Kiev, em 2025, com mais 40 mil milhões de euros e vai fornecer à Ucrânia, a curto prazo, novas armas, incluindo baterias Patriot e caças F-16. Na declaração conjunta da cimeira em Washington, os 32 países da NATO afirmaram que a entrada da Ucrânia neste bloco político-militar belicista é «irreversível», mas não se comprometeram com um prazo. Será quando os seus membros «decidirem» e «estiverem reunidas as condições».

No texto final, e entre outros aspectos, a NATO declara a Rússia como a «ameaça mais importante», acusa a China de desafiar os seus«interesses, segurança e valores» e aponta ainda ao Irão e às suas alegadas «acções desestabilizadoras».

A Declaração de Washington refere-se ao «flanco sul» da NATO – que inclui o Magrebe e o Sahel –, sugerindo um plano de acção dirigido àquela região, «justificado» como sempre com hipócritas palavras em torno da «segurança» e do «combate ao terrorismo». Tal intervenção representará mais uma ameaça aos povos da região.

Mísseis de longo alcance dos EUA

Durante a Cimeira em Washington, a NATO anunciou que, em 2026, os EUA começarão a instalar mísseis de longo alcance em território da Alemanha. O arsenal norte-americano incluirá mísseis SM-6 e Tomahawk e armas hipersónicas, que têm um alcance significativamente maior do que os mísseis já instalados na Europa.

Esta decisão aproxima o mundo de uma nova «guerra fria», declarou em Moscovo o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. Os passos de Washington e Bruxelas vão nesse sentido e podem ocasionar uma confrontação directa com a Rússia, realçou.

Também o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguéi Riabkov, comentou o anúncio da instalação de novos mísseis norte-americanos na Europa. «É um elo da política de escalada, um elemento de intimidação que hoje quase se converteu na componente fundamental da política da NATO e dos EUA em relação à Rússia», disse.

Linguagem beligerante

A China rejeita a linguagem beligerante, as difamações e os exageros relativos à situação na Ásia-Pacífico descritos pela NATO. De acordo com o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, a Declaração de Washington, no final da Cimeira, exagera as tensões na região da Ásia-Pacífico e está cheia de preconceitos e provocações contra a China.

Na Cimeira, os EUA e a NATO tentaram mostrar a sua unidade e apresentar-se como defensores da paz mas, segundo Pequim, o bloco político-militar continua a ser um resquício da «guerra fria», caracterizado pela confrontação e a política beligerante promovidas pelos EUA e a NATO.

O porta-voz recordou os bombardeamentos contra a Jugoslávia e as guerras no Afeganistão e na Líbia como exemplos de como a intervenção da NATO traz o caos e a desestabilização. Assinalou que a «segurança» proclamada pela NATO muitas vezes é conseguida à custa da segurança de outros países e que a criação de inimigos fictícios é uma táctica comum da aliança bélica.

A respeito da Ucrânia, Lin Jian qualificou de infundadas as acusações da NATO sobre a responsabilidade da China no conflito, destacou a posição objectiva e justa de Pequim e o seu papel construtivo em prol da paz internacionalmente reconhecido. E acusou a NATO de espalhar desinformação com a intenção de minar as relações entre a China e a Europa.

 



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