O povo palestiniano resiste perante a barbárie israelita
Tropas israelitas continuam a perpetrar massacres na Faixa de Gaza que, segundo dirigentes palestinianos, perseguem o objectivo da expulsão da população palestiniana deste território, onde se agravam a crise alimentar, sanitária e de acesso à água. Prosseguem também os ataques dos colonos e forças militares israelitas na Cisjordânia.
Mais de 38 mil palestinianos mortos, 88 mil feridos e 10 mil desaparecidos na Faixa de Gaza
Israel está a intensificar os massacres na Faixa de Gaza com o objectivo de levar a cabo a expulsão da população palestiniana desse território, acusou o presidente do Conselho Nacional Palestiniano, Rawhi Fattouh. O dirigente palestiniano denunciou o bombardeamento, no domingo, 14, que causou a morte de 15 pessoas e ferimentos em dezenas de pessoas, de uma escola das Nações Unidas, no campo de refugiados de Nuseirat, na zona central da faixa.
Na véspera, num ataque contra uma zona supostamente segura para os deslocados, perto da cidade de Khan Yunis, no sul do território costeiro, foram mortos 90 palestinianos e ficaram feridos mais de 300.
Fattouth apelou às Nações Unidas e aoutras organizações internacionais a que protejam os direitos da população, particularmente das crianças, responsabilizou os EUA «pelos milhares de mortos e feridos na Faixa de Gaza, vítimas das armas e bombas inteligentes norte-americanas», e criticou o apoio logístico, político e diplomático de Washington ao governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
Desde Outubro de 2023, mais de 38 mil palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza, a que se somam mais de 88 mil feridos e cerca de 10 mil desaparecidos debaixo dos escombros dos edifícios arrasados pelos ataques israelitas.
Crise alimentar, de acesso à água e sanitária
A obtenção de alimentos é hoje um grave problema na Faixa de Gaza, a que se juntam a escassez de água potável, a crise de saúde e o colapso do sistema de saneamento, alertou uma agência da ONU.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA), num comunicado divulgado em Ramala, denunciou «os bombardeamentos israelitas a partir do ar, da terra e do mar» contra amplas zonas no território, onde vivem mais de dois milhões de pessoas. Quase toda a população da faixa sofre de insegurança alimentar – este é um problema importante na Faixa de Gaza, insistiu a agência.
O PMA sublinhou que as recentes ordens de evacuação, emitidas pelo exército israelita, obstaculizam ainda mais a capacidade das organizações humanitárias para responder à crise. Explicou que, na cidade de Gaza, no norte do território, a agência viu-se obrigada a reduzir temporariamente as porções de alimentos às famílias. Realçou que o saneamento é quase inexistente na faixa, uma situação que agrava o problema e ameaça o surgimento de epidemias em grande escala. Indicou que «as águas residuais e as montanhas de lixo levaram a taxas de infecção altíssimas». E revelou também que o acesso a cuidados médicos de emergência é um desafio para a população.
No que diz respeito à Cisjordânia, o PMA destacou que a segurança se deteriorou ali de maneira significativa devido ao incremento dos ataques dos colonos e das forças armadas israelitas. Na Margem Ocidental, assinalou, há notícia de centenas de palestinianos mortos, milhares de detenções e restrições que impedem o movimento entre as cidades e as comunidades. «Estas restrições, juntamente com a violência e os pontos de controlo, impactaram severamente a economia e a vida diária» da população palestiniana, asseverou.
Ataques israelitas devastaram Jenin
A região nortenha de Jenin, na Cisjordânia, ficou devastada depois de nove meses de ataques e incursões de colonos e forças militares israelitas, denunciou em Ramala o governador do território, Kamal Abu Al-Rub.
Desde Outubro do ano passado, 148 palestinianos foram mortos e 320 ficaram feridos pelos agressores israelitas, disse o responsável ao portal noticioso Al Quds. No mesmo período, foram presas 540 pessoas, incluindo menores de idade e mulheres, revelou.
De acordo com o governador, as perdas económicas da região ascendem ao equivalente a 13,8 milhões de dólares. No entanto, referiu, o maior e mais perigoso obstáculo é a continuação das violações e incursões dos militares israelitas, que são acompanhadas de destruição e sabotagem. Apenas este ano, afirmou, as tropas ocupantes fizeram centenas de ataques na região, a maioria dos quais tiveram como objectivo a cidade de Jenin e o vizinho campo de refugiados. Os prejuízos na infra-estrutura, incluindo nos sistemas de electricidade, de água e de saneamento, totalizam 41,5 milhões de dólares, revelou Abu Al-Rub.
O governador descreveu a situação na cidade e no campo de refugiados de Jenin como «uma verdadeira catástrofe resultante da agressão e dos crimes» israelitas. Mas, afiançou, os palestinianos permanecerão firmes e unidos até ao fim da ocupação e à criação do seu Estado.
Tortura, fome e violência nas prisões israelitas
Somam-se os relatos de torturas, fome e violências várias (incluindo sexual) contra os presos palestinianos nas prisões israelitas. Khaled Mahajneh, advogado da Comissão para os Assuntos dos Detidos e ex-Detidos, visitou a prisão de Ofer, situada nos territórios ocupados da Cisjordânia, e fez relatos impressionantes sobre as condições dos presos da Faixa de Gaza.
Alguns dos detidos, informou, foram sujeitos a assédio sexual depois de terem sido despojados das suas roupas e espancados em locais sensíveis, estando actualmente a sofrer as sequelas psicológicas inerentes aos maus tratos. São também usados cães para atacarem os presos quando estes se encontram com as mãos amarradas atrás da cabeça.
Há mais de 100 detidos que se encontram doentes ou feridos sem tratamento. As condições prisionais são miseráveis: celas de cimento de dimensões reduzidas sem ventilação, equipadas apenas com camas de ferro, sem colchões ou cobertores. Devido à sobrelotação, a maioria dos detidos dorme no chão. Mahajneh denunciou ainda a vigilância permanente, as refeições insuficientes, a falta de higiene e as torturas frequentes. Há dias, os soldados atacaram os detidos em Ofer, daí resultando fracturas em muitos deles. O advogado denunciou ainda o caso de um preso que acabou por falecer ao ser privado da necessária assistência médica.